Nossa, acabei de "devorar" o livro. Encerrei minha leitura menos de duas horas após ter iniciado.
O texto é conduzido de maneira rápida, dinâmica e, por ser narrado em primeira pessoa, aproxima muito o leitor da experiência vivida pelo autor, Davi. Este, com 11 anos de idade, começou a ser seduzido pelo professora de Educação Física, iniciando, assim, uma história que mudou completamente sua vida.
Em tempos nos quais a pedofilia é tão discutida, a leitura da obra se faz bastante oportuna. Isso porque se trata não só de um caso concreto de abuso, mas também de uma situação bastante diferente do que costuma ser divulgado. No caso, quem abusou não foi um homem, um membro da família da vítima, um estranho ou uma pessoa "suspeita", mas sim, alguém que inspirava respeito e confiabilidade. A "Tia Rafaela" do título apresentava-se à família do garoto como uma "fada-madrinha", uma "benfeitora", que visualizava no aluno alguém com muito potencial a ser aproveitado. Assim, ela iria ajudá-lo a romper o ciclo de pobreza e ter oportunidades de ser bem sucedido na vida.
Como diz Davi no fim do livro, a pedofilia praticada por mulheres não exerce sobre as pessoas, de modo geral, a mesma repulsa dessa conduta quando exercida por homens. Na nossa sociedade machista, quanto mais cedo o menino inicia sua vida sexual, mais "macho" é considerado.
Entretanto, não é bem assim. A vítima de pedofilia, seja qual for seu sexo e de seu algoz, nunca passa por tal experiência sem ficar com sequelas emocionais. E, nesse ponto, o livro abre nossos olhos para uma faceta diferente, mas não menos cruel, da questão.
Enfim, recomendo muito a leitura!