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    Ninguém me verá chorar -

    Cristina Rivera Garza

    Francis
    2005
    264 páginas
    8h 48m
    ISBN-10: 8589362574
    Português Brasileiro
    3.7
    41 avaliações
    Leram60Lendo4Querem70Relendo0Abandonos4Resenhas3
    Favoritos2Desejados70Avaliaram41

    A novela "Ninguém me verá chorar", que é ficção pura, se alimenta de um contexto histórico. Tem início em 1885, ano do nascimento de um de seus protagonistas e se encerra em torno de 1932, dois anos antes do governo de Lázaro Cárdenas. O pano de fundo da história é o governo autoritário de Porfírio Diaz, o desenvolvimento industrial e agrícola do país, contrastado com uma rigidez da estrutura social que em sua defasagem produz as primeiras greves e brigas de rua. Estamos num México convulsionado por revoluções, no qual o velho e o novo lutam por seu espaço, e no qual a injustiça brilha sobre quem quer mudar o mundo para melhor. Este é o cenário no qual os personagens desgraçados, perfeitamente perfilados pela autora, vêem evaporar seus sonhos, um atrás do outro, numa tragédia íntima que molda a realidade cultural, não somente do México, mas de grande parte da América Latina.

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    Aline T.K.M. picture
    Aline T.K.M.14/04/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Pequeno tesouro que jamais sairá da minha prateleira!

    LEIA MAIS RESENHAS EM: http://escrevendoloucamente.blogspot.com Devo começar dizendo que Ninguém Me Verá Chorar não é um livro de leitura muito fácil. Não há tantos diálogos e os capítulos são bastante extensos. Apesar disso, me agradou bastante a linguagem, a forma como a autora nos faz descobrir as etapas da vida de Matilda Burgos. No livro, passado e presente intercalam-se o tempo todo, e algumas vezes fica difícil se situar durante a leitura. Mas isso definitivamente não chega a ser um ponto negativo, uma vez que está ligado intrinsecamente ao jeito como a história nos é mostrada, e não consigo imaginar o livro escrito de outra forma senão essa. Cada personagem possui personalidade e desenvolvimento excepcionais. É difícil não se envolver. Merecem destaque as fichas médicas ao longo da história (mais precisamente no capítulo 3) que nos contam um pouco de alguns internos do La Castañeda, inclusive com passagens em primeira pessoa, relatos. Outro ponto que merece ser mencionado é a forma como se mesclam as histórias individuais dos personagens e o momento histórico do México de então, os conflitos políticos, as perseguições. Somos levados para dentro do livro e quase podemos ver diante de nós o que nos é descrito com maestria pela autora. Apesar da história da protagonista ser fictícia segundo a autora, uma reconstrução livre, fruto da imaginação a obra é baseada em relatórios clínicos, documentos oficiais, cartas de internos do Manicômio Geral (conhecido como La Castañeda). A autora explica nas notas finais do livro: Os dados históricos sobre o mundo das ruas, do manicômio e outras instituições de controle social no México porfiriano e na alvorada da pós-revolução provêm da minha tese de doutorado em história latino-americana. Achei particularmente interessante a relação entre Joaquín Buitrago e o médico Eduardo Oligochea (que foi cúmplice ao fazer com que Joaquín tivesse acesso à ficha médica de Matilda). Joaquín, durante todo o tempo, sabia que uma relação de amizade seria necessária para chegar ao seu objetivo; Eduardo, hermético e sistemático, se resguardava tão bem quanto ouvia tudo com paciência. Matilda Burgos é um enigma a ser decifrado ao longo do livro. Incompreensível em meio ao labirinto de sua própria vida, mas ao mesmo tempo de uma vulnerabilidade não óbvia. Chego até mesmo a pensar (mesmo não me sentindo no direito de tirar tais conclusões), que se Matilda tivesse aprendido a enfrentar e compartilhar suas perdas, sua dor, seu caminho teria sido outro, talvez nunca tivesse ido parar em um manicômio. Nem preciso dizer que adorei o livro, inclusive fiquei bastante interessada em ler outras obras de Cristina Rivera Garza. E com certeza o farei! Por fim, durante toda a leitura, fui surpreendida e deleitei-me com belas frases, cheias de significados não escancarados, mas que fazem pensar e concordar. Deixo algumas dessas frases aqui: *Nos edifícios da linguagem sempre há corredores sem luz, escadas imprevistas, sótãos ocultos atrás das portas fechadas, cujas chaves se perdem nos bolsos furados do único dono, o soberano rei dos significados. *Há certas conversas que só podem se realizar em silêncio. *O abraço que antecede o amor, no qual o amor culmina, é tépido como uma brisa, escuro como uma mina. Uma fotografia. LEIA MAIS RESENHAS EM: http://escrevendoloucamente.blogspot.com

    4 curtidas

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    Avaliações

    3.7 / 41
    • 5 estrelas24%
    • 4 estrelas24%
    • 3 estrelas44%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas2%
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    Cristina Rivera Garza

    Cristina Rivera Garza nasceu em Matamoros, no México, região fronteiriça com os Estados Unidos, em outubro de 1964. Aos 15 anos, mudou-se para a Cidade do México e, desde 1989, vive nos Estados Unidos. É autora de livros de contos, poesia e não-ficção. Entre seus livros estão Nadie me verá llorar e Autobiografía del algodón. Recebeu prêmios como o Anna Seghers de literatura latino-americana, o Bellas Artes de Novela José Rúben Romero, o Excelencia en las Letras José Emilio Pacheco, o Sor Juana Inés de la Cruz (duas vezes), o Roger Caillois e o recente Xavier Villarrutia. Tem sido traduzida ao inglês, italiano, alemão, coreano, francês, esloveno e português. É formada em Sociologia, doutora em História e professora da Universidade de Houston, onde fundou o doutorado em Escrita Criativa.

    16 Livros
    12 Seguidores

    Cristina Rivera Garza