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    A capital da solidão - Uma história de São Paulo das origens a 1900

    Roberto Pompeu de Toledo

    Objetiva
    2003
    560 páginas
    18h 40m
    ISBN-10: 8573025689
    Português Brasileiro
    4.5
    224 avaliações
    Leram303Lendo42Querem436Relendo3Abandonos11Resenhas23
    Favoritos40Desejados436Avaliaram224

    Ilustrada com rico material iconográfico como mapas, fotos e gravuras, A capital da solidão é biografia exemplar de uma personagem que seduz e intriga desde suas origens - a cidade de São Paulo. De todos os paradoxos de São Paulo, um dos maiores é o que oferece o cotejo de seu presente com o seu passado. A metrópole vertiginosa e trepidante de hoje nasceu distante, fora do alcance dos navios portugueses, escondida pela serra do Mar - uma barreira que foi obstáculo, mas também desafio a vencer, definindo a personalidade desta São Paulo. Numa narrativa envolvente e reveladora, o leitor é convidado a conhecer momentos cruciais da trajetória da cidade que, por mais de uma ocasião, esteve ameaçada de penosos retrocessos, senão de extinção, por motivo do abandono dos moradores, da precariedade de recursos e do que por vezes pareceu uma irremediável falta de futuro. O destino de São Paulo, ao longo dos três primeiros séculos de existência, foi de isolamento e de solidão. Em 1872, os primeiros sinais de prosperidade começavam a visitá-la, por conta da riqueza trazida pelo café, mais ainda assim a população de pouco mais de 30 mil habitantes a situava numa rabeira com relação às demais capitais brasileiras. Em 1890 já tinha dobrado de tamanho. O momento em que finalmente engrena é súbito como uma explosão - na passagem do século XIX para o XX, a cidade se transformou num aglomerado de gente vinda de diferentes partes do mundo e começou a virar a São Paulo que se conhece hoje.

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    Paulo Henrique14/03/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Contrastes

    Roberto Pompeu de Toledo faz nas páginas deste livro uma bela exposição da história da cidade de São Paulo, desde o contexto histórico de sua fundação em 1554 até o ano de 1900. Mas por que até o ano de 1900? O autor diz já no começo: "Que contraste com o objeto deste livro, a cidadezinha insignificante que foi São Paulo na maior parte de sua existência. De todos os paradoxos de São Paulo, um dos maiores é o que oferece o cortejo de seu presente com o seu passado." Ou seja, o autor aqui não quer apresentar a SP atual de tamanho colossal conhecida por nós, mas sim, por contraste, mostrar o que São Paulo já foi: um povoado "subproduto da corrida pelo Prata", fundada por jesuítas com a intenção de catequisar e que por décadas correu o risco de extinção por falta de pessoas - "fadada a repetir a sorte dos tantos outros ajuntamentos que, na época, desapareciam tão rápido quanto apareciam", além de estar isolada (daí a Capital da Solidão) dos demais centros litorâneos de influência nas épocas do Brasil Colônia e Império. A história é apresentada em três partes: Começos, Incertezas e Arrancada. Na primeira parte, desenha o contexto histórico em que nasceria o povoado de São Paulo do Piratininga, caracterizada pela debilidade do povoado e pelas Bandeiras. Na segunda parte, trata da personalidade que a vila ia moldando ao longo dos próximos séculos, sem muita perspectiva de grandes coisas se não fossem sua posição geográfica estratégica e algumas figuras ilustres. É nessa parte que o autor se delonga mais, com histórias da cultura e do dia a dia apresentadas de forma às vezes cômicas, como no trecho: "Há notícias de que os banhos nos rios Tietê e Tamanduateí, em dias de verão, um hábito que a população herdou dos índios, podiam terminar em festa pagã, com todo mundo nu." E na terceira parte é apresentada uma São Paulo já em vias de abrir as portas para o progresso que ela viria a se caracterizar a partir do ano de 1900, já fora do escopo deste livro. É aqui que o autor expõe, na segunda metade do século XIX, a influência do café, as linhas de ferro e os imigrantes europeus, principalmente italianos, que se tornariam a primeira onda de recursos humanos estrangeiros que dariam o choque inicial e necessário para a arrancada da cidade. Para quem se interessa por história, é um bom livro.

    73 curtidas

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    • 4 estrelas31%
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    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
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    Roberto Pompeu de Toledo

    Nasceu em 1944 e é jornalista. Trabalhou no Jornal da Tarde, no Jornal da República, na IstoÉ, no Jornal do Brasil e na Veja, revista em que ocupou diferentes cargos, entre os quais o de editor-executivo e o de correspondente em Paris. Atualmente, também para a Veja, escreve matérias especiais e uma coluna semanal.

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    14 Seguidores

    Roberto Pompeu de Toledo