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    Longe da água -

    Michel Laub

    Companhia das Letras
    2004
    120 páginas
    4h 0m
    ISBN-10: 8535904816
    Português Brasileiro
    3.3
    87 avaliações
    Leram132Lendo1Querem64Relendo0Abandonos0Resenhas9
    Favoritos1Desejados64Avaliaram87

    A partir da relação de amizade entre dois garotos, dos lances de um breve namoro de verão e das lembranças da rotina opressiva do colégio, o narrador de Longe da água - romance do premiado autor de Música anterior - constrói uma narrativa delicada e intensa sobre a fabulação da memória, a entrada no mundo adulto e a descoberta da dor e da perda. Num sábado de inverno de boas ondas e correnteza forte, dois garotos caem no mar para surfar. Um deles é o narrador do livro e o outro é Jaime, seu melhor amigo. Em Albatroz, balneário do Rio Grande do Sul, onde costumam passar as férias, eles vivem as primeiras experiências da adolescência. Um incidente ocorrido no mar naquele dia vai marcar de forma radical a vida do protagonista. No momento em que conta a história, o narrador - agora com quase trinta anos, morando em São Paulo - vive um período de fragilidade psicológica. Além da história da amizade com Jaime, que vai sendo descrita de forma oblíqua e alusiva, o narrador rememora a rotina opressiva dos tempos de colégio. Volta também a lembranças de Laura, ex-namorada de Jaime, por quem se sentia atraído - e que desempenhará papel fundamental na sua vida adulta. Nada pode ser tão banal, mas não é bem disso que estamos falando. A frase que abre o livro é o resumo de como os temas se apresentam: depois do mote inicial - uma relação de amizade e um breve namoro de verão - segue-se o relato de uma formação intelectual e afetiva. Aos poucos, o leitor descobre que, por trás da leveza narrativa e do encadeamento fluente das memórias do protagonista, Longe da água é uma narrativa intensa e reveladora sobre a entrada no mundo adulto, a descoberta da dor e os efeitos duradouros da perda e da culpa.

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    Lucas Rabêlo06/04/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    À sombra do passe em flor

    Assim o é. O despertar, o alvorecer, e então, amadurecer. E a (con) sequência disto tudo. Nesta novela, ainda que lhe categorizem romance, o tempo é o merecido descanso para a dor da memória. O narrador, sem nome, mas de documento, filho de gaúchos, efervescente na compleição da adolescência inquieta e ingenuamente definidora, remeterá anos depois, aos trinta, migrado em São Paulo, o réquiem para o qual a parceria juvenil de Jaime e a paixão longínqua de Laura contribuíram, na formação intelectual e emocional, sua inercia adulta. Como passagem de vida significa arrebatamentos, melancolia também é item consciente da figuração humana. Este homem, psicologicamente fragilizado, é visto em cima do muro ao conhecer o toque do prazer de uma vizinha, ao reconhecer a vantagem corporal inexistente para conquistar garotas, a confiança necessária para desatrelar-se da figura de Jaime, amigo, o melhor - do acidente fatal num balneário de verão que coibirá sua trajetória, ponto de partida para a íntima reconstituição violenta em não parar. Ao custo amargo, seja. "Nada pode ser tão banal, mas não é bem disso que estamos falando." Não foi. Senão o protagonista tragicômico, Michel Laub, seu ventriloquo, onipotente. Ficcionista contemporâneo brasileiro, porto-alegrense e conterrâneo de suas criações errantes, Laub propositalmente gosta de inferir às formações de seus objetos literários, antecessores ou predecessores, o contexto social como atributo causal de comportamento, pertencimento, às vezes, exemplo. É uma alegria uma caneta desafiadora em riste, em atividade, em pedagogia do que é viver - inesperado.

    15 curtidas

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    Avaliações

    3.3 / 87
    • 5 estrelas16%
    • 4 estrelas32%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas14%
    • 1 estrelas5%
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    Michel Laub

    Michel Laub nasceu em Porto Alegre, em 1973. Escritor e jornalista, foi editor-chefe da revista Bravo e coordenador de internet do Instituto Moreira Salles. Hoje é professor de criação literária e colaborador de diversos veículos e editoras. Publicou cinco romances, todos pela Companhia das Letras: Música Anterior (2001); Longe da água (2004), lançado também na Argentina; O Segundo Tempo (2006), O Gato Diz Adeus (2009) e Diário Da Queda (2011), que sairá na Alemanha e teve os direitos vendidos para o cinema. Recebeu o prêmio Erico Verissimo/Revelação, da União Brasileira dos Escritores, as bolsas Vitae, Funarte e Petrobras e foi finalista dos prêmios Jabuti, Portugal Telecom (duas vezes), Zaffari&Bourbon (duas vezes) e Fato Literário/RBS. Tem textos publicados na Itália e na Coreia.

    10 Livros
    73 Seguidores
    RS, Brasil

    Michel Laub