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    Aventuras provisórias -

    Cristovão Tezza

    Record
    2007
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9788501077905
    Português Brasileiro
    3.2
    86 avaliações
    Leram179Lendo23Querem91Relendo0Abandonos9Resenhas8
    Favoritos1Desejados91Avaliaram86

    O inesperado reencontro com um amigo de infância, saído dos porões da tortura do regime militar, induz um jovem semi-executivo a percorrer um difícil e tortuoso caminho em busca da auto-realização.

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    Resenhas (8)Ver mais
    Felipe Damasio picture
    Felipe Damasio11/11/2009Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Aventuras provisórias

    A primeira impressão que tive da obra de Cristovão Tezza foi extremamente positiva com “O filho eterno” que é um dos livros mais corajosos já escritos. Para tentar chegar a uma opinião se Tezza é o tipo de escritor de uma obra só, ou todos seus livros têm qualidade resolvi ler “Aventuras provisórias”. O motivo pelo qual optei por esta obra em especial é que o secretário de estado da educação de Santa Catarina comprou milhares de exemplares para serem distribuídos nas bibliotecas das escolas estaduais e depois mandou recolher por o livro ter “linguagem inapropriada” para adolescentes. Ora, um livro que um burocrata da educação não entende deve ter alguma qualidade, pensei, e não me decepcionei. “Aventuras provisórias” é de qualidade comparável a “O filho eterno”. O motivo de eu gostar tanto da literatura de Tezza é que ele parece escrever para mim. Ele parece saber os meus sentimentos e parece fazer questão de deixá-los em exposição na sua obra para que todos possam conhecer minhas fraquezas. Se meu egocentrismo deixasse eu perceberia que os sentimentos que Tezza trata em sua obra são comuns a todos os Homo sapiens. Em “Aventuras provisórias” o enredo gira em torno de João; um homem de meia-idade estabelecido financeiramente que está em crise existencial típica da idade. Ele encontra Pablo, um amigo que não tem emprego, foi torturado durante a ditadura militar e tem como grande objetivo na vida de construir uma casa em uma comunidade hippie para convencer Carmem, a quem só viu três vezes, a ir morar com ele. O ponto central da crise de meia-idade de João é sua condição de filho único de uma mãe solteira possessiva que parece fazer questão de que todos os relacionamentos amorosos do filho não sejam bem-sucedidos. João é o narrador, que conversa constantemente com o leitor, e fica em grande parte lembrando as mulheres com quem não pode ter uma relação duradoura, Dóris e Mara, e no tempo da narração está casado com Glorinha, que está grávida – talvez isto justifique a crise existencial. A relação entre João e Pablo é outro eixo do livro. João ajuda financeiramente Pablo para que ele consiga construir sua casa na comunidade hippie. João inclusive visita a tal comunidade, onde de início pensa em ficar, mas que no quarto dia volta correndo para Curitiba. Quando finalmente Pablo termina sua casa e convida Carmem para ir morar com ele, ela aceita. Apesar de não se tratar “Aventuras provisórias” de um thriller de jeito algum, Tezza consegue fazer um mistério sobre o destino de Pablo no fim do livro. O final é inteligente, tocante e trágico, para Pablo. Para João o final é feliz e acontece antes de seu filho nascer.

    3 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.2 / 86
    • 5 estrelas17%
    • 4 estrelas15%
    • 3 estrelas40%
    • 2 estrelas21%
    • 1 estrelas7%
    Cristovão Tezza profile picture

    Cristovão Tezza

    Embora tenha nascido em Lages, Cristovão Tezza mudou-se para Curitiba, no Paraná, com dez anos de idade. Esta cidade é cenário de boa parte de sua literatura, em que personagens visitam ruas e pontos turísticos. Tezza fez teatro, foi da marinha mercante, trabalhador ilegal na Europa e ainda relojoeiro. Já era escritor bem jovem: aos treze anos criou seu primeiro livro, designado por ele mesmo como “muito ruim”. Publicou dez romances. Uma das marcas de seu texto é a presença de mais de um narrador: em "Trapo", por exemplo, vemos a história do ponto de vista do professor Manoel, que estuda o poeta Trapo, e paralelamente do ponto de vista do poeta, através de seus poemas. Em 2003, Tezza publicou um ensaio sobre Mikhail Bakhtin, que era, na verdade, sua tese de doutorado. Doutor em Literatura Brasileira, Tezza é professor de Linguística na Universidade Federal do Paraná. Em algumas declarações ele afirma que “só uns quatro ou cinco escritores brasileiros poderiam viver só dos livros”, e por esse motivo é professor. Ganhou o prêmio da Academia Brasileira de Letras de melhor romance brasileiro de 2004, pelo seu livro “O fotógrafo”. Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.

    47 Livros
    127 Seguidores
    Santa Catarina, Brasil

    Cristovão Tezza