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    Natureza e Missão da Teologia -

    Papa Bento XVI

    Vozes
    2008
    104 páginas
    3h 28m
    ISBN-13: 9788532636355
    Português Brasileiro
    4.7
    10 avaliações
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    Esta obra, escrita pelo atual Papa Bento XVI quando ainda exercia a função de Prefeito da Sagrada Congregação para Doutrina da Fé, propõe uma reflexão sobre a natureza e a missão da Teologia. Não deixa de tratar de questões muitas vezes candentes com que se deparam muitos teólogos que, ao fazerem teologia, precisam adequar-se aos critérios e às normas exigidas pela hierarquia eclesial.

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    Lucas Krauss picture
    Lucas Krauss30/04/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Ótima leitura para quem quer entender melhor sobre a teologia cristã.

    Joseph Ratzinger em seu pequeno livro Natureza e Missão da Teologia faz um grandioso serviço à Igreja. Sobretudo a nós, novos estudantes da teologia. Com maestria e vasto conhecimento, o então Cardeal Ratzinger discorre sobre todo sentido da teologia cristã, recordando quais são seus pressupostos e a sua natureza mesma. Do teólogo, recorda o purpurado, são esperadas muitas coisas. É ele quem deve ensinar aos homens de nossos tempos o sentido das palavras do evangelho e das tradições cristãs. É do teólogo também que se espera uma capacidade de responder aos anseios transcendentes do homem do presente. É dele também esperado uma sóbria discussão ecumênica e com o mundo moderno e seus temas. Entretanto, e faz necessário que, ao fazer teologia, o teólogo nunca se esqueça de certos conceitos que lhe dão sua base. Pois se assim não for, a teologia corre sério risco de deixar de cumprir sua missão. Missão esta que se evidencia ao longo da história, de auxiliar os fiéis a estarem prontos a dar a razão de sua fé. E assim chegamos ao começo do livro, a relação entre a razão e a fé. Essa é uma relação de necessária harmonia para que possa existir uma verdadeira teologia. Afinal sem uma verdadeira fé, não há sobre o que fazer teologia. A fé nasce como o motor de uma resposta ao amor recebido de Deus. A fé busca o intelecto porque ama aquele em quem crê. Também sem uma verdadeira razão não se faz teologia. Afinal, a fé não é irracional, em contrário, ela busca compreender melhor, pois ama e quer amar melhor. Portanto, razão e fé são e devem ser aliadas na busca da ciência teológica. Seguindo seu raciocínio, o autor continua recordando que só faz teologia aquele que se converte ao Cristo. É necessária uma profunda adesão à vida de Cristo a ponto de, tal como o apóstolo Paulo – viver em Cristo, mas não em si mesmo. Só o novo homem em Cristo que não mais vive seu egoísmo, mas vive a vida de Cristo na Igreja é capaz de ser verdadeiro teólogo. Afinal, o teólogo não pode comunicar a si mesmo, nem tampouco simplesmente suas próprias ideias. Ele é sobretudo aquele que, conhecendo Cristo, descobriu a Verdade e se apaixonou por ela. Quem conhece a verdade é libertado e busca melhor compreendê-la. E assim se alcança no texto mais um risco à teologia cristã. O de querer se tornar apenas mais uma ciência entre tantas. O fato de a teologia hoje ser ainda ensinada nas universidades e não nas dioceses, trouxe certamente grandes benefícios. É inegável que o fato de que dentro do meio acadêmico ainda se falar de Deus, da fé e dos anseios transcendentais do homem seja realmente assombroso, afinal nossa sociedade se seculariza cada vez mais. No entanto o teólogo acadêmico corre o risco de se perder da Igreja. Perdendo-se do povo de Deus, dos pequeninos de Deus, o teólogo demasiado acadêmico tende a esquecer-se da fé do povo, da simplicidade do Pai, que quis revelar seus mistérios não aos sábios, mas aos que pouco sabem. Ratzinger chega ao fato de que os altivos teólogos academicistas esquecendo-se dos pequenos e da Santa Igreja, perdem-se numa teologia abstrata, que nada tem a dizer à fé do povo, e passam a encarar então o Magistério da Igreja como um tribunal inquisidor. Pois quando o Magistério Sagrado busca com sua autoridade relembrar esses teólogos, usando de seu múnus de ensino, que sua teologia deve ser fiel a tradição da Igreja, esses são vistos como tiranos em busca de cercear a “liberdade acadêmica” em fazer ciência. No entanto como pode ser possível que haja uma ciência teológica desconexa da unidade e comunhão eclesial? Como pode ser possível haver uma sã teologia que se esqueça dos anseios dos pequeninos? É certamente impossível chamar esse produto de teologia. Sendo apenas um desserviço ao povo de Deus. Em suas linhas o Cardeal Ratzinger nos elucida com seu estilo muito claro e sóbrio, sempre a cada página aprendemos mais, não há uma linha sequer desperdiçada em repetições. Ao longo da leitura percebemos que fala com paixão sobre os teólogos modernos, sendo ele próprio pertencente a esse grupo e estando à frente da congregação da doutrina da fé, fala com muita propriedade, pois já rebateu diversas vezes aqueles que se dedicaram a fazer uma teologia dissociada da Igreja e de seu magistério. É uma leitura que prende a atenção do leitor do começo ao fim.

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    Joseph Alois Ratzinger profile picture

    Joseph Alois Ratzinger

    Bento XVI, nascido Joseph Alois Ratzinger, foi Papa de 19 de abril de 2005 até 28 de fevereiro de 2013, quando se tornou o primeiro Pontífice a renunciar ao seu ministério sem pressão externa desde 1294. Atuou como perito durante o Concílio Vaticano II. Foi nomeado bispo e cardeal em 1977, pelo Beato Paulo VI. É considerado um dos maiores teólogos do seu tempo e da história da Igreja Católica. Após a sua abdicação detém o título de Papa emérito, ou Bispo emérito de Roma, e vive retirado no mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano.

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    Baviera, Alemanha

    Joseph Alois Ratzinger