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    Galiléia -

    Ronaldo Correia de Brito

    Alfaguara
    2008
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-10: 8560281584
    Português Brasileiro
    3.9
    170 avaliações
    Leram256Lendo15Querem266Relendo0Abandonos1Resenhas8
    Favoritos17Desejados266Avaliaram170

    Três primos atravessam o sertão cearense para visitar o avô Raimundo Caetano, patriarca de uma família numerosa e decadente que definha na sede da fazenda Galileia. Ismael, Davi e Adonias passaram parte da infância ali, mas fizeram o possível para cortar seus laços com a terra de origem. Fazem parte de uma geração que largou o campo para nunca mais voltar. Foram viver no exterior, procuraram reconstruir a vida em Recife, em São Paulo, na Noruega. O que espera os três primos ao final da viagem é uma volta radical a esta origem, a esta fazenda que um dia foi próspera, que oculta segredos e traições e "onde as pessoas se movem como nas tragédias". Por mais que os protagonistas tenham se distanciado da violência que ronda a família, voltarão a senti-la de perto, descobrindo que nunca escaparam - ou escaparão - ao destino que os cerca. Terão de se reencontrar com a família e seus fantasmas, e reviver histórias de adultério, vingança e morte.

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    Astier Basílio11/02/2009Resenhou um livro
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    um sertão com Radiohead

    Ok, literatura sobre o sertão, o que é que vem à mente? Galhos secos, xiquexiques, macambiras, vaqueiros encourados, arcaísmos, algo como uma Feira de Caruaru, com bonecos de Vitalino, cantadores desdentados com violas com fitas? Ronaldo Correia de Brito, que escreve como quem filma, joga sua grande angular em outras paisagens. Ele passa a sua bic nos lugares comuns do sertão. "Galiléia" é um movimento de revisita. Os três primos vão para o aniversário do avô Raimundo Caetano, só que o velho está mais pra lá do que pra lá - a imagem pode ser batida, mas o patriarca apodrecendo, num morre-mais-não-morre, é metáfora para aquele sertãozão. Os personagens dos primos parecem encaixados numa espécie de programa de cotas. Tem o loiro David, musico descoladinho que diz que tocou em um pub em Nova Iorque; o médico burguesinho, Adonias, narrador do romance; e o índio e malucão Ismael, com passagem pela Noruega. O que é bacana? A cena em que Adonias, após um assassinato, refugia-se no quarto em que um tio se escondeu após matar a mulher. A sina dos personagens, da estória, é revisitar, é refazer, é repetir e, como dizia o bigodudo de "O Nascimento da Tragédia", a história se repete como farsa. O fantasma do tio assassino propõe um pacto com Adonias numa das cenas - sim, há um lance cinematográfico muito foda e uma citação muito evidente ao "Fanny & Alessander", do Bergman - que dão um vigor à estrutura da trama. Veneno. Prestem atenção no tio Salomão. É um personagem inspirado no escritor Ariano Suassuna e Ronaldo não alivia. Num dos momentos da viagem, com os campos com plantios de maconha em vez de cana-de-açúcar, a trilha não poderia ser Antônio Nóbrega, como não foi, mas sim, "Paranoid Android".

    10 curtidas

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    Ronaldo Correia de Brito profile picture

    Ronaldo Correia de Brito

    Nasceu na cidade de Saboeiro, no sertão dos Inhamuns, no Ceará. Quando tinha cinco anos, sua família mudou-se para o Crato, na região dos Cariris. Aos 17, foi estudar Medicina em Recife. Sempre dividiu seu tempo entre o trabalho como médico e as atividades artísticas. Em 1975, dirigiu o longa-metragem Lua Cambará, em parceria com Assis Lima, Horácio Carelli e Antonio Madureira. Com os mesmos parceiros, lançou a Trilogia das Festas Brasileiras - O Baile do Menino Deus, Bandeira de São João e Arlequim -, que reúne livros, discos e espetáculos teatrais. Três Histórias na Noite - contos, 1989. Arlequim – teatro – CEPE – 1990. As Noites e os Dias – contos – Editora Bagaço – 1997. Faca – contos – Editora Cosac Naify – 2003. O Reino Desejado – teatro – Revista de La Associación de Directores de Escena de España – Madri, 2003. Livro dos Homens – contos – Editora Cosac Naify – 2005. O Pavão Misterioso – prosa infantil – Editora Cosac&Naify – 2005. Bandeira de São João – teatro – Editora Objetiva – 2005. Arlequim – teatro – Editora Objetiva – 2005. Galileia – romance – Editora Alfaguara – 2008. Retratos Imorais – contos – Editora Alfaguara – 2010. Baile do Menino Deus – teatro – Editora Objetiva – 2011. Crônicas para Ler na Escola – crônicas – Editora Objetiva – 2011. Arlequim de Carnaval – teatro – Editora Alfaguara – 2011. Bandeira de São João – teatro – Editora Alfaguara – 2011. Estive lá Fora – romance – Editora Alfaguara – 2012. Le jour où Otacílio Mendes vit le soleil – Chandeigne – 2013 (em francês). Atlântico – novela – Mariposa Cartonera – 2015. O Amor das Sombras – contos – Editora Alfaguara – 2015. Teatro Baile do Menino Deus, 1983. Prêmio Zilka Salaberry, 2007. Bandeira de São João, 1987. Arlequim, 1989. O Reino Desejado, 1993. Retratos de Mãe, 1995. Malassombro, 1996. Prêmio Mercosul de Teatro, durante o Festival de São José do Rio Preto, São Paulo, em 1999. Os Desencantos do Diabo, 2001. Ópera do Fogo, 2003. Nascimento da Bandeira, 2007. Duas Mulheres em Preto e Branco, 2012.

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    Ceará, Brasil

    Ronaldo Correia de Brito