Uma história recheada de fantasia, uma terra de reis e rainhas que se aventuram por regiões cercadas de geleiras, magia e paixões avassaladoras — estes são os ingredientes que fazem de O trílio de sangue, de Julian May, um romance para ser devorado. O Mundo das Três Luas, povoado por humanos, duendes, aborígines e outros seres, vive em perfeito equilíbrio sob a regência da Arquimaga Haramis, até ser ameaçado pelo feiticeiro Portolanus, que retorna de Kimilon, a longínqua e inóspita Terra de Fogo e Gelo, para disseminar a guerra e dominar o mundo. Depois de ouvir a triste história de Shiki, um caçador de peles que teve mulher e filhas assassinadas por Portolanus, a Arquimaga Haramis consulta seu talismã para saber quem é esse malfeitor e que tipo de ameaça ele significa ao equilíbrio do mundo. Atordoada, ela começa a suspeitar que ele é, na verdade, Orogastus, o feiticeiro que amara e que pensava estar morto há muitos anos. Aos poucos, Haramis descobre que a desconfiança tem razão de ser. Orogastus, agora na pele de Portolanus, passou anos confinado até ser resgatado com a ajuda da poderosa caixa mágica da Estrela, e planeja destruir a paz no Mundo das Três Luas. A avidez em alcançar seu objetivo o leva a fazer alianças com a realeza de povos que também almejam mais poder. Mas ele só terá o que deseja quando conseguir os três talismãs que formam o Cetro do Poder, em mãos de Haramis e suas duas irmãs gêmeas, Kadiya e Anigel. As três formam uma unidade: Haramis é o princípio, a pedra fundamental; Kadiya, o ímpeto e a resistência, e Anigel, a perspicácia humana e o amor desinteressado. As trigêmeas, no entanto, não dominam completamente a arte de manusear os talismãs. A riqueza do livro está justamente no encanto provocado pela trama fantástica da disputa entre Orogastus e as irmãs pelos amuletos; e a transformação dos personagens femininos com o aprendizado sobre magia, amor, poder, ambição, limitações e valores. O trílio de sangue é aconselhável para aqueles que querem refletir sobre o comportamento humano através de uma leitura romanceada e encantadora.
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Ver maisO segundo menos pior da série Trílio
Quase 10 anos depois do lançamento do Trílio Negro (1992), a Rocco resolve que a série vendeu o suficiente pra arriscar fazer a tradução do segundo livro da série, "O trílio de sangue". E eu aqui quase 20 anos depois é que estou me atualizando nessa história. Já adianto: este segundo livro é bem melhor que o primeiro. Pra começo, vamos falar da tradução novamente. Houve uma descontinuidade entre as duas obras: mudou a tradutora. Até aí, sinceramente, tudo bem. Mas por que, eu pergunto, por que, a querida tradutora não manteve as traduções feitas na primeira obra?! Sério, o que custava? Houve alguns termos aqui que ela simplesmente traduziu de novo, como se o outro sequer tivesse sido escrito. Não é problema em si a mudança na tradução; mas quando essa tradução não respeita o trabalho que veio antes, isso gera uma quebra, uma descontinuidade entre duas obras que são necessariamente sequência uma da outra. Seguindo adiante, não poucas vezes eu reclamei do descritivismo fútil que esses livros têm. Mas dessa vez algo foi diferente. Não sei dizer bem o que. Não é como se absolutamente tudo que foi descrito tenha alguma aplicação direta no enredo, não é isso. Mas dessa vez as descrições me fizeram mergulhar na cena, aumentando ainda mais a fantasia da história. E nesse ponto eu me pergunto se realmente meu problema não era vício misturado com preconceito. Me pergunto se não estava viciado nas regras de contos (onde absolutamente tudo precisa ter função direta) e por isso menosprezei alguns aspectos que são na verdade característicos e patentes do gênero fantasia. Coisas a se pensar. A construção do enredo neste segundo livro é fenomenal! Eu não tenho um adendo sequer a fazer, ficou perfeito. Neste segundo a questão política está em polvorosa! Muito bem arquitetado e desenvolvido. Além disso: cheio de ação, mas não qualquer uma. É ação que vale a pena porque está firmemente ligada à trama! Dá gosto e a gente fica naquele momento mágico que só a leitura pode trazer: imersos em outro mundo, vivendo as aventuras de outras pessoas e curtindo cada pequeno momento. Absolutamente evidente que a autora tem domínio sobre o gênero que se propõe a escrever: fantasia medieval. É fácil escrever sobre castelos, carruagens ou dragões. Difícil é conseguir inserir nesse contexto arquitetura medieval, estratégias e táticas de guerra antiga, além de detalhes sobre combates que se encaixam com perfeição na proposta. E como se isso não bastasse, temos o ponto alto e baixo da obra na mesma categoria: personagens. Meu amigo, que construção de personagens!! As três princesas não mais arquétipos bobinhos, agora elas são... gente! Eu me entristeço com elas, me enraiveço e fico cheio de esperança ou medo com elas. Até quando não concordo com suas ações, eu entendo a razão por trás. Isso que eu chamo de construção. Um espetáculo de imersão, porque, como falei, estamos finalmente lidando com aquilo que é o mais profundo da literatura: pessoas. Portolanus/Orogastus aparece finalmente como um vilão inteligente, sagaz, daqueles bem pilantras. O melhor é que ele não é todo poderoso. Mesmo sendo muito forte, tem gente que ele encontra no caminho que é tão esperta quanto ele. Isso foi top. Além disso, a autora deu um vislumbre do passado dele, o que ajudou ainda mais a gente a entender as motivações do personagem. Porém, como falei, assim como foi o ponto alto, também foi onde encontrei a queda mais dura. Enquanto no outro livro eu achei que Anigel foi a mais bem desenvolvida das três princesas, aqui todo aquele desenvolvimento foi jogado por água abaixo. Até a metade do livro ela estava bem trabalhada, mas depois de lá foi ladeira abaixo. A personagem virou um clichê ridículo que me fez revirar os olhos várias vezes durante a leitura. Realmente uma pena. Sem dúvida quem brilha mais neste livro é Haramis e, quiçá, o próprio vilão. Por fim, só tenho a dizer que gostei demais desse livro. É aquela fantasia medieval que eu realmente gosto e não tenho dúvidas que um dia vou pegar este livro pra reler. Só me assusta que tão poucas pessoas tenham ouvido falar dele. Acho que ele deu azar de aparecer bem na época do fenômeno Harry Potter. Isso só mostra uma coisa: nem sempre o que você faz é ruim, só o timing que não deu certo.
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