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    O sonho mais doce -

    Doris Lessing

    Companhia das Letras
    2006
    448 páginas
    14h 56m
    ISBN-10: 8535906991
    Português Brasileiro
    4.3
    44 avaliações
    Leram69Lendo4Querem189Relendo0Abandonos3Resenhas2
    Favoritos2Desejados189Avaliaram44

    Passando a limpo os últimos quarenta anos do século XX, Doris Lessing fala dos desmandos cometidos em nome da ideologia pura, critica feministas, desmonta a esquerda, denuncia corrupção e não poupa sequer o trabalho das ONGS. Logo na introdução de O sonho mais doce, Doris Lessing afirma que não vai escrever o terceiro volume de suas memórias - já publicadas em Debaixo da minha pele e Andando na sombra - por receio de ferir susceptibilidades. Isso não a impede, contudo, de fazer uma crítica ao que julga ter dado errado no século XX. Põe em xeque o manto real da esquerda, questiona o feminismo, as terapias alternativas, as organizações humanitárias e a já esquecida campanha em prol do desarmamento nuclear. Na primeira parte, o foco é a ampla mesa da cozinha de um casarão londrino onde se reúnem jovens de diversas extrações que são alimentados de comida por Frances Lennox - a mão substituta, liberal e compreensiva de todos eles -, e de retórica pelo camarada Johnny ex-marido de Frances e stalinista convicto. Estamos na década de 60 e os jovens sonham mudar o mundo: participam de passeatas, protestos e comícios, abandonam os estudos, voltam a estudar, lutam em Paris, colhem uvas. Na segunda parte, esses jovens já entraram no espírito dos anos 80. A ação se transfere para uma missão católica na Zimlia, numa África assolada pela AIDS em meio a corrupção, seca e superstições. Com a verve e a indignação que a caracterizam, Lessing traça um panorama do século XX acompanhando três gerações e transita, com conhecimento de causa, entre a Londres que tem tudo e a África carece de tudo.

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    Higor picture
    Higor15/11/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    'Lendo Nobel': sobre lutas de classes e posicionamentos políticos

    A pessoa mais velha a receber o Nobel de Literatura, aos 88 anos, Doris Lessing também tem uma vasta bibliografia, com mais de 80 livros, que se dividem entre os aclamados e os desprezados pela critica especializada. Basicamente, a obra de Lessing se divide em três: a primeira, de cunho politico comunista, aborda temas sociais de maneira ácida. A segunda fase se concentra em temas biográficos, psicológicos e intimistas; já a terceira, a mais desprezada, foca na ficção científica. Curiosamente, a aclamação da crítica, e do Nobel, se concentra nos livros após a terceira fase, sem uma fase definida. ‘O sonho mais doce’, de 2001, começa com a morte do então presidente J. F. Kennedy, no final de 1963, década da chamada contracultura, em que movimentos sociais, a insatisfação da juventude e a liberdade sexual estiveram em alta. Frances, uma espécie de mãe postiça dos rebeldes, divide a casa com a sogra, Julia, logo após ter sido abandonada por Johnnie, o ex-marido comunista inveterado. Não se concentrando em um personagem principal, ao menos na primeira parte, a autora foca na casa em que os personagens vivem, mais especificamente na longa mesa abarrotada de refeições. É ali, em meio às conversas sobre politica, meio ambiente, religião e sexualidade que conhecemos a opinião de cada um, assim como suas personalidades e aspirações para o futuro. A história, no entanto, não se prende a década de 60, mas vai dando continuidade nos anos 1970, com vida alternativa, pregação do amor e das drogas. Não se demorando muito, mas se estabelecendo nos anos 80, especificamente no país fictício de Zimlia. É importante lembrar que houve na África uma crescente, na década anterior, de independência de colônias, gerando assim, o surgimento de vários países no continente, e com isso, o contato e conhecimento, além de novas culturas, lugares insalubres, degradantes e desumanos. Além da própria busca pela independência do país, com suas dificuldades, enganações e protestos, um grande vilão assola a população daquele recém-nascido país: a AIDS, vulgarmente conhecida como Finura, uma doença que, à época, era inexplicável. Embora recheado de assuntos e personagens, que poderiam pesar a mão e fazer com que o livro se tornasse ruim, Lessing escreve de maneira ágil e fluida, surpreendendo o leitor temeroso com as mais de 400 paginas. A prova de que, para ser um bom e aclamado livro, não precisa ser, automaticamente, original ou experimental, mas franco, consigo mesmo e com o leitor. Este livro faz parte do projeto 'Lendo Nobel'. Mais em:Le

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    • 4 estrelas45%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas0%
    Doris May Tayler profile picture

    Doris May Tayler

    Filha de pais britânicos, nasceu em 1919, em Kermanshah, na Pérsia (atual Irã). Em 1925, mudou-se com a família para uma fazenda na Rodésia do Sul (hoje Zimbábue). Lá viveu até 1949, quando foi para Londres, levando o manuscrito de seu primeiro romance, <i>The grass is singing</i>, que obteve expressivo sucesso internacional quando lançado. Autora de uma obra extensa, que inclui ensaios, contos, romances e textos memorialísticos, Doris Lessing ganhou diversos prêmios, entre eles o Somerset Maugham (1954), o W. H. Smith Award (1986), o Mondello (1987), o Prêmio Internacional da Catalunha (1999), o Príncipe de Astúrias (2001) e o Prêmio Nobel de Literatura (2007). A Academia Sueca a definiu como "<i>a contadora épica da experiência feminina, que com ceticismo, ardor e uma força visionária escrutinou uma civilização dividida</i>".

    55 Livros
    68 Seguidores

    Doris May Tayler