O Reynold sempre teve a auto-estima lá no dedão do pé da perna defeituosa. Ele passou a vida inteira se queixando e se achando um coitadinho e o preterido entre os irmãos, pq todo os outros 6 eram belos, formosos, fortes, gostosões e etc., e ele tinha uma perna defeituosa. Passou anos e anos se queixando da bendita perna e carranqueando por ai. Mimimimimi... eu tenho uma perna defeituosa, mimimimimi...
Até que um dia ele resolver sair da sombra do pai e dos irmãos e resolve ganhar o mundo com a sua perna defeituosa e um escudeiro de meia-tigela. Os dois vão caranqueando pela estrada afora montados em cavalos (embora o mocinho preferisse ir de trem), até encontrarem um vilarejo que está sendo assolado por um dragão que destrói tudo. Assim que ele chega, todos carranqueiam para ele, menos a mocinha, que acha ele um gostosão, fortão, totalmente capaz de matar o dragão e nem repara que ele tem uma defeituosa! O mocinho carranqueia para todos, até para a mocinha e continua achando que sua perna defeituosa não é páreo para o dragão e carranqueia ainda mais para todo mundo!
Será que o mocinho carrancudo vai descobrir o mistério do dragão, conquistar a mocinha e mais importante, aprender a se aceitar do jeito que é?
Bom, já deu pra perceber que a Harlequin aprontou na tradução do livro, colocou um trem no meio da historia, e carrancas pra todo o lado! Duvido muito que a versão original tivesse um texto tão ruim quanto esse. A historia é lenta, o mocinho é introvertido e cheio de complexos e não é de muitas palavras, mas é um texto da Déborah Simmons, e a mulher é boa escritora, sabe como construir uma historia coerente. E foi realmente uma pena o que o desleixo da editora fez com um livro que tinha tudo para ser bom.
Eu estava determinada a dar um 3 bem mixiruca pro livro, por causa do excesso de carrancas e da tradução fuleira e cheia de erros, mas da metade em diante o livro encontrou o tom certo e até me empolgou. Cheguei ao final com a sensação que apesar dos pesares, Reynold é um De Burgh legitimo, que não faz feio frente aos irmãos!