Eu nasci em 1988. Nasci com um rio Tiete já morto. Um rio Tiete onde as historias contadas sobre mergulhar, nadar, viver dentro ou mesmo próximo a ele eram mais estranhas que a ficção. Minhas avós e avô nem imaginaram isso. rs
Mas os jacarés dessa historia homônima acidentalmente injetaram vida e imaginação no meu rio Tiete, esse rio que a cidade de SP perdeu.
Cada um se atenta a um detalhe em suas leituras. Nessa obra, os jacarés existindo no rio (que agora há pouco descobri ser literal) colocou algo nos meus pensamentos e no meu olhar que toda vez que passei pelo rio, eu passei com a estranha questão "como ele podia estar tão morto assim"?
A literatura realmente pode implantar vida onde já não mais há.
E a minha desse livro me fez entender um pouco o estranhamento dos que viram a cidade perder a vida do rio e se viram perder o lugar onde nadar, praticar esportes livremente, ficar a toa em fins de semana a tarde e se distanciar um pouco mais dela.
Essa leitura foi para muito alem do rio.