Anjos Caiados -

    Ariovaldo Matos

    Academia de Letras da Bahia
    2006
    381 páginas
    12h 42m
    ISBN-10: 8571960771
    Português Brasileiro

    Ariovaldo dedica o romance à memória, e agradece a paciência dos que “suportaram suas fantasias de repórter”. São três partes, construídas com uma dose de experimentalismo digna do Cortázar de Rayuela (O Jogo da Amarelinha), como bem notou Guido Guerra, por conta da estrutura multifacetada que recorre ao diálogo teatral, que usa cartas e poemas, que insere, enfim, narrativas várias. O romance teve origem no conto “A construção do sonho” e, por isso, Guido deixou justamente este conto fora da antologia A Ostra Azul, respeitando seu desdobramento, ou o fato do conto ter atingido outro gênero, que lhe seria mais próprio. Muito rico, portanto, é Anjos Caiados. Porém, muitos gostariam de conhecer o conto citado por Guido, daí que seria interessante que Fred Matos, filho de Ariovaldo, também contista e já com livro publicado, em 2006, pelo selo Letras da Bahia, da Fundação Cultural do Estado/ Secretaria da Cultura e Turismo, intitulado Melhor que a encomenda, trouxesse o texto para o público de hoje. A linguagem é prioridade em se tratando de Ariovaldo, ela é senhora e dona do começo ao fim de qualquer narrativa escrita por ele, porque não se faz a leitura sem sentir admiração, sem deslumbrar-se com o seu fluir livre de obstáculos, ainda que num romance elaborado com tanta complexidade, que lança mão de tantos recursos e de muitos personagens. O tema vem revestido da mistura de religiosidade e sensualidade, da cultura judaico-cristã e dos pecados da carne. A personagem Liúba é bela e sensual. O Padre Eugênio é padre e é homem, e o resultado é a transgressão. Jornalista, dramaturgo, contista, romancista, muito premiado, traduzido inclusive, Ariovaldo Matos fixou seu nome na literatura baiana.

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