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    Babbitt (Os Imortais da Literatura Universal #44) -

    Sinclair Lewis

    Abril Cultural
    1972
    441 páginas
    14h 42m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.7
    33 avaliações
    Leram58Lendo8Querem113Relendo0Abandonos3Resenhas2
    Favoritos1Desejados113Avaliaram33

    Uma sátira sobre a América dos anos 20, durante a Lei Seca que o conservadorismo apoiava mas não praticava. Um homem de negócios e de família, numa cidade comercial, Zenith, vive infeliz em que a única coisa que interessa são as aparências. Tenta mudar, dizer o que pensa, mas apercebe-se que as idéias liberais só lhe trazem dissabores e por isso retorna à vida conservadora e fútil de outrora. Sinclair Lewis, Nobel da Literatura em 1930, descreve com ironia a prosperidade daqueles que vivem num mundo de mentira e de aparências, que lutam contra as ideias liberais, socialistas e de justiça social. |...| George Babbitt é uma emblemática figura, pois é a evidência de um modo de vida que dominou a opinião pública norte-americana dos anos 20 cujos ecos reverberam ainda hoje como verdadeiros pilares do capitalismo: os empresários e business men. A ação deles sobre a realidade é vista pela sociedade norte-americana como algo heróico, louvável, que deve ser divulgado e comemorado a todo o momento para espantar o “fantasma comunista” que passara a figurar na pauta de preocupações desse grupo desde 1917. A passagem do século XIX para o XX desenvolveu o ambiente urbano norte-americano, gerando as cidades grandes e transformando as relações capitalistas, levando-as a outro nível. Esse processo acelerou-se com a posição privilegiada que os Estados Unidos passaram a ocupar depois da Primeira Guerra Mundial, tornando-se credores do mundo. A euforia dos negócios e da prosperidade econômica contaminou a sociedade americana criando sociedades civis de estímulo ao crescimento econômico, ao comércio, a indústria etc. Babbitt se insere justamente nesse contexto. O american way of life, “fenômeno” que começava a se desenvolver nesse período (e que se consolidaria mais efetivamente pós-crise de 29 e pós-Segunda Guerra Mundial), apresentava contradições e elevava ao patamar de gurus e guias esses empresários que investiam e representavam a ganância e o empreendedorismo capitalistas. Dessa elevação criavam-se modelos de conduta, comportamentos e pressupostos ideológicos no mínimo questionáveis. Um exemplo disso, que Lewis consegue captar com uma sensibilidade de admirável sutileza é o pensamento desse grupo acerca da formação intelectual e acadêmica dos jovens. O filho de Babbitt, Ted, vê como perda de tempo o estudo de arte, literatura e outros estudos de cultura porque não tem aplicação prática na carreira empreendedora que assoma em seu futuro, ao passo que é apoiado pelo pai, que, por sua vez, encontra eco desse posicionamento nos grupos nos quais participa. Os grupos de empresários dos quais Babbitt participa (verdadeiras confrarias para vangloriarem-se), como os Boosters, por exemplo, apresentam contradições que Sinclair Lewis explora, às vezes muito timidamente. Uma delas é o fato de terem-se como arautos do progresso e do desenvolvimento ao mesmo tempo em que sustentam uma mentalidade arcaica, que instrumentaliza a realidade em seus mais diversos aspectos para servir seus projetos individuais como se eles representassem os anseios da sociedade de forma geral. A mentalidade arcaica chocando-se com os pressupostos capitalistas encontra no romance um lugar privilegiado, porque consegue descortinar ao leitor a forma como a sociedade se organizava, sob quais preceitos e como esse jogo de especulação era praticado. Vale lembrar que essa especulação culminará na famosa crise de superprodução cujo marco é o crack da Bolsa de Nova York: a Crise de 29.

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    Silvio Marcos Coghi27/11/2018Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Esse livro mostra como era sociedade, como viviam as pessoas de classe média, média-alta numa cidade grande americana na década de 20. O que as pessoas faziam, pensavam, como agiam; o progresso que já havia na época, como eletricidade, telefone, automóvel. Fala da lei seca - proibição da venda de bebidas alcoólicas - como burlavam a lei, contrabando, falsificações, etc. e tal. A história em si é muito pouco significativa, monótona e entediante. Nada de anormal ou realmente significativo acontece. Não vi sátira nenhuma. Esta edição que li foi traduzida para o português de Portugal, o que faz parecer muito estranho por falta de hábito. Dá a impressão que os acontecimentos se passam em Portugal. Não sei se existe alguma edição em português brasileiro.

    4 curtidas

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    3.7 / 33
    • 5 estrelas21%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas39%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas3%
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    Harry Sinclair Lewis

    Escritor e crítico social norte-americano, conhecido pelos trabalhos satíricos e documentários, Sinclair Lewis foi o primeiro do seu país a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1930. Nasceu em Sauk Centre, Minnesota e, em 1902, entrou para a Universidade de Yale e, em 1907, para a comunidade Helicon Hall, onde conhece o escritor Upton Sinclair e os filósofos William James e John Dewey. Sua obra mais famosa é <i>Babbitt</i> (1922), história de um empresário de meia-idade submetido ao espírito conformista de seu meio. O nome do personagem principal virou sinônimo de provincianismo e conservadorismo. Outros livros de sucesso são <i>Arrowsmith</i> (1925), uma sátira à medicina, <i>Elmer Gantry</i> (1927), crítica ao fanatismo religioso e à hipocrisia e <i>Dodsworth</i> (1929), que narra os contrastes de valores entre a América e a Europa por intermédio das experiências de um homem de negócios e da sua mulher durante a sua primeira viagem ao Velho Mundo.

    47 Livros
    7 Seguidores
    Minnesota, EUA

    Harry Sinclair Lewis