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    A libélula dos seus oito anos -

    Martin Page

    Rocco
    2010
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-13: 9788532525840
    Português Brasileiro
    3.8
    128 avaliações
    Leram188Lendo8Querem313Relendo0Abandonos7Resenhas10
    Favoritos26Desejados313Avaliaram128

    A excentricidade de seus personagens talvez seja a característica mais marcante de A libélula dos seus oito anos, a nova obra de Martin Page. Escrito numa narrativa quase sempre sarcástica, o romance traz figuras que fogem completamente ao usual, e que só se tornam críveis por conta da riqueza de detalhes psicológicos com que são descritos e por terem sido “descobertos” nos recantos da tampouco usual Paris. Por trás de Fio Régale, uma jovem que aprendeu desde cedo as infelicidades da vida, se esconde uma pessoa simples e muito pragmática, com uma incrível capacidade para a pintura e inigualável aptidão para enxergar o mundo ao seu redor. Ela gosta de neve e chá sem açúcar, e chantageia pessoas ameaçando tornar públicos seus segredos, os quais ela finge conhecer. Com isso, consegue dinheiro suficiente para se sustentar. Por conta dessas chantagens, ela passa a conhecer Ambrose Abercombrie, um milionário parisiense e famoso historiador de arte, que se torna uma de suas vítimas. Abercombrie descobre o truque de Fio, mas, em vez de denunciá-la, pede à jovem apenas que lhe “alugue” seus quadros, encantado que fica pelo seu trabalho como pintora. O enredo traz ainda Zora, uma ex-modelo que, de tanto odiar ter vizinhos, é proprietária dos 24 apartamentos do prédio onde vive Fio. Apesar de sua beleza, Zora encarna o “ódio dos infelizes” e despreza a hipocrisia e a mentira humanas. Todo o seu rancor pode ser medido por um de seus passatempos prediletos: atirar nos eletrodomésticos e nas paredes dos apartamentos com uma Beretta. Para a ex-modelo, a razão de fazer tantos furos em objetos inanimados era simples: “se atirasse em pessoas, seria presa”. Aos poucos, Zora e Fio se tornam melhores amigas. Page penetra fundo no lado desumano da arte, um mundo que envolve falsidade, inveja, egocentrismo e arrogância. Essa faceta obscura dos marchands, dos críticos e dos artistas, para uma pessoa com a pureza de Fio, será como um mergulho em águas turvas e desconhecidas. O resultado é um romance único, irresistível e nada banal, sobre a banalidade da vida, urdido com o humor, a delicadeza e a desesperança tão peculiares do autor.

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    Resenhas (10)Ver mais
    samanta cavalcanti picture
    samanta cavalcanti23/11/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Saindo das nuvens ...

    Mais uma vez o niilismo de Martin Page não deixa a desejar ... Ele começa contando a dolorida hitória da pequena Fio, que aprendeu a se refugiar dentro de um vazio imposto pela vida, se construindo enquanto pessoa, nessas marcas dolorosas. O destino de Fio muda, levando-a para um mundo novo, doce, misterioso. Será que esse mundo vai encantar a menina sofrida, e leva-la para uma felicidade fabricada e hipócrita que abriga todos os seres humanos que por falta de opção, se esconde atrás dos muros legitimados pela sociedade? Martin Page, com sua pitada ironica caracteristica, surpreende mais uma vez, com um final daqueles que se fica pensando e pensando e pensando .... até pegar no sono.

    8 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 128
    • 5 estrelas30%
    • 4 estrelas37%
    • 3 estrelas26%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas2%
    Martin Page profile picture

    Martin Page

    Martin Page estudou antropologia e trabalhou durante alguns anos em empresas empenhadas em lucros e desinteressadas em gente. Adora o cinema de Cronemberg, Burton e Branagh. Convencido de que a escrita não exige a convivência em ambientes hostis, Page tenta, até hoje, e desesperadamente, levar uma vida tranquila. Seu primeiro romance, Como me tornei estúpido, foi enorme sucesso de crítica e de público em todo o mundo.

    6 Livros
    106 Seguidores

    Martin Page