Fagundes Varela me surpreendeu.
Surpreendeu pois me considero um leitor que jé conhece alguns caminhos em poesia romântica, tanto da nacional como da estrangeira. E nenhum dos poetas que vi, teve essa versatilidade.
Varela é posto como um poeta da segunda geração romântica. Um ultrarromântico, por então. Ao lado de Álvares de Azevedo e Casimiro de Abreu, forma a tríade romântica brasileira que pode se espelhar na britanica de Keats, Byron e Shelley.
Mas a categoria não faz jus ao seu trabalho. Varela não se limita apenas à segunda geração, na verdade, neste volume, menos da metade dos poemas estaria neste partido.
Fagundes Varela escreveu sobre o indianismo, inspirado por Gonçalves Dias.
Fagundes Varela escreveu sobre amores impossíveis, inspirado por Azevedo.
Fagundes Varela escreveu sobre questões sociais, como a escravidão, inspirado (ou ao menos tendo o peito tocado pela mesma inspiração) por Castro Alves.
Nenhum outro poeta que eu li conseguiu cobrir todas estas frentes.
No prefácio deste livro, é dito que Varela foi julgado por muitos como um poeta sem identidade, apenas seguindo a forma de outrem. O que é injusto, pois sendo poeta, quem não volta os olhos para os bardos anteriores a si?
Não, Fagundes Varela não é um requentador de rimas. Antes, sim, talvez seja a própria síntese do movimento literário romântico em todas as suas fases.
E enorme, como seus versos.