A Questão Humana -

    François Emmanuel

    Estação Liberdade
    2010
    88 páginas
    2h 56m
    ISBN-13: 9788574480572
    Português Brasileiro

    Simon, psicólogo da filial francesa de uma empresa alemã, recebe a tarefa de investigar a sanidade mental do diretor-geral da filial, Mathias Jüst. Atribuída por Karl Rose, um outro diretor, a missão — que aparentava ser o reflexo de uma guerra particular entre poderes empresariais — é aceita pelo psicólogo num misto de relutância e curiosidade, e suas implicações morais acabam por dominá-lo, desestabilizando sua existência. Uma rede de intrigas se desvenda aos olhos de Simon por meio de misteriosas cartas anônimas e das tensas ligações entre os integrantes do extinto quarteto de cordas da empresa SC Farb. As mulheres da trama, Lynn Sanderson, secretária de Jüst, e a esposa deste, Lucy, são apenas peças deprimidas sob o jugo das condições de homens atormentados por seu passado de delitos e traumas, ocasionados pela “solução final” do nacional-socialismo alemão. Assim, esta breve e intensa ficção com base em documentos reais adquire, ao lado do suspense investigativo, a virtude e a profundidade de narrativa psicológica ao caminhar pelos meandros da consciência de personas dilaceradas e aludir à música como metáfora do domínio e da loucura, tendo como pano de fundo determinados eventos do Holocausto e, por extensão, a “questão humana”, cuja importância, lembra Jüst, não pode ser ignorada. Levado às telas do cinema pelo diretor francês Nicolas Klotz, em 2007, A questão humana compõe, em última instância, um libelo desmascarador da intolerância, da lógica opressora do aparentemente mais forte contra o mais fraco; um relato sutil de um homem sitiado que, enfim, se desvencilha de um mundo sombrio de cujos ideais descobre não mais compartilhar, para então se colocar no limite entre a realidade e o desapego. Elisa Andrade Buzzo

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    Valeria Marengoni picture
    Valeria Marengoni02/09/2020Resenhou um livro
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    Texto curto, denso, difícil e de irresistível provocação. A analogia entre a produtividade dos métodos nazistas e corporativos parece destoar num clichê despropositado, como um simples viés de esquerda. Mas, nao é nada disso, é sobre a dissimulação hábil nas relações, nos jogos ardilosos e amavelmente cínicos, conduzindo "peões" em uma partida oculta para a maioria. É sobre o limite da influência e da manipulação.

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