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    Operação massacre (Jornalismo Literário) -

    Rodolfo Walsh

    Companhia das Letras
    2010
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-13: 9788535917277
    Português Brasileiro
    4.2
    82 avaliações
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    Favoritos13Desejados275Avaliaram82

    Reunidos em uma casa na região metropolitana de Buenos Aires para acompanhar a transmissão de uma luta de boxe pelo rádio, doze homens são presos e levados para a delegacia na noite de 9 de junho de 1956, onde permanecem sem acusação formal ou julgamento até a manhã seguinte, quando enfim são conduzidos a um lixão nos limites da cidade e condenados sumariamente ao fuzilamento. Eram suspeitos de participar da tentativa de golpe de Estado que os generais peronistas Tanco e Valle haviam incitado naquela mesma noite. A repressão ao golpe, imediata, empregou julgamentos sumários, fuzilamentos e prisões clandestinas, revelando o caráter violento do governo provisório que, um ano antes, havia deposto Juán Domingo Perón com a promessa de pacificar e devolver a liberdade ao país. Para reconstituir o percurso dos prisioneiros na noite do fuzilamento, o autor valeu-se de diálogos, contraposição de pontos de vista e outros recursos emprestados da ficção, conferindo à narrativa um ritmo ágil e tenso, próprio do romance policial - gênero com o qual Walsh tinha familiaridade, sendo primeiramente conhecido do público argentino como autor de contos e novelas de suspense.

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    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo03/01/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A fé que move os descrentes

    Não ficção política. Esta é a melhor definição para este “Operação massacre” do escritor e jornalista argentino Rodolfo Walsh. Antes de falar do livro em si, preciso ressaltar aqui o belíssimo trabalho feito pela Companhia das Letras. Os apêndices desta edição de “Operação massacre” são esclarecedores e funcionam como pontos de ligação para a história principal. A curadoria dos textos é louvável. Posto isso, vamos à narrativa. A arte de narrar uma história é árdua e tentar fazer isso a partir de um fato real é quase uma espécie de obsessão. E é isso que move esse livro. Walsh tomou como missão para si a história de um grupo de homens que acompanhava uma luta de boxe e que supostamente eram apoiadores de Juan Domingo Perón, ex-presidente argentino, em pleno golpe de Estado sofrido pelos nossos vizinhos sul-americanos. Esses homens, portanto, estavam condenados à morte, pois nós, brasileiros, também sabemos que militares não gostam muito da divergência. A partir desse quadro, a narrativa não ficcional de Walsh ganha ares políticos e policialescos, resultando em um ritmo frenético do encadeamento dos fatos. Em sua jornada investigativa, num primeiro momento, Walsh descobre que dos supostos 12 homens pegos de surpresa para seu fim naquela noite, dois sobreviveram. Ao cavar mais informações e cruzar depoimentos, Walsh entra praticamente em transe ao descobrir que ele estava errado: não foram dois e sim sete homens que escaparam da morte. Estão me acompanhando aqui? Pois é. E assim o fã e escritor de romances policiais vai contando a história dos sobreviventes e mostrando, com exímia habilidade textual, o que se passava com esses personagens e as agruras de um país que desiste da democracia. É tudo verdade? Nunca saberemos, mas a sedução imposta por Walsh para que acreditemos em cada palavra posta é competente. Aviso aos navegantes: sim, o livro envolve certo contexto específico que pode afastar alguns leitores e é, em suma, uma narrativa sobre política. Mas é graças a Walsh, que antecipa Truman Capote na arte do "romance de não ficção", que o leitor é guiado por uma espécie de bússola moral, acreditando nessa que é a única fé possível, a fé que move os descrentes: a justiça.

    15 curtidas

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    4.2 / 82
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    Rodolfo Jorge Walsh profile picture

    Rodolfo Jorge Walsh

    Rodolfo Jorge Walsh, considerado o fundador do jornalismo investigativo na Argentina, nasceu em 1927 em uma fazenda na localidade de Lamarque da Província de Río Negro, Argentina. Durante muito tempo houve uma confusão sobre local de nascimento de Walsh, devido à mudança de nome de Colonia Nueva del Pueblo de Choele Choel a sua denominação atual de Lamarque, em 1942. Em 1941 ele se mudou para Buenos Aires para estudar na escola secundária. Após a formatura, começou a estudar filosofia, mas abandonou a escola e assumiu uma gama diversificada de emprego: empregado de escritório numa fábrica de processamento de carne, vendedor de antiguidades e lavador de janelas. Aos 18 anos começou a trabalhar como revisor de um jornal. De origem humilde, traçou uma longa e distinta carreira no jornalismo, que continuou até seu assassinato em 1977. Seu corpo jamais foi encontrado, por isso ele é considerado desaparecido político. Vida e obra de Rodolfo Walsh (1927-77) se misturam à conturbada história argentina no século 20, do peronismo direitista dos anos 50 ao kirchnerismo peronista de hoje, passando pela esquerda que reivindicava a herança de Perón nos anos 70. Inventor do novo jornalismo, o autor tem reportagem e livro de contos lançados no Brasil.

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    Patagônia , Argentina

    Rodolfo Jorge Walsh