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    Memórias sentimentais de João Miramar / Serafim Ponte Grande (Obras completas (Oswald de Andrade) #2) -

    Oswald de Andrade

    Civilização Brasileira
    1971
    264 páginas
    8h 48m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.2
    17 avaliações
    Leram33Lendo3Querem7Relendo0Abandonos4Resenhas1
    Favoritos0Desejados7Avaliaram17

    Em "Memórias sentimentais de João Miramar" o romance retraça a vida de João Miramar, uma espécie de caricatura do homem das classes mais favorecidas — herdeiro da cultura do café, fascinado pelas coisas estrangeiras, distante do cotidiano brasileiro. É uma sátira, selvagem e por vezes melancólica, do veio memorialista da literatura brasileira, em que os filhos das famílias mais abastadas reescrevem sua própria trajetória. "Serafim Ponte Grande" é um romance paulistano, em que tipos, nomes, lugares, circunstâncias históricas e relações sociais da grande metrópole estão presentes. Ao mesmo tempo, é um romance urbano no sentido lato, pois tudo nele reflete o ritmo e a visão de mundo desencantada (em mais de um sentido) do homem urbano. Ainda, é urbano na linguagem, tanto no nível textual, em seu estilo, quanto no nível estrutural (como bem descreve Haroldo de Campos). Pois, incorpora todas as conquistas da arte moderna, como a ironia, o coloquialismo e a fragmentariedade, mas principalmente a consciência construtiva. O romance não se pretende mais uma imitação da realidade, pois se sabe um romance.

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    João Belos picture
    João Belos15/04/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Aviso aos navegantes Quem não gosta ou está acostumado com texto experimental, fragmentado e com um quê de ironia, abra outro livro. Achei Serafim melhor que Miramar. Ponto alto dessa edição: os textos críticos de Haroldo de Campos.

    1 curtida

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    Avaliações

    3.2 / 17
    • 5 estrelas12%
    • 4 estrelas35%
    • 3 estrelas29%
    • 2 estrelas12%
    • 1 estrelas12%
    José Oswald de Sousa Andrade Nogueira  profile picture

    José Oswald de Sousa Andrade Nogueira

    Articulador e ativo participante do modernismo lançado em 1922, Oswald de Andrade foi o escritor mais rebelde de todo o movimento e o que mais tendeu, em sua prática, à formulação de utopias. Assumindo posturas radicais de esquerda, quis revolucionar não só a arte, mas também os costumes, as instituições e a vida social como um todo. De família rica, José Oswald de Sousa Andrade nasceu em São Paulo SP em 11 de janeiro de 1890. Iniciando-se no jornalismo em 1909, como crítico teatral, em 1912 viajou pela primeira vez à Europa, de onde voltou com uma estudante francesa, Kamiá, a primeira de suas várias mulheres, e novidades de vanguarda como o "Manifesto futurista" de Marinetti. Bacharel em direito (1918), tornou-se amigo de Mário de Andrade, a quem lançou pelo Jornal do Comércio através do artigo "O meu poeta futurista". Em 1923, passou nova temporada na Europa, vivendo com a pintora Tarsila do Amaral, com quem mais tarde formalizaria o casamento. Lá conheceu importantes renovadores das linguagens artísticas, como Picasso, Blaise Cendrars, Erik Satie, Léger, Cocteau e Brancusi. Em 1924, publicou Memórias Sentimentais de João Miramar, um de seus livros mais conhecidos, e o "Manifesto da poesia pau-brasil", de ampla repercussão. Em Paris publicou Poesia pau-brasil (1925). Após viajar pelo Oriente Médio, retomou em São Paulo a atividade jornalística e lançou A estrela de absinto (1927; um dos romances da Trilogia do exílio). Colaborador assíduo dos principais veículos da pregação modernista, como as revistas Klaxon e Verde, fundou em 1928, com Raul Bopp e Antônio de Alcântara Machado, a Revista de Antropofagia, que já em seu número inicial divulgou um dos textos mais polêmicos de Oswald, o "Manifesto antropófago". Dissidente, a essa altura, do grupo mais ligado a Mário de Andrade, lançou nesse texto, "contra todos os importadores de consciência enlatada", um de seus lemas de maior futuro: "Tupy or not tupy, that is the question." Em 1931, ingressou no Partido Comunista Brasileiro e começou a escrever sobre política. Separado de Tarsila e vivendo com Patrícia Galvão (Pagu), precursora do feminismo, fundou com ela O homem do povo, periódico de curta duração que pregava a luta operária. Casou-se outras duas vezes, candidatou-se em vão à Academia Brasileira de Letras e publicou intensamente: Serafim Ponte Grande (1933), O homem e o cavalo (1934), A escada vermelha (1934), A morta (1937), O rei da vela (1937), Marco Zero: a revolução melancólica (1943). Sempre rebelde e contestado por seus contemporâneos, Oswald de Andrade morreu em São Paulo em 22 de outubro de 1954, ano da publicação de suas memórias, Um homem sem profissão, sob as ordens de mamãe. Cerca de dez anos depois, sua obra nada canônica começou a ser revalorizada pelos intelectuais concretistas e pelos movimentos de poesia jovem

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    São Paulo, Brasil

    José Oswald de Sousa Andrade Nogueira