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    A Beata Maria do Egito (Palavra de gente #V.5) -

    Rachel de Queiroz

    Rocco
    2003
    80 páginas
    2h 40m
    ISBN-10: 8532516149
    Português Brasileiro
    3.4
    69 avaliações
    Leram128Lendo3Querem71Relendo1Abandonos0Resenhas5
    Favoritos5Desejados71Avaliaram69

    Em Lampião e A Beata Maria do Egito temos o melhor de Rachel; a perfeição da linguagem, a clareza e realismo dos diálogos, os cenários nordestinos bem desenhados, a pesquisa histórica e a força indiscutível das personagens femininas, escreve Acioli.Todos estes elementos nos dão a certeza de que o texto teatral de Rachel de Queiroz, desde que caiu da pena e pingou no papel, já era borboleta pronta para voar.

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    Érika Batista picture
    Érika Batista15/05/2021Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Curtinha, mas poderosa

    Ontem li esta peça da Rachel de Queiroz, indicada por um amigo. Confesso para minha vergonha que foi a primeira obra que li da escritora. É curtinha: li numa sentada. Tem apenas quatro personagens, um cenário e três atos, o segundo com três cenas, os outros com uma só. O livro se passa em meados da década de 1910 numa cidadezinha do interior do Ceará, durante a revolta real que aconteceu em Juazeiro do Norte, liderada pelo popular Padre Cícero, para depor o governador Marcos Franco Rabelo. Aqui não há espaço suficiente para explicar em detalhes quem foi Padre Cícero, então basta dizer que ele foi uma das figuras mais influentes do nordeste no começo do século passado, um líder religioso e político muito popular, que contava com uma irmandade de mulheres leigas para realizar sua obra social e sua pregação. Essa irmandade foi fundamental durante a referida revolta, pois andavam nas redondezas alistando combatentes e pedindo víveres e armas e munição. Pois bem. A protagonista desta peça é uma dessas beatas, personagem ficcional que, assim como o padre, tinha fama de santa e de milagreira. Ela é presa quando estava a caminho de Juazeiro, liderando um grupo de romeiros que iam se juntar ao Padre Cícero para combater os "hereges" do governo. O delegado responsável por prendê-la acaba se apaixonando por ela; ela cede aos avanços dele como preço para que ele a ponha em liberdade, para que ela possa continuar sua missão; ele se ilude, achando que ela retribui seus sentimentos, e fica alucinado quando descobre que se enganou, recusando-se a deixá-la ir embora mesmo quando os romeiros companheiros dela e o povo da cidade cercam a delegacia para libertar a santa. A peça é magistral. A autora conseguiu juntar numa mesma obra a complexa questão da mistura entre religião e política no Brasil, que sempre existiu em nossa cultura nas mais diferentes situações e com nuances tão intrincadas, e o drama pessoal das mulheres que correm risco quando um homem não aceita o fim da relação. Enquanto lia, lembrei do caso da menina Eloah, que chocou o país há alguns anos. Salta aos olhos que estamos lendo uma mulher — e que diferença de abordagem! Recomendo. #livro #clássico #teatro

    4 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.4 / 69
    • 5 estrelas22%
    • 4 estrelas19%
    • 3 estrelas45%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas6%
    Rachel de Queiroz profile picture

    Rachel de Queiroz

    Rachel era filha de Daniel de Queiroz Lima e Clotilde Franklin de Queiroz, descendente pelo lado materno da família de José de Alencar. Em 1917, após uma grande seca, muda-se com seus pais para o Rio de Janeiro e logo depois para Belém do Pará. Retornou para Fortaleza dois anos depois. Em 1925 concluiu o curso normal no Colégio da Imaculada Conceição. Estreou na imprensa no jornal O Ceará, escrevendo crônicas e poemas de caráter modernista sob o pseudônimo de Rita de Queluz. No mesmo ano lançou em forma de folhetim o primeiro romance, História de um Nome. Aos vinte anos, ficou nacionalmente conhecida ao publicar O Quinze (1930), romance que mostra a luta do povo nordestino contra a seca e a miséria. Demonstrando preocupação com questões sociais e hábil na análise psicológica de seus personagens, tem papel de destaque no desenvolvimento do romance nordestino. Começa a se interessar em política social em 1928-1929 ao ingressar no que restava do Bloco Operário Camponês em Fortaleza, formando o primeiro núcleo do Partido Comunista. Em 1933 começa a ter dissenções com a direção e se aproxima de Lívio Xavier e de seu grupo em São Paulo, indo morar nesta cidade até 1934. Milita então com Aristides Lobo, Plínio Mello, Mário Pedrosa, Lívio Xavier, se filiando ao sindicato dos professores de ensino livre, controlado naquele tempo pelos trotskistas. Depois, viaja para o norte em 1934, lá permanecendo até 1939. Já escritora consagrada, muda-se para o Rio de Janeiro. No mesmo ano foi agraciada com o Prêmio Felipe d'Oliveira pelo livro As Três Marias. Escreveu ainda João Miguel (1932), Caminhos de Pedras (1937) e O Galo de Ouro (1950). Foi presa em 1937, em Fortaleza, acusada de ser comunista e exemplares de seus romances foram queimados. Em 1964 apoiou a ditadura militar que se instalou no Brasil. Lançou Dôra, Doralina em 1975, e depois Memorial de Maria Moura (1992), saga de uma cangaceira nordestina adaptada para a televisão em 1994 numa minissérie apresentada pela Rede Globo. Exibida entre maio e junho de 1994 no Brasil, foi apresentada em Angola, Bolívia, Canadá, Guatemala, Indonésia, Nicarágua, Panamá, Peru, Porto Rico, Portugal, República Dominicana, Uruguai e Venezuela, sendo lançada em DVD em 2004. Publicou um volume de memórias em 1998. Transforma a sua "Fazenda Não Me Deixes", propriedade localizada em Quixadá, estado do Ceará, em reserva particular do patrimônio natural. Morreu em 4 de novembro de 2003, vítima de problemas cardíacos, no seu apartamento no Rio de Janeiro, dias antes de completar 93 anos. Fontes: biografia: wikipedia foto: http://www.fundacaoquixote.org.br

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    Ceará, Brasil

    Rachel de Queiroz