Em O Tempo entre as Costuras, María Duenãs, conta uma linda história de uma moça nascida na Espanha, Sira Quiroga. É o ano de 1930 e já começa a despontar a revolução que colocaria seu país sob o regime de Francisco Franco, que com mão de ferro e príncipios fascistas dominaria a Espanha e derramaria o sangue de tantos irmãos pelo solo espanhol.
Entre moldes, alinhavos, pregar botões, agulhas, alfinetes e idealizar e confeccionar roupas, María Duenãs foi me encantando a cada página. Com seu estilo próprio, leve, direto, ela é uma grande contadora de histórias que foi me conduzindo pelo mundo de Sira Quiroga. Começei como ouvinte, fui me tornando sua amiga e terminei cúmplice daquela mulher forte, embora aparentemente fragil, corajosa e determinada. Dividi sonhos, anseios, esperanças e medo com Sira. Ouvi seu choro, senti sua aflição e sua solidão, e vivi suas esperanças. Idealizei Marrocos em minha mente, andei pelas ruas quentes e ensolaradas e pelas noites frias. Me tornei amiga de seus amigos, me apaixonei pelas suas paixões. Me tornei amiga fiel de Candelária sempre escandalosa e exuberante, de Félix seu vizinho que para ter paz embebedava a mãe. Aprendi como é fazer uma resistência em tempos de guerra e como agem os espiões e os riscos que correm Enfim, vivi cada página do livro.
Confirmei que viver em tempo de guerra, e Sira viveu duas delas, nos faz sofrer muito mas nos torna mais fortes quando sobrevivemos. Podem dominar tudo e a todos, mas nossa alma e pensamento são livres, não há quem possa aprisioná-los se não permitirmos.
Quando a história terminou, e fechei a última página do livro me senti amiga íntima de Sira e passei a admirar muito sua mãe e criadora,
María Dueñas, que gerou, pariu, criou e deu vida a uma das mais belas mulheres que já tive o prazer de conhecer.
Ficção, aventura, imaginação, não importa. O que vale mesmo é a mensagem e como ela é passada e O Tempor entre Costuras, tornou meu tempo entre as tarefas da vida mais agradável, mais terno, mais suportável e alegre. Me senti sentada ao lado de meu avôzinho tão amado me contando como é e o que é ser mulher. E eu adorei.