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    Todos os homens são mentirosos -

    Alberto Manguel

    Companhia das Letras
    2010
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9788535917451
    Português Brasileiro
    3.3
    29 avaliações
    Leram46Lendo3Querem123Relendo0Abandonos3Resenhas3
    Favoritos3Desejados123Avaliaram29

    Trinta anos depois do inexplicado suicídio do escritor argentino Alejandro Bevilacqua, um jornalista tenta recompor a imagem dessa figura secreta e esquecida. Entre o segredo e a mentira, o humor e a angústia, Alberto Manguel revive a atmosfera dos exilados latino-americanos na Europa dos anos 1970. O ponto de partida deste romance é a história secreta de Alejandro Bevilacqua, misterioso autor de um único livro, que se matou no exílio em Madri. O escritor desperta a curiosidade de um jornalista francês, que decide escrever um livro sobre ele. As fontes são quatro pessoas que conviveram com Bevilacqua e prometem revelar segredos importantes. O primeiro narrador tem o nome do próprio romancista: Alberto Manguel, uma espécie de alter ego homônimo. Em seguida, quem fala é Andrea, a última companheira de Bevilacqua; o jornalista recebe também uma carta de Chancho, ex-companheiro de prisão do escritor na Argentina. Por fim, a narrativa fragmentada e aparentemente ébria de outro exilado em Madri, Tito Gorostiza, irá trazer à tona graves segredos e levantar suspeitas acerca da morte de Bevilacqua. O perfil do escritor, entretanto, permanece incompleto e obscuro. Resta então uma última surpresa: enquanto o jornalista constata a impossibilidade de montar o quebra-cabeça das lembranças alheias, confundido entre equívocos e mentiras, Alberto Manguel demonstra com maestria a possibilidade de um romance dar vida nova ao passado - uma vida verdadeira, apesar de ficcional.

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    Resenhas (3)Ver mais
    Luciana Darce picture
    Luciana Darce19/10/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Manguel, como ensaísta já era um dos meus amores literários, apenas um pouco abaixo de Umberto Eco. Suas opiniões, sua óbvia paixão pelos livros, seus insights inteligentes – tudo isso me encanta desde a primeira página de Uma História da Leitura, que foi a primeira de suas obras que tive o prazer de ler. Inclusive, no ano passado, ele esteve na FLIPORTO, aqui no Recife e é claro que dei uma de tiete e fui lá pegar autógrafo do homem. Muito simpático, o Manguel. Tivemos cinco minutos de prosa, embaralhando inglês, espanhol e português e ele, muito gentil, ainda tirou uma foto comigo. Ok, mas não estamos aqui para que eu fique soltando suspiros. O caso é que eu conhecia a faceta de ensaísta e pesquisador do Manguel, mas não seus trabalhos de ficção. Todos os homens são mentirosos foi lançado naquele dia, mas só vim a colocar minhas mãos nele esse ano e, mesmo assim, ele demorou, diante de outras prioridades, a sair da estante. Agora finalmente consegui lê-lo. É um livrinho curioso. A cada capítulo que eu terminava, tinha de parar para recapitular e tentar conciliar as informações dadas anteriormente num quebra-cabeça em que praticamente nenhuma peça se encaixa. Sob cinco pontos de vista diferentes, nos é contada a mesma história: o destino de Alejandro Bevilacqua, exilado da ditadura militar argentina, recém-chegado a Madri, autor da obra-prima “Elogio da Mentira”, morto na noite de seu triunfo, na noite em que seu livro foi lançado. Ou será mesmo? Será que Bevilacqua se suicidou ou foi assassinado? Será que ele era um agitador político ou fora pego por engano? Será que era ele o autor do manuscrito? Em cada capítulos, uma das pessoas que o conheceram dá um relato de sua vida, mas cada testemunho lança mais sombras sobre a figura do exilado. Então, no quê acreditar? Em quem acreditar? Quem, entre o amigo distraído, a ex-amante, o companheiro de cela, o louco e o jornalista tem o retrato mais acurado do homem? Ou todos estão relatando apenas facetas que conheceram, facetas não necessariamente contraditórias de uma mesma e única pessoa? Ao final do livro, eu não tinha certeza se sabia muito mais do que quando começara. A única coisa que tinha certeza é que Manguel acabara de me conquistar. De novo. Parte delírio, parte biografia, parte suspense policial, Todos os homens são mentirosos nos faz pensar em como assumimos tantos e tão diversos papéis, ao ponto em que, reunidos, não temos mais como saber o que somos em essência. Faz você se perguntar como as outras pessoas te vêem. O que vai ficar de você na memória delas. Em que você irá se transformar quando já não estiver mais aqui para contar sua própria história. Onde começa a mentira, o interesse e a identidade? Boa reflexão. (resenha originalmente publicada em www.owlsroof.blogspot.com)

    4 curtidas

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    3.3 / 29
    • 5 estrelas10%
    • 4 estrelas31%
    • 3 estrelas38%
    • 2 estrelas10%
    • 1 estrelas10%
    Alberto Manguel profile picture

    Alberto Manguel

    Nasceu em 1948, em Buenos Aires, e é hoje cidadão canadense. Passou a sua infância em Israel, devido ao seu pai ser embaixador argentino nesse país. Completou os estudos no Colégio Nacional de Buenos Aires, nunca chegando a frequentar qualquer curso universitário. Em 1968 transferiu-se para a Europa e, à excepção de um ano em que esteve de volta a Buenos Aires, onde trabalhou como jornalista para o periódico La Nación, viveu na Espanha, França, Inglaterra e Itália. Enquanto esteve na Europa ganhou a vida como leitor para várias editoras como a Gallimard, Denöel, Les Lettres Nouvelles, em Paris, Calder & Boyars em Londres e exerceu o cargo de editor estrangeiro na Editora Franco Maria Ricci em Milão. Autor de livros de ficção e não ficção, também contribui regularmente para jornais e revistas do mundo inteiro. Atualmente vive em Buenos Aires, onde é diretor da Biblioteca Nacional.

    35 Livros
    91 Seguidores
    Buenos Aires, Argentina

    Alberto Manguel