Gostei desse primeiro contato com a poesia de Celina. Nesse livro curto, a poetisa lança mão do espelho para falar do 'duplo humano', o que ele é e o que transparece ser. eis um trecho do último poema do livro (e cujo título dá nome ao livro também):
"Que reino lúcido
liso e perfeito
que se aprofunda
na superfície
do meu segredo!
Vejo-me: o duplo
de mim, liberto
no mundo líquido,
água, azulejo.
Move-se o duplo,
sou eu que o vejo?
Elfo, no estanho
azul do espelho"
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agora, alguns poemas de que gostei e quis guardar:
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NOTURNO
Converso. Falo.
E me perco
no liso chão de um espelho.
Falo?
Sátiro é o mundo
que espelha
imagens de mim a esmo
Flautas.
Adormeço.
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FLAUTA DOCE
De leve
a boca
pousa
na flauta.
Doce
o adejo
que houve
como beijo.
A boca
descobre
segredos.
A flauta
cresce
na tarde.
A boca e a flauta.
Sutil
enleio
longe
da pauta.
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A SUICIDA
No fundo lago do espelho
atirei-me cada dia.
Mas sempre as águas traziam
a imagem que não morria.
Atirei-me contra o mundo
e não fui despedaçada.
Porém, a face que eu tenho
fica, no mundo, gravada.
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ESPELHO E FACE
Procuro no espelho
a face remota.
Não aquela que é visível,
A que o vidro não comporta.
Retiro-a, sem medo,
descubro-a, ignota.
Não a face que percebo
em mim mesma, superposta.
Mas a imagem lúcida,
clara e luminosa,
que cada dia enterrara
sob a face que está morta.
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PS: gostei também do "2º exercício de solidão", na página 25, mas aí bateu a preguiça de digitar. fica pra próxima! :P