Recentemente fiz um curso de escrita de viagem e esse livro estava na bibliografia do curso.
Neste livro, o americano Thomas Kohnstamm narra os bastidores de sua viagem ao nordeste do Brasil para escrever e atualizar parte do guia Lonely Planet, após deixar um emprego com um bom salário e uma vida estável em Nova York.
O que mais gostei foi a desmistificação de que autores de guias de viagem/ jornalistas que escrevem sobre viagem têm "o trabalho dos sonhos". Eles ganham para fazer o que fazem, mas ganham muito mal, talvez porque editoras de guias presumem que quem escolhe esse tipo de profissão/ trabalho já tem outro tipo de renda ou uma poupança milionária e quer "viajar e escrever" só por hobby.
Depois de ficar em vários hotéis e lugares que, pelo que o autor conta, parecem "muquifos", conhecer muitos viajantes fora da casinha, perdidos, drogados (aliás, o próprio autor também bebe e se droga), e estar quase sem dinheiro, o autor descobre, através do autor que escreveu e atualizou a edição anterior do Lonely Planet do Brasil, que, na verdade, há uma rede de contatos (donos e gerentes de hotéis e restaurantes) que dão cortesias para os escritores de guias. Só então ele entende como os escritores conseguem se virar financeiramente durante as viagens e passa a usufruir dessas mordomias, contrariando o lema da Lonely Planet, que afirma que os autores não recebem cortesias para não serem influenciados na hora de escrever as resenhas do guia.
A leitura desse livro também me fez ver que os guias de viagem são suportes para obter informações sobre os lugares a ser visitados e não devem ser considerados "bíblias", como vários viajantes/ turistas o consideram. A avaliação de hotéis e restaurantes depende muito de quem está avaliando também (o próprio autor confessa que não visitou muitos dos restaurantes que constam no guia que ele escreveu/ atualizou).
Autores de guias de viagem vão para o inferno? Talvez. Mesmo assim, acredito que eles se divertiriam bastante por lá, como se estivessem viajando.