A noite em que Jane Russel morreu, do escritor mineiro Ivan Yazbeck, é mais um daqueles livros esquecidos nos sebos, dos quais alguém raramente escutou falar (perdoem-me a sinceridade, mais uma vez). Eu mesmo o comprei apenas pelo chamado fator nostálgico: em minha juventude, em começo de carreira, não tinha dinheiro para comprar todos os livros que me passaram pela cabeça e era sócio do saudoso Círculo do Livro. Ainda hoje não posso comprar todos os livros que desejo, mas tento recuperar, proustianamente, o tempo perdido.
Resumo da ópera: A noite em que Jane Russel morreu é o relato de um rapaz de dezoito anos que vai a um baile com amigos e passa a noite inteira tentando conquistar as garotas, mas só dá vexame e fica a todo instante mergulhando em fantasias idealizadas de como tudo seria perfeito se isso ou aquilo acontecesse. É bom lembrar que a situação se passa em 1961 e as referências podem não fazer muito sentido para os leitores de hoje (drinques desconhecidos, atores famosos à época que pouco dizem nos dias de hoje), mas a situação é comum a quem quer que já tenha passado pelo desespero de fazer contato com alguém (o famoso estar sozinho em uma multidão). Mas não se engane: o livro é qualquer coisa menos melancólico, depressivo ou algo do tipo.
Vale a pena a leitura? Posso dizer que sim: é uma leitura esquecível, mas agradável; saudosista, mas não nostálgica; particular, mas universal. Enfim, garantia de boas horas imaginando as loucuras que (quase) todos os jovens já fizeram (ou já imaginaram fazer)...