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    O Bom Jesus e o Infame Cristo -

    Philip Pullman

    Companhia das Letras
    2010
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-10: 8535917624
    Português Brasileiro
    3.6
    183 avaliações
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    “Esta é a história de Jesus e de seu irmão Cristo, de como nasceram, de como viveram e de como um deles morreu. A morte do outro não entra na história.” Haverá quem se incomode - e muitos já se incomodaram - com um começo assim, tão infiel à “verdade” dessa história. Logo que foi lançado, O bom Jesus e o infame Cristo chacoalhou a imprensa internacional. Ao revisitar uma das mais célebres narrativas do mundo ocidental, Philip Pullman retorna também à grande preocupação de leitores e ouvintes deste e de outros relatos, hoje e em todas as épocas: o que aconteceu de fato naquilo que nos é contado? Na encruzilhada em que invenção e realidade se tocam, assoma a curiosidade irresistível pelo que separa a História de uma história. Na engenhosa e fascinante reescrita do mito de Jesus a que se propõe Pullman, o personagem central assume duas personalidades: o primeiro, Jesus, é dado à imaginação dos milagres e do mistério sobre os quais, em última análise, será edificado o poder da Igreja; o segundo, Cristo, é, porém, um homem comum, realista em sua fé e intransigente nos princípios que deveriam, para ele, nortear a convivência humana. O bom Jesus e o infame Cristo lança novas luzes sobre quem foi o fundador do cristianismo. Não para contestar sua presença capital na conformação da cultura do Ocidente nestes últimos dois milênios, mas para alimentar o debate em torno, justamente, da duradoura sobrevivência desse relato. ------ “Uma fábula muito corajosa e deliberadamente provocadora [...]. Pullman no melhor estilo, claro e conciso [...]. Uma narrativa ambiciosa, estimulante e profunda.” - The Guardian ------ “Apesar de Pullman mostrar sua erudição de forma leve, como fazem os grandes contadores de histórias, não tenho dúvida de que ele domina perfeitamente a complexidade da busca por um Jesus histórico. Um livro belo e impetuoso, que [...] vai tocar até aqueles que discordam dele.” - Richard Holloway, The Observer

    Resenhas (23)Ver mais
    Ramiro Catelan picture
    Ramiro Catelan02/11/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Um livro que vai incomodar muita gente

    O escritor britânico Philip Pullman, ateu militante e alvo constante de ataques por parte de fundamentalistas religiosos, fomenta ainda mais a repercussão em torno de suas polêmicas ideias com O bom Jesus e o infame Cristo, lançado este ano no Brasil pela Companhia das Letras. Autor da trilogia Fronteiras do universo, na qual tece críticas ao cristianismo e levanta dúvidas sobre a força da fé e a existência de deus, agora resolve deturpar o alicerce maior da mitologia cristã e recontar, em suas 184 páginas, a história do nascimento de Cristo. Aqui, Maria dá à luz dois gêmeos Jesus e Cristo. Um, como descrito, forte e saudável, e o outro, pequeno, fraco e de aspecto doentio. E as distinções e dessemelhanças entre os dois irmãos se mostram evidentes ao longo da história. Jesus, extrovertido, travesso e querido pelas outras crianças, entra em contraste com Cristo, um menino reservado, avesso, que captura para si a preferência e proteção da mãe. Observamos a ascensão de Jesus, que, após uma peregrinação solitária no deserto, se propõe a pregar a palavra de deus, enquanto Cristo, sempre à sombra do irmão, dispõe-se a observar os discursos do irmão e fazer anotações de seus feitos. E é a partir desse fato que Pullman engendra a tese principal do livro. Com o passar do tempo, orientado por um misterioso desconhecido, Cristo passa a aumentar, manipular e às vezes inventar os fatos referentes a Jesus, que a cada dia expande sua popularidade. Fica evidente, então, a visão do autor sobre a inconsistência dos relatos da Bíblia e a distorção explícita desta. No primeiro parágrafo do livro já podemos tirar conclusões sobre o desfecho: Esta é a história Jesus e de seu irmão Cristo, de como nasceram, viveram e de como um deles morreu. A morte do outro não entra na história. E, de fato, não entra. Previsível? Sim. E, obviamente, intencional. Mais além, explicita-se a linha extrema, que, estou certo, ainda incomodará muita gente: há uma inversão de valores, dos conceitos de bem e mal; a passagem do jardim de Getsêmani é brilhante e expõe, como em Fronteiras do Universo, a fragilidade da fé, só que de um modo muito mais incisivo, ácido, sem atavios. Pullman vai além. Após a leitura, fica clara sua visão quanto aos religiosos, e aqui cabe uma crítica. Me parece que, por um momento, ele se foca na figura dos religiosos, e não nas ideias desses religiosos, promovendo uma generalização, para dizer o mínimo, infantil. Há que se distinguir as pessoas, enquanto indivíduos, de seus pensamentos, ideologias e fé. Como aponta o professor e crítico literário Idelber Avelar, ideias foram feitas para serem confrontadas, debatidas e, caso necessário, refutadas, e não respeitadas. O respeito relaciona-se exclusivamente às pessoas, e Pullman parece, a meu ver, ignorar esse fato. O bom jesus e o infame Cristo é muitíssimo bem escrito, simples e de fácil leitura, mas nem um pouco raso. Críticas à parte, sucita reflexões sobre diversos mitos que se criaram em torno do cristianismo e apresenta uma versão diferente, mas plausível de uma das histórias mais difundidas mundo afora, impregnada no imaginário ocidental. Procura combater o misticismo e humaniza as figuras de ambos os irmãos Jesus e Cristo -, que acabam, por fim e isso não é segredo -, sendo fundidas na mesma imagem, Jesus Cristo, o filho de deus. Numa época em que se acentua o conflito entre antirreligiosidade e religão, fé e descrença, temos mais uma oportunidade de parar para refletir. Acredito que este livro pode intensificar o debate e, quem sabe, jogar uma luz em meio às trevas do misticismo e da irracionalização da fé. * http://abstraindoarealidade.wordpress.com

    14 curtidas

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    Philip Pullman profile picture

    Philip Pullman

    Philip Pullman nasceu em Norwich, Inglaterra, no dia 19 de Outubro de 1946. Durante a infância viajou pelo mundo inteiro, pois o seu pai e o seu padrasto eram ambos membros da Real Força Aérea. Passou parte da sua infância na Austrália, onde descobriu as maravilhas das histórias em quadrinhos, e cresceu amando, em particular, o Super-Homem e o Batman. Philip Pullman é o autor de várias obras, cujo a mais famosa é a série Fronteiras do Universo. Aos 11 anos, quando voltou para a Grã-Bretanha, passou a viver no Norte de Gales. Era uma época em que as crianças podiam passear em qualquer lugar, jogar nas ruas, brincar sobre as colinas, e ele tomou plena vantagem disso. A sua professora de inglês, Enid Jones, exerceu uma grande influência sobre Pullman, e ele ainda lhe envia cópias dos seus livros. Depois de sair da escola, Pullman costumava ir à Faculdade de Exeter, Oxford, para ler. Fez alguns serviços temporários, e então voltou a Oxford para tornar-se um professor. Ensinou em várias escolas para crianças de doze anos, e então se mudou para a Faculdade de Westminster, em Oxford, para ser conferencista a tempo parcial. Ensinou cursos sobre Romance Vitoriano e Contos Populares, e também um curso examinando como palavras e imagens poderiam assentir juntas. Ele eventualmente largou o magistério para escrever em tempo integral.

    49 Livros
    1.322 Seguidores
    Norfolk, Inglaterra

    Philip Pullman