Comparações são inevitáveis quando alguém lê dois livros do mesmo autor, seja buscando paralelos ou processo narrativo parecido. Eu não consegui não comparar esse romance com A Escultura e o Sofá. Os dois são parecidos, principalmente por serem romances policiais e pela narrativa não-linear do autor, além de uma caracteristica que eu notei agora: tudo está interligado. Todas as pessoas se conhecem, de uma maneira ou de outra, o que torna tudo mais interessante.
Nesse romance, seguimos o jornalista Adam Gittelmayer que escreve num jornal britânico sensacionalista sobre saúde e o caso da morte misteriosa de uma menino de quatro anos em um hospital é o ponto de partida para o desenrolar dos fatos, das desconfianças de Adam e de sua saga atrás da verdade. No caminhar do livro, vão aparecendo as ligações entre as pessoas (como a esposa do dono do hospital ser amante do pai do menino morto) e as provas de quem teria matado a criança, já que ficou provado que não foi um acidente. Porém, o caso é esquecido pela imprensa britânica e por nós, leitores, pois a relação entre os personagens se torna tão interessante, e se não mais importante, do que o assassino da criança; que, aliás, é deixado com um destino bastante aberto no final.
Eu gosto disso, da maneira como o Cassio consegue interligar todas as pessoas sem que a coisa pareça uma novela mexicana sem qualidade e da maneira como ele consegue nos colocar nos ambientes. Eu conseguia enxergar Londres enquanto lia, mesmo que eu nunca tenha pisado fora do meu estado (!). Meu problema com esse livro e a coisa que quase me fez desistir dele pela segunda vez, foi a narrativa. Em alguns momentos, a coisa ficava confusa porque, apesar de ser narrado em terceira pessoa, o livro tinha passagens em primeira pessoa sem que um itálico fosse colocado. O único momento em que se usava o itálico para a primeira pessoa era quando o Adam escrevia em seu diário. Fora isso, confusão pura e uma espécie de irritação por estar confusa.
No mais, uma leitura boa caminhando para o muito bom.
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