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    As tecnologias do imaginário -

    Juremir Machado da Silva

    Sulina
    2003
    111 páginas
    3h 42m
    ISBN-10: 8520503322
    Português Brasileiro
    3.8
    18 avaliações
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    A mídia manipula ou seduz? A sedução é uma forma de manipulação ou de ruptura com os mecanismos da dominação das consciências? A mídia só dá o que o receptor quer ou faz com que ele queira o que nunca imaginou querer? Por que sonhamos, amamos e vivemos, simbolicamente, de uma maneira e não de outras? O que é um imaginário? Como se forma o imaginário que constitui cada um de nós? Qual o papel da mídia na formação dos nossos imaginários grupais ou individuais? Todas essas questões são respondidas em 'As Tecnologias do Imaginário', um estudo extremamente original que justapõe dois termos - tecnologia e imaginário - em princípio antagônicos e irredutíveis um ao outro. Na contramão das teorias que enfatizam o caráter anti-humanista da técnica e consideram a mídia como fundamentalmente manipuladora, o autor propõe uma nova hipótese sobre a relação entre emissores e receptores, baseada na interação, na adesão e no transitório. No lugar da manipulação, a sedução. Em vez de persuasão, construção de imaginários. Numa linguagem simples, às vozes literária ou jornalística, o autor desvenda conceitos, esclarece posições em conflito e torna cristalino o que outros têm procurado obscurecer. 'As Tecnologias do Imaginário' é o livro para quem pretenda entender a mídia e as novas tecnologias de contato. Uma viagem ao mundo das idéias através de uma rota marginal e irônica.

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    Tauana Weinberg Jeffman picture
    Tauana Weinberg Jeffman08/10/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    As tecnologias do Imaginário - Em suma

    Imaginários. Apenas uma palavra, mas com uma ampla gama de significação e enquadramentos. Muitos são os autores que expõem sobre esse tema, como podemos observar no livro As Tecnologias do Imaginário, de Juremir Machado da Silva (2006). O referido autor, ao falar de tecnologias de imaginários, nos oferece uma ampla oferta de autores que explanam ou tem alguma relação com o tema, tais como Lacan, Maffesoli, Adorno e Morin, que são referenciados para que possamos ter uma visualização de tal conceito. De acordo com Silva (2006, p. 07) “todo o imaginário é real. Todo real é imaginário”, dando-nos uma pista de que imaginários não é sinônimo de ilusões, ou mentiras. Os imaginários são, de acordo com Silva (2006, p. 11-12), um reservatório/motor. De acordo com o referido autor (2006, p. 11-12), o imaginário é um reservatório porque este “agrega imagens, sentimentos, lembranças, experiências, visões do real que realizam o imaginado, leituras de vida e, através de um mecanismo individual/grupal, sedimenta um modo de ver, de ser, de agir, de sentir e de aspirar ao estar no mundo”. O imaginário também é um motor, na medida em que, de acordo com Silva (2006, p. 12), “é um sonho que realiza a realidade, uma força que impulsiona indivíduos ou grupos”. Segundo o mesmo autor (2006, p. 12), o imaginário não é uma “projeção irreal”, ele “emana do real, estrutura-se como ideal e retorna ao real como elemento propulsor”. Para Silva (2006, p. 14), o imaginário é uma “’bacia semântica’ que orienta o ‘trajeto antropológico’ de cada um na errância existencial”. Ele é determinado “pela idéia de fazer parte de algo”, de acordo com Maffesoli (apud SILVA, 2006, p. 14). Maffesoli afirma que podemos compartilhar desde uma mesma filosofia, até uma visão de algo, ou de alguém. O imaginário é, de acordo com Silva (2006, p. 57) “uma memória afetiva somada a um capital cultural”, é “a presença do indivíduo no inconsciente coletivo” (SILVA, 2006, p. 64). Maffesoli (apud SILVA, 2006, p. 16-17), retoma palavras de Walter Benjamin, ao afirmar que o imaginário é uma aura. Para Benjamin (apud SILVA, 2006, p. 17), a aura é “uma figura singular, composta de elementos espaciais e temporais: a aparição única de uma coisa distante, por mais perto que ela esteja”. Maffesoli (apud SILVA, 2006, p. 03) interpreta a “aura” para Benjamin e afirma que esta é “algo que envolve e ultrapassa a obra”. Silva (2006) entende obra como a arte, a existência, uma vida, uma realização, “aquilo que existe virtualmente e clama por concretização”. Silva (2006) complementa afirmando que o imaginário é uma aura sem peso unitário, em constante mutação. Já as tecnologias do imaginário, são “dispositivos de reprodução de mitos, de visões de mundo e de estilos de vida”, são considerados também como “dispositivos de alimentação de ‘bacias semânticas’” segundo Silva (2006, p. 22-26). De acordo com Silva (2006, p. 32), “o homem moderno tardio continua querendo tornar-se senhor das técnicas e da natureza. Acontece-lhe, com freqüência, de engendrar novos mitos (...) a humanidade é uma indústria mitológica”. Para Silva (2006, p. 49), “não se crê no imaginário. Vive-se nele”. O autor afirma ainda que não existem verdade nos imaginários, pois neles “tudo é invenção, narrativa, seleção, modo de ser no mundo”. O autor explica-nos que o “imaginário é um estilo, uma impressão digital do indivíduo ou do grupo na cultura”. Ele “surge da relação entre memória, aprendizado, história pessoal e inserção no mundo dos outros. Nesse sentido, o imaginário é sempre uma biografia, uma história de vida” (SILVA, 2006, p. 57). Quando Silva (2006, p. 64) fala que as tecnologias do imaginário são “dispositivos de reprodução de mitos”, traz-nos uma aproximação do conceito de imaginários. De acordo com ele, são “os mitos que se tem na cabeça (Durant), os mitos que se tem no inconsciente (Lacan), os mitos que se tem no espírito/mente (Morin), as mitologias que se tem no aparelho psico-afetivo (distorcendo Maffesoli)”. E então, “se o imaginário é uma usina de mitos, as tecnologias que os engendram são fábricas de mitologia”. Morin argumenta “um mito é um conjunto de condutas e de situações imaginárias”. Silva cita Morin ao expor a “industrialização do espírito”, e de acordo com o autor, “esta penetração se efetua segundo as trocas metais de projeção e de identificação polarizada nos símbolos, mitos e imagens da cultura como personalidades míticas ou reais que encarnam os valores (os ancestrais, os heróis, os deuses)”. Em conseqüência, o “narrador do vivido é um desmistificador, um desconstrutor de imagens e de elaborações do social sobre si mesmo”. De acordo com Silva (2006, p. 86), “as sociedades produzem representações e passam a acreditar nelas como se fossem naturais”. Para Silva (2006, p. 93-98), “o imaginário é um hipertexto”, “é uma fabulação coletiva”. Contudo, sabemos que “não há mais imaginários sem tecnologia. Tampouco há tecnologia sem imaginário”.

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    Juremir Machado da Silva profile picture

    Juremir Machado da Silva

    é um escritor, jornalista, tradutor e professor universitário brasileiro. Leciona na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, onde coordena o Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social. Graduado em História e em Jornalismo pela PUCRS (1984), é doutor em Sociologia pela Universidade Paris V, René Descartes, Sorbonne (1995), tendo sido orientado por Michel Maffesoli. Pesquisador 1B do CNPq, fez pós-doutorado (1998) na França sob a orientação conjunta de Edgar Morin, Jean Baudrillard e Michel Maffesoli. Foi professor-visitante na Universidade Paul Valéry, Montpellier III. De 1993 a 1995, atuou como correspondente do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, na Europa, baseado em Paris, quando cobriu vários festivais de cinema de Cannes, Berlim e Veneza, salões e feiras de livro

    41 Livros
    27 Seguidores
    Rio Grande do Sul, Brasil

    Juremir Machado da Silva