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    Arquitetura e Filosofia -

    Mauricio Puls

    Anna Blume
    2006
    596 páginas
    19h 52m
    ISBN-10: 8574196169
    Português Brasileiro
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    Por que alguns edifícios são considerados belos? Este livro analisa os principais argumentos apresentados pelos filósofos ao longo da história para explicar a beleza arquitetônica. Desde a Antigüidade, a arquitetura sempre representou um problema difícil para a estética, já que nela a relação entre o homem e a obra de arte não se resume ao elo entre o sujeito que percebe e o objeto percebido. Enquanto as demais artes criam obras destinadas apenas à contemplação, as construções existem para serem manipuladas: o prédio não é apenas um objeto para a reflexão, mas um objeto para a vida. O problema é que só consideramos artísticos os objetos que dizem alguma coisa sobre nós, que narram algo que nos diz respeito. A obra de arte constitui a expressão material do sujeito em um objeto. Mas se a arte é um espelho do sujeito, como uma construção pode ser artística? Ora, o edifício nada mais é do que o lugar do homem no mundo: a arquitetura é a forma do homem. Por isso ela não espelha a aparência do sujeito, mas seu modo de ser, sua essência. Contudo, como os homens diferem entre si, os edifícios não são avaliados do mesmo modo por indivíduos diversos, pois cada sujeito percebe o objeto a partir de uma dada perspectiva. Nenhum edifício consegue agradar a todos os homens ao mesmo tempo, pois eles são avaliados a partir de pontos de vista diferentes. Essas perspectivas se baseiam na posição de cada sujeito no mundo: uma construção não parece idêntica aos olhos do produtor, do consumidor, do proprietário e do distribuidor, já que eles não se relacionam com o objeto da mesma maneira. Cada personagem social retalha subjetivamente o edifício, valorizando algumas faces da obra e descartando outras. Homens diferentes avaliam a mesma coisa com padrões de medida diferentes (forma, utilidade, solidez, dimensão), e por isso um prédio é considerado belo por um indivíduo, inexpressivo por outro e feio por um terceiro. Esses modos de ver, que são comuns a diversas sociedades, constituem o fundamento das doutrinas estéticas. O objetivo deste livro é entender essas perspectivas e mostrar como elas se manifestam nos escritos dos filósofos sobre a arquitetura.

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