Bismarck - O homem e o estadista

    A.J.P. Taylor

    Edições 70
    2009
    280 páginas
    9h 20m
    ISBN-13: 9789724415208
    Português Brasileiro

    Otto von Bismarck (1815-1899) foi um dos mais importantes e influentes estadistas do século XIX, e fundador da moderna Alemanha. Bismarck foi primeiro-ministro do reino da Prússia, tornando-se posteriormente o primeiro político a exercer o cargo de chanceler do Império Alemão. A sua influência nos destinos da Alemanha e da Europa foi enorme, devendo-se a ele a unificação da Alemanha e a transformação deste país em grande potência; quase todas as grandes movimentações políticas europeias da segunda metade do século XIX têm o seu dedo. Numa narrativa fluida e cativante, mas profusamente documentada e pesquisada, A.J.P. Taylor traça-nos um retrato vívido deste grande estadista.

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    Leonardo Siqueira de Araújo21/09/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O agricultor rico que se tornou estadista.

    O livro escrito por A.J.P. Taylor - Alan John Percival Taylor, historiador britânico do século XX (morreu em 1990), especialista em Europa Central, dinastia Habsburgo e Bismarck - foi traduzido para o português de Portugal (Edições 70) e impressiona pela a qualidade e fluidez da leitura. Existem alguns erros tipográficos que em nada atrapalham. Capa dura e tradução de Miguel Matta. Daí o motivo do histórico do livro descrito por mim ter algumas grafias lusitanas. Voltando ao conteúdo, eu descreveria esta obra literária em apenas uma palavra: majestoso. No entanto, uma palavra é pouca: é épico, é imponente, é grandioso, é instigante e empolgante. Poderia ousar em compará-la com a biografia de Joseph Fouché descrita por Zweig, não menos majestosa, mas seria injustiça de minha parte pelo o propósito realizado por Bismarck. O livro descreve a vida política e pessoal do agricultor rico Otto von Bismarck - são 39 anos de vida política em 280 páginas - desde sua primeira aparição como um diplomata "tampão", sem experiência e formação para defender os interesses da Prússia até a sua influência pós-túmulo. Detalhes de seus comportamentos, como sua falta de afetuosidade e simpatia, sua truculência e seu modo de lidar com negações aos seus desejos são capturados em ocasiões em que sua diplomacia inata e influência política foram exercidas. Bismarck viveu em um período pós-guerras Napoleônicas, onde fronteiras estavam a mudar constantemente, onde grandes potências viviam a guerrear por questões políticas e para demonstrar e manter o poder e liderança na Europa Central, o que o tornava um negociador sem precedentes, um artista da mutagênese no que se referia a diplomacia para seguir o caminho tortuoso da unificação da Alemanha, já que o país ficava no centro do continente europeu e, por isso, sofria constantemente com guerras entre potências vizinhas. Era época em que Alianças, Tratados e Ligas eram "costuradas" e desfeitas com o estalar de dedos para que territórios fossem mantidos e guerras evitadas; Bismarck tornara-se especialista em "costurar" alianças para alcançar o seu único objetivo: unificar a Alemanha (que por sinal, teve apenas uma oportunidade para realizar este feito e soube aproveitá-la, quiça por acidente como descreve o autor) e manter a paz e as fronteiras conquistadas enquanto vivesse. Era época também de Marx, Engels, Bakunin, Gladstone, Napoleão III, Chopin, Wagner, Alexandre Dumas, laissez-faire e de grandes desejos e enfervescências por realizações sem limites. Tudo influenciava na "questão germânica". É descrito também como o "Chanceler de Ferro" que, em discurso na sua época reacionária disse que as grandes questões da época seriam resolvidas com sangue e ferro. Tornando-se conservador posteriormente, preocupou-se em tornar a Alemanha um Estado socialmente correto - acreditava no direito do trabalho, criou o seguro desemprego - com a intenção de manter o poder sobre o Estado, com menos pessoas infelizes com a condição de trabalho ou mais subservientes, como diria o autor. Também se interessou pela questões econômicas, sem possuir a menor experiência, o que lhe permitiu demonstrar suas multifacetas como Chanceler, Primeiro-Ministro, Ministro de Negócios Estrangeiros e Ministro do Comércio ao mesmo tempo. A "Realpolitik" advogada por Bismarck e vitoriosa em relação às doutrinas de Gladstone e Wilson, tornaria mais tarde a ser a política econômica que se expandiria pelo o resto do mundo. Ou seja, todas as questões políticas e econômicas do século XIX na Europa tiveram participação direta de Bismarck. O livro é recheado de momentos históricos, como a Guerra da Criméia, as decisões políticas internas e a citação do momento da entrevista de Guilherme II ao Daily Telegraph que acabaria levando a Alemanha a Primeira Guerra Mundial e de personagens que participariam de momentos decisivos da humanidade no século seguinte, como o próprio Guilherme II, o chanceler Bülow e Bethmann-Hollweg. O nacionalismo que Bismarck almejava foi alcançado com a unificação e formação da Alemanha. No entanto, ele esqueceu que o ser-humano é dotado de virtudes negativas que o levam a destruição quando o poder está ao seu alcance. A vontade de fazer valer o poder levou os alemães a quer mais em detrimento ao desejo de Bismarck: a unificação e manutenção da paz e suas fronteiras conquistadas. Sendo breve, o livro é fantástico e para quem gosta de história, vai saborear cada parágrafo. Recomendadíssimo.

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