A Ocupação -

    David Caute

    Imago
    1975
    323 páginas
    10h 46m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Como pode sobreviver um intelectual no limiar da meia-idade e à beira de um 'colapso nervoso n. 4'? Em um clima de agitação estudantil, o professor, antes reconhecido por seu pensamento de vanguarda, vê-se contestado por seus alunos. Ao mesmo tempo em que está catastroficamente apaixonado por uma estudante, ou melhor, obcecado por uma relação masoquista onde a mulher é mais (ou menos?) que um ser real, é um símbolo sexual e social a que ele se submete. Vivendo à beira do colapso nervoso (ou já mergulhado nele), vê delirantemente seu escritório ser invadido por uma turba de estudantes revolucionários que o submetem a um julgamento selvagem e humilhante. Frutos de sua fantasia, o professor Steven Bright tem controle intermitente da situação, onde os fatos reais nunca se impõe completamente à ilusão onipotente. Herói (anônimo) e vítima (consagrada), assim se vê o personagem. E é a partir de sua visão distorcida que é construída a trama do romance, desvendando-se a sua vida, a sua farsa. Fo seu caos e tormento emerge sua vida pessoal e intelectual, onipotente e paranóica. A objetividade do cotidiano e a subjetividade do delírio, manipuladas pelo autor de tal forma, às vezes se superpõem, se separam e voltam a fundir-se, acompanhando o pensamento do personagem que age como se comandasse o fio da narrativa, penosa, onde o professor Steven Bright é mostrado vivendo uma crise existencial sem saída, a não ser (e será isto uma solução?) retomando sua própria ficção. Jayme Salomão

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