O Bairro da Penha
Livro o Bairro da Penha, autor Silvio Bomtempi, 1970, contém 119 páginas. Editora Prefeitura Municipal. Sobrevivendo à luta, o bandeirante volta, apanha a família e vai ser lavrador e criador, fixando-se nos chãos de sesmaria, onde ergue uma ermida em louvor de Nossa Senhora, que nunca mais esquecerá e sempre louvará com orações diárias, ladainhas, novenas e festas devocionais. Das ermidas assim eretas surgiram povoações, razão porque "Nossa Senhora é o nome de todas as povoações que se fundam". Tais são os sesmeiros que começam a povoar a Colina. Pág.28 A Penha é um exemplo do bandeirismo de Piratininga. Pág. 35 Os irmãos Matheus Nunes de Siqueira e Jacinto Nunes de Siqueira juntaram o seu trabalho e a sua devoção em prol da ermida e, ao reunirem os seus chãos de sesmaria para dedicá-los a Nossa Senhora, transformaram-nos numa só sesmaria, de que surgiu a Penha a Sesmaria de Nossa Senhora da Penha de França. Pág. 48 A Penha, então, foi palco de atos de D. Pedro pouco antes do Grito do Ipiranga, exatamente duas semanas antes. Os historiadores, quase invariavelmente, referem-se à presença de D. Pedro na Penha, naqueles dias decisivos do Brasil. Particularmente dois bairros de São Paulo ficam ligados aos sucessos de 1822, a saber o Ipiranga, onde se anunciou a Independência do Brasil, e a Penha onde duas semanas antes pernoitou o Libertador, sob a proteção de Nossa Senhora. Orgulha-se o Bairro dos seus visitantes. Pág. 88 Na manhã do dia seguinte, antes de se dirigir à Sé, D. Pedro assiste à Missa, como todo o séquito que se avolumara ao longo da viagem do Príncipe a São Paulo, como guarda de honra. Lá estavam, no templo, a despertarem a atenção, Oliveira Melo (futuro Barão de Pindamonhanga, Francisco Gomes da Silva (o Chalaça), Saldanha da Gama (futuro Marquês de Taubaté), o Coronel Gama Lobo, enfim, uma comitiva de escol, "composta de cerca de duas dúzias de esbeltos mancebos, filhos das mais luzidas famílias do Vale do Paraíba" (66). Depois do ofício religioso, das portas da igreja partem todos à Sé. Em uniforme de gala, parte D. Pedro. Deve apertar as rédeas do cavalo, ao descer o ladeirão fronteiro, e liberá-las ao transpor a ponte do Aricanduva, rumo à cidade, onde o aguardavam as glórias do seu povo. Pág. 89 As Festas da Penha? Famosas, sempre comentadas pelos historiadores da cidade, atraíam gente de todas as partes, até mesmo de outras Províncias. Concorridíssimas as suas quermesses, realizadas durante as novenas preparatórias do grande dia de Nossa Senhora da Penha. As procissões então realizadas galvanizavam praticamente a cidade toda. E o Bairro movimentava-se, ganhava um colorido inusitado, uns ares de importância que só ele podia exibir, ninguém mais. Pág. 95 A Explosão do Século XX. A Penha deixara de ser somente o outeiro lá longe, "delicioso e poético lugar" de passeios domingueiros e alegres regatas no Tietê. Entrava na fase da proletarização, indo os seus moradores empregar-se nas fábricas do Brás. Ainda bem que os bondes elétricos, em 1901, corriam nos trilhos assentes na velha Estrada da Penha, depois Rua da Intendência, Rua do Brás e atual Avenida Rangel Pestana prolongada pela Avenida Celso Garcia. A população do centro do Bairro dilata-se um pouco. Começava o século com boas perspectivas de trabalho, mercê das profundas reformas dos processos da indústria e para que se pudesse aproveitar o grande incremento lá estava o bonde elétrico, extraordinária máquina movida a eletricidade, aposentando os bondinhos verdes puxados a burro através das ruas da cidade. Pág. 108
