Mais uma vez, pretendo fazer uma resenha cujo objetivo não é criar um juízo de valor, mas sim apresentar panoramas gerais sobre a obra, a fim de esclarecer o possível leitor de detalhes que não possam ter sido contemplados na sinopse. Afinal, sendo o eu o autor do livro, não sou o testemunho mais confiável quanto a sua qualidade. (risos)
De Corpo e Alma é um romance criado no mesmo mundo mágico de O Véu, possuindo até mesmo personagens em comum. Contudo, sua história é independente. Aquele que se aventurar a ler toda a minha obra encontrará os pontos de contato que os diferentes livros estabelecem, contudo, aquele que quiser ler apenas um dos lados da história terá ainda assim entendimento completo do enredo, não sendo necessária a leitura de um para a compreensão do outro.
Algumas mudanças de estilo se notam neste novo trabalho. Em primeiro lugar, a narrativa é feita em primeira pessoa, tornando a história centrada em sua personagem principal, Victória. Nesse sentido, temos uma visão muito mais introspectiva da personagem quando ao que acontece a sua volta, e não a narrativa “imparcial” em terceira pessoa característica do “Véu”.
O enredo também se modifica um pouco. A magia e a ação ainda fazem parte, mas o espaço dado ao romance é mais acentuado. Para aqueles que gostam de história de amor, tem grandes chances de curtir “De Corpo e Alma”, cujo enredo é inspirado em trabalhos próprios do Romantismo.
A história gira em torno de Victória, como já foi anunciado, uma mulher que representa grande parte do feminino do Séc. XXI: moderna, independente, vivendo em um mundo em que tem que ser homem e mulher ao mesmo tempo. Sua vida se mostra bastante estabilizada, até que algo completamente inusitado abala suas estruturas.
Acontece que Victória se descobre refém de um inimigo íntimo. Ela foi possuída por Pierre, que passa a coabitar seu corpo e a representar uma ameaça para sua vida e sanidade. Na tentativa de expulsá-lo, ela tem que conhecer mais sobre seu indesejável hóspede, permitindo-se se aproximar dele e se expor a seu mundo caótico e conturbado.
Entretanto, essa experiência deixará suas marcas, gerando um conflito interno e avassalador entre amor e ódio, entre medo e curiosidade, e entre o desejo de se entregar e a necessidade de sobreviver.