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    A Lua Vem da Ásia -

    Campos de Carvalho

    José Olympio
    2008
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788503009898
    Português Brasileiro
    4.1
    418 avaliações
    Leram598Lendo35Querem706Relendo3Abandonos22Resenhas46
    Favoritos26Desejados706Avaliaram418

    "A Lua Vem da Ásia", publicado originalmente em 1956, marca o nascimento da narrativa surrealista de Campos de Carvalho. É o diário de um homem que se chama Astrogildo – mas já foi Adilson, Heitor, Ruy Barbo – e está hospedado em um hotel de luxo que, para o bem da verdade, talvez seja um campo de concentração ou um manicômio. A loucura é o tema central deste romance, cujo protagonista inicia o relato confessando que, aos 16 anos, matou seu professor de lógica e foi viver sob uma ponte do Sena... embora nunca tenha estado em Paris. Enfileirando recordações (ou seriam alucinações?) de suas passagens por Melbourne, Varsóvia, Cochabamba, Cuzco, Madagascar, Nova York, Cidade do México e, claro, Paris, Astrogildo torna-se o narrador de um mundo governado pela lei do absurdo, mas que parece assustadoramente semelhante à nossa normalidade cotidiana.

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    Ana Sá picture
    Ana Sá10/11/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Prosa surrealista brasileira

    O resumo bem resumido desta obra é: o narrador-protagonista acredita estar confinado num hotel de luxo, enquanto que nós, leitoras, vamos cada vez mais tendo a certeza de que ele está internado numa clínica psiquiátrica. Tudo isso recheado de surrealismo... Atrativo, né? Mas um pouco desafiador também! A melhor resenha que encontrei é a assinada por Gilberto G. Pereira, publicada no Jornal Opção (o título é "A Lua vem da Ásia: as aventuras de um tresloucado lúcido"). Destaco o trecho final: "Para a literatura, [A lua vem da Ásia] é uma estética fundada na transgressão moral e da linguagem. Para a psiquiatria, é um discurso antimanicomial. Para o leitor, é uma deliciosa prosa erigida na labilidade emocional, uma obra-prima da literatura brasileira." De fato, há uma estética bastante transgressora e um discurso antimanicomial genialmente construído nas entrelinhas do romance. Contudo, discordo que a prosa venha a ser "deliciosa" para todas as leitoras. O livro leva ao extremo o nonsense, é preciso estar disposta a entrar, se perder, é preciso ler no escuro em muitos momentos. É livro "suadeira", com instantes valiosos de ironia e filosofia. Há passagens de uma genialidade tamanha, mas há capítulos inteiros que a gente nem entende a razão de ser (comigo foi assim!). Se isso faz parte da construção narrativa de uma mente perturbada, ou se indica uma limitação ou um deslize do autor, nunca saberemos! Mas que há capítulos estapafúrdios, ahhh isso há, e a leitora que lute! Foi uma leitura trabalhosa, mas valeu o esforço. A obra foi publicada em 1956 e eu nunca tinha ouvido falar sobre seu autor, Campos de Carvalho, nascido em Uberaba (MG). Fico feliz de ter preenchido essa lacuna na minha bagagem literária de escritores nacionais. Uma prosa surrealista de fôlego! >>>>>>>>>> ATENÇÃO: O PRÓXIMO PARÁGRAFO PODE CONTER SPOILER, CASO VOCÊ SEJA MUITO SENSÍVEL E NÃO TOLERE NEM INFORMAÇÕES GENÉRICAS! EU NÃO CONSIDERO SPOILER, MAS... SIGA POR SUA CONTA E RISCO: Um ponto de que gostei foram os efeitos da mudança de cenário. Quando o protagonista (supostamente) sai da clínica, a gente perde as referências que até então nos ajudavam a distinguir realidade de delírio. Na parte externa, vivendo ao acaso, fica quase impossível inferir o que é verdade e o que é alucinação. Me lembrei um pouco da atmosfera de "Malone morre" (1951), do Beckett. Gostei muito disso! >>>>>> FIM DO SPOILER QUE NÃO É SPOILER.

    73 curtidas

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    • 5 estrelas35%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas21%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas1%
    Walter Campos de Carvalho profile picture

    Walter Campos de Carvalho

    Walter Campos de Carvalho (Uberaba, 1º de novembro de 1916 — São Paulo, 10 de abril de 1998), foi um escritor cujos trabalhos são singulares na literatura brasileira. Sua vida sempre esteve ligada à literatura, tendo publicado inicialmente Banda forra (ensaios humorísticos), em 1941, e Tribo (romance), em 1954. Mais tarde, escreveu os romances A Lua vem da Ásia (1956), Vaca de Nariz Sutil (1961), A Chuva Imóvel (1963) e O Púcaro Búlgaro (1964), hoje considerados verdadeiros marcos da literatura brasileira. A Lua vem da Ásia e A Chuva Imóvel chegaram a ser traduzidos para o francês.

    11 Livros
    20 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Walter Campos de Carvalho