Edmund Huserl aparece no panorama da filosofia do século XX com um projeto ao mesmo tempo intimamente ligado à tradição da filosofia e extremamente renovador. Com efeito, a crítica que empreendeu em relação às tendências psicologizantes que desde o empirismo britânico se fortaleceiam na filosofia fez com que chegasse, em fins do século XIX, a conceber a necessidade de um recomeço radical, à semelhança do que fizera Descartes no século XVII. A Fenomenologia, tal como Husserl a entende, deve servir a esta perspectiva inaugural, propiciando a "colocação entre parênteses" do mundo natural, aí incluída a ciência que apreende os fenômenos desse mundo. O que Husserl propõe, ainda segundo o modelo cartesiano, é uma nova "atitude" em filosofia, que nos liberte da "atitude natural" e nos faça chegar às formas essenciais da realidade. Tanto em temos de método quanto em termos de conteúdo, a fenomenologia exerceu profunda influência no pensamento do século XX. Heidegger, Sartre e Jaspers são, entre outros, tributários da perspectiva husserliana, que marcou também tendências contemporâneas em Psicologia e em Sociologia.

