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    Outras cores - Ensaios e um conto

    Orhan Pamuk, Orhan Pamuk

    Companhia das Letras
    2010
    480 páginas
    16h 0m
    ISBN-13: 9788535917420
    Português Brasileiro
    4.4
    18 avaliações
    Leram31Lendo6Querem107Relendo0Abandonos2Resenhas2
    Favoritos5Desejados107Avaliaram18

    Reunindo crônicas, entrevistas, discursos e pequenos momentos ficcionais, Orhan Pamuk, vencedor do prêmio Nobel de literatura de 2006 e um dos mais importantes escritores da atualidade, revela em Outras cores os bastidores de seu método literário. Orhan Pamuk viu-se há alguns anos enredado numa trama de involuntária inspiração kafkiana. Após abordar, numa entrevista a um jornal suíço, o esquecimento deliberado do genocídio armênio promovido pela Turquia, Pamuk foi denunciado pela promotoria de seu país, acusado de "denegrir a identidade turca". O constrangedor processo que se seguiu é contado por Pamuk em Outras cores com o distanciamento irônico que a situação permite, pois o episódio foi felizmente encerrado com sua absolvição. Essa e outras histórias, bem como numerosos fragmentos de natureza ensaística e reflexiva, compõem o vasto mosaico textual do livro. Resgatando as lembranças da infância em Istambul ou discutindo o atual "choque de civilizações", de que a Turquia é um posto de observação privilegiado, Pamuk compartilha generosamente com os leitores os bastidores de sua criação literária. Obcecado pela exatidão na ambientação de seus enredos, o escritor revisita os lugares em que seus personagens transitam em romances como O livro negro e Neve. Posfácios, discursos e pequenos momentos ficcionais que, segundo o próprio Pamuk, não puderam ser aproveitados nos romances, são reunidos em capítulos curtos, por meio de conexões temáticas e cronológicas. Outras cores sintetiza os interesses multifacetados de seu autor, e ajuda a esclarecer os mecanismos de sua escrita premiada.

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    Higor picture
    Higor06/03/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "Lendo Nobel": sobre o mundo colorido de um escritor

    Poucos autores me chamavam tanto a atenção desde que comecei meu projeto “Lendo Nobel” que Orhan Pamuk. Talvez fosse a cultura, uma mistura ora intrigante, ora turbulenta entre ocidente e oriente, as aulas de arquitetura sobre a Turquia ou até mesmo a vontade de conhecer uma literatura tão diferente, pontuada em uma religião minoritária no Brasil. O fato é que eu comprava os livros de Pamuk torcendo para que os devorasse e se tornasse meu autor favorito. A leitura de “O castelo branco” e principalmente de “O livro negro” e repeliram de maneira impensada. Em contrapartida, “Neve” e “Uma sensação estranha” me hipnotizaram. Já o magnum opus, “Meu nome é Vermelho” eu estou com receio de encarar, detestar, e ele figurar no primeiro grupo, confesso. Por conta disso, decidi andar na contramão e ler “Outras cores”, um livro íntimo e que fala muito sobre o processo de escrita de Pamuk. Minha surpresa, no entanto, foi ver que o autor vai muito além do processo de escrita, ou então nos dando pinceladas breves sobre sua vida e ascensão de escritor. Dividindo em cinco assuntos em comum, que vão desde a vida pessoal e leituras, passando até mesmo por política, algo que ele volta e meia admite não gostar de falar sobre, tanto que decidiu abordar o assunto apenas em Neve. Aliás, é justamente “Neve” o livro mais recente de autor quando da publicação de “Outras cores”, onde sabemos também que está nascendo o que viria a ser, anos depois, “O museu da inocência”. Além disso, temos também discursos de prêmios recebidos ao longo da vida, seja por serviços prestados à literatura ou até mesmo à paz - em um país que conflitos não só de aspectos culturais, mas religiosos e políticos são intensamente explorados - incluindo o sentimental “A maleta do meu pai”, proferido na ocasião do Nobel de Literatura. O que fez com que eu me apaixonasse por “Outras cores”, para ser franco, foi todo o caminho trilhado por este autor, desde os seus 22 anos, quando decidiu abandonar sua rotina de estudante de arquitetura, para se dedicar exclusivamente à escrita, mesmo que tenha conseguido publicar seu primeiro livro apenas sete anos depois. Eu me encaixo em alguns detalhes, seja como estudante de arquitetura, ou com meus manuscritos na gaveta e que espero, sinceramente, que vejam a luz do sul um dia. Assim como o pai de Pamuk entregou sua maleta ao filho, para que o mesmo abrisse quando o pai viesse a falecer, este livro funcionou como um diário, um relato íntimo sobre tudo o que o autor, à época com 50 anos, viveu e experimentou, tanto de bom quanto de ruim, para que pudesse ter seu lugar sólido no mundo e, principalmente, na literatura. Um livro com muitos prismas, “Outras cores” funciona apenas para quem já leu Orhan Pamuk. Sempre sincero com o leitor e consigo mesmo, o autor costura vários assuntos distintos de maneira sublime, mesmo que isso venha manchar sua imagem. Basicamente, ele não tem medo de mostrar o mundo colorido de um escritor, mesmo que, às vezes, as cores desbotem. Este livro faz parte do projeto "Lendo Nobel". Mais em:

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    4.4 / 18
    • 5 estrelas61%
    • 4 estrelas28%
    • 3 estrelas6%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas0%
    Ferit Orhan Pamuk profile picture

    Ferit Orhan Pamuk

    Ferit Orhan Pamuk, mais conhecido como Orhan Pamuk, nasceu em 1952 em Istambul. Principal romancista turco da atualidade, já foi traduzido para mais de quarenta idiomas e ganhou o prêmio Nobel de literatura em 2006 e foi um dos primeiros turcos a falar abertamente sobre o massacre de armênios promovido pela Turquia no início do século XX. Cresceu em uma abastada família burguesa em declínio, uma experiência que ele descreve na passagem de romances seus como “O Livro Negro” e “O Senhor Cevdet e Seus Filhos”, bem como mais profundamente no seu “Istambul: Memórias e a Cidade”. Teve uma educação no Robert College da Turquia e passou estudar arquitetura na Universidade Técnica de Istambul. Abandonando a escola de arquitetura três anos depois, tornou-se escritor em tempo integral e, em 1976, graduou-se no Intituto de Jornalismo da Universidade de Istambul. Dos 22 a 30 anos, Pamuk conviveu com sua mãe, escreveu seu primeiro romance e tentou encontrar uma editora para a publicação.

    36 Livros
    114 Seguidores

    Ferit Orhan Pamuk