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    As Aventuras de Tibicuera (Série Paradidática) - que são também as do Brasil

    Erico Verissimo

    Editora Globo
    1982
    158 páginas
    5h 16m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.6
    483 avaliações
    Leram1029Lendo37Querem263Relendo4Abandonos14Resenhas27
    Favoritos18Desejados263Avaliaram483

    "As aventuras de Tibicuera, contadas por ele próprio. O herói narra sua fabulosa viagem através do tempo, que começou numa taba tupinambá, antes de 1500, e terminou num arranha-céu de Copacabana em 1942.” Assim Erico Verissimo apresenta sua versão da história nacional, publicada em 1937 com o objetivo de fazer frente ao nacionalismo ufanista do Estado Novo. Logo no início, o herói recebe dois presentes do pajé de sua tribo: o apelido Tibicuera, que significa “cemitério” em sua língua, e o segredo da eterna mocidade. A posse desse segundo regalo lhe permite participar de episódios marcantes da história do Brasil. O índio está no litoral da Bahia quando Cabral aporta, em 1500. Participa da luta contra os franceses e os holandeses no Rio de Janeiro e em Pernambuco, e da defesa do Quilombo dos Palmares. Combate na Revolução Farroupilha e está presente nos eventos da Independência, bem como na agitação que marca a proclamação da República. Trata-se de uma mistura de fato e ficção que ensina, além de divertir, ao possibilitar que a história se desenrole - conforme diz Tibicuera - como “um romance de aventuras que se passa na Terra e tem como personagem principal a Humanidade". ==== https://youtu.be/cdu41ljcleY http://www.youtube.com/watch?v=e8pzqnvV4AY Uma História de Amor e Fúria (2013) - Trailer https://m.imdb.com/title/tt2231208/

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    Filipe Quevedo06/02/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Verissimo, o retorno

    Sou o maior fã de Erico Verissimo que conheço. Após ler toda a obra ficcional adulta do autor fiquei meio sem chão, pois me senti órfão uma vez que não haveria mais nada de novo de sua obra para conhecer. Na verdade, nada de novo no que se refere a livros de ficção adulta. Entretanto há os livros juvenis, os livros de viagens e os livros que podemos tomar como de crítica literária... Confesso que via e talvez ainda veja estes de alguma forma inferiores àqueles; ou melhor: menos relevantes. O que me trouxe até Tibicuera foi uma boa dose de saudade de Erico. Tibicuera torna-se agora o vigésimo quarto lido e o décimo oitavo resenhado, salvo engano. Em grande medida As aventuras de Tibicuera é uma obra bastante impessoal, desprovido das particularidades pessoais do autor. Isso se deve talvez ao caráter histórico da narrativa que, ao mesmo tempo em que conta a história do índio Tupinambá Tibicuera, sobrevoa rapidamente, bem rapidamente mesmo, a história do Brasil. Neste contexto, pouco espaço há para divagações e reflexões que poderiam trazer opiniões mais íntimas de Verissimo, com sua visão sobre o mundo e o tempo nos quais viveu. A narrativa considerada juvenil é conduzida em primeira pessoa pelo índio Tupinambá Tibicuera. Eis aqui um ponto que chama atenção. já que era raro Erico adotar a narração em primeira pessoa. Bem, o índio conta suas aventuras e entrelaça a estas a história do Brasil. O livro passa rapidamente por eventos e personagens históricos relevantes de nossa pátria: a chegada dos portugueses; os movimentos de colonização que se seguiram; as campanhas de catequização; as expedições dos bandeirantes; Maurício de Nassau e os holandeses em Pernambuco; a inconfidência mineira; a escravidão e o quilombo dos Palmares; o tratado de Madri; a chegada de D. João VI e a corte lusitana; D. Pedro I e D. Pedro II, bem como o dia do "Diga ao povo que fico"; a independência do Brasil; a Revolução Farroupilha e outros conflitos sulistas; D. Isabel e a abolição da escravatura; a proclamação da república em 1889... Tibicuera relata suas andanças pelo país e suas relações com várias figuras históricas que tomaram parte em momentos pontuais do país. Tibicuera foi amigo padre Anchieta, Tiradentes, Zumbi dos Palmares, D. Pedro e tantos outros. Elementos indianistas e folclóricos também figuram na narrativa, sobretudo no princípio, quando o índio fala sobre seu nascimento e infância. Além disso, o livro, ao menos nesta minha edição (São Paulo: Globo, 1996), é ricamente ilustrado com 108 gravuras assinadas por Oswaldo Storni. Imagino que outras edições também tragam esse material. A única coisa que não gostei foi que Tibicuera aceitou passivamente a conversão ao catolicismo. Incomodou-me a maneira despreocupada com que ele abriu mão de seu sistema de crenças tribais para abraçar outra religião, desconhecida para ele até então. Bem, isso desassossegou a mim, mas pode ser que não desassossegue você. No mais, As aventuras de Tibicuera, com seus capítulos curtíssimos, é um livro rápido, que não se detém por muito tempo nas cenas e acontecimentos. Não fosse isso talvez não conseguiria abarcar tudo o que pretende em tão poucas páginas.

    31 curtidas

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    3.6 / 483
    • 5 estrelas25%
    • 4 estrelas25%
    • 3 estrelas31%
    • 2 estrelas14%
    • 1 estrelas5%
    Erico Lopes Verissimo profile picture

    Erico Lopes Verissimo

    Erico Lopes Verissimo (1905 - 1975), nascido em Cruz Alta (RS), foi um escritor brasileiro. Com uma prosa simples e de fácil leitura, tornou-se um dos escritores mais populares da literatura brasileira. Em 1932, publicou seu primeiro livro, ‘Fantoches’, e em 1938 obteve sucesso com o romance ‘Olhai os Lírios do Campo’, que lhe deu projeção nacional como escritor. "Posso afirmar que só depois do aparecimento de 'Olhai os Lírios do Campo' é que pude fazer profissão da literatura". Seu trabalho mais conhecido, todavia, é a trilogia ‘O Tempo e o Vento’, publicada entre 1949 e 1962. Trata-se de um romance histórico que se situa em diversos momentos da história do Rio Grande do Sul. Embora não possuísse diploma de curso superior, Verissimo lecionou literatura brasileira nos Estados Unidos e foi diretor de revistas. Em 1971, lançou ‘Incidente em Antares’, uma obra crítica ao regime militar brasileiro. Na periodização literária, Verissimo pode ser enquadrado na segunda fase do modernismo no Brasil, caracterizado pelos romances regionalistas. Verissimo retratou em suas obras aspectos sociais, políticos e históricos do Rio Grande do Sul. Seus romances são marcados pela abordagem realista dos personagens e da sociedade, explorando temáticas como as desigualdades sociais, as relações familiares, o contexto político e as transformações históricas. Um dos principais aspectos de sua escrita é a capacidade de retratar a psicologia dos personagens, explorando suas motivações, dilemas e conflitos internos. Além disso, Verissimo demonstra sensibilidade ao retratar o cotidiano, a vida simples e os dramas humanos. Verissimo também escreveu obras em outros gêneros, como ficção didática (Viagem à Aurora do Mundo), literatura infantil (Os Três Porquinhos Pobres) e uma autobiografia (Solo de Clarineta). CONTOS Fantoches – 1932 Chico – 1932 As mãos de meu filho – 1942 O ataque – 1958 Outros contos – 1972 ‘Os devaneios do general’ ‘O navio das sombras’ Galeria fosca – 1987 ROMANCES Clarissa – 1933 Caminhos cruzados – 1935 Música ao longe – 1936 Um lugar ao sol – 1936 Olhai os lírios do campo – 1938 Saga – 1940 O resto é silêncio – 1943 O tempo e o vento (1ª parte) — O continente – 1949 O tempo e o vento (2ª parte) — O retrato – 1951 O tempo e o vento (3ª parte) — O arquipélago – 1962 O Senhor Embaixador – 1965 O prisioneiro – 1967 Incidente em Antares – 1971 LITERATURA INFANTOJUVENIL A vida de Joana d'Arc – 1935 As aventuras do avião vermelho – 1936 Os três porquinhos pobres – 1936 Rosa Maria no castelo encantado – 1936 Meu ABC – 1936 As aventuras de Tibicuera – 1937 O urso com música na barriga – 1938 A vida do elefante Basílio – 1939 Outra vez os três porquinhos – 1939 Viagem à aurora do mundo – 1939 Aventuras no mundo da higiene – 1939 Gente e bichos – 1956 NARRATIVAS DE VIAGENS Gato preto em campo de neve – 1941 A volta do gato preto – 1946 México – 1957 Israel em abril – 1969 AUTOBIOGRAFIAS O escritor diante do espelho – 1966 (em ‘Ficção Completa’) Solo de clarineta – Memórias (1º volume) – 1973 Solo de clarineta – Memórias 2 – 1976 (ed. póstuma, organizada por Flávio L. Chaves) ENSAIOS Brazilian Literature – an Outline – 1945 Mundo velho sem porteira – 1973 Breve história da literatura brasileira – 1995 (tradução de Maria da Glória Bordini) BIOGRAFIA Um certo Henrique Bertaso – 1972 COMPILAÇÕES Suas obras foram compiladas em três ocasiões: Obras de Érico Veríssimo – 1956 (17 volumes) Obras completas – 1961 (10 volumes) Ficção completa – 1966 (5 volumes)

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    Rio Grande do Sul, Brasil

    Erico Lopes Verissimo