Ao tentar impedir um assalto o Homem-Aranha é surpreendido por uma menina chamada Marandi, que conhece sua identidade secreta. Intrigado com o fato o herói descobre que a menina é uma feiticeira impedida de envelhecer por conta de um feitiço de seu pai. Para ajudar Marandi a combater Tordenkakerlakk (uma barata gigante) e impedir a "Profecia", o Homem-Aranha embarca em uma aventura repleta de surrealismo e fantasia. Publicada originalmente em Marvel Graphic Novel (1982) 22.
O Homem-Aranha em Marandi (Graphic Novel #4) - Graphic Novel N° 4
Susan K. Putney, Berni Wrightson
Homem-Aranha no País das Maravilhas
Criado nos Anos 1960, a década da contracultura, pelos lendários Stan Lee e Steve Ditko, Homem-Aranha marcou o início da desconstrução e humanização dos super-heróis. Um movimento que iria explodir cerca de vinte anos mais tarde em obras seminais como Watchmen, Dark Knight, Marshall Law etc. Embora tenha sido originalmente publicada em 1986, o auge da Era de Bronze dos comics, quando as revolucionárias e polêmicas HQS citadas acima foram lançadas, Marandi não possui nada de revisional ou controverso em relação à mitologia do Cabeça de Teia. Todavia esteja longe de ser um gibi feijão com arroz deste medalhão da Casa das Ideias. Mais dado a aventuras urbanas em becos soturnos ou eletrizantemente suspenso por suas teias artificiais nos arranha-céus de Nova Iorque, Peter Parker se vê completamente aturdido ao mergulhar em um terreno insólito em suas peripécias cotidianas: o mundo da fantasia e da magia. Repentinamente o Amigão da Vizinhança troca batedores de carteira, ladrões de bancos e cientistas insanos por feiticeiros, maldições e aberrações lovecraftianas. A bagunça bruxesca inicia quando nosso herói é auxiliado por uma adolescente descolada no momento em que está envolvido em uma briga com um trio de meliantes pés de chinelo. A tal jovem se revela uma feiticeira chamada Marandi. Com mais de um século de existência ela é condenada a viver eternamente como uma teenager graças a uma maldição. Após transportar o Aranha para uma dimensão fantástica quase psicodélica que deixaria Neil Gaiman orgulhoso, a trama entra em modo turbo com Peter suando o uniforme aracnídeo para salvar a guria de uma monstruosidade bizarríssima e indestrutível digna das HQS de Spawn e Hellboy. A cereja do bolo é que, apesar de nos mostrarem apenas um vislumbre deste mundo fantástico, os autores nos deixam com a curiosidade aguçada para explorarmos mais desta deslumbrante geografia e seus personagens. Que outras maravilhas e horrores poderiam habitar ali? Quais outras revelações viriam à tona caso o complexo relacionamento entre Marandi e seu pai, um bruxo maligno barra-pesada, fosse mais investigado? Elogiar aqui o trabalho do grande Berni Wrightson (1948-2017) é chover no molhado para os entusiastas mais veteranos dos quadrinhos. Artista símbolo do terror na Nona Arte, Wrightson deixou sua marca inconfundível em clássicos das HQS do gênero: Creepy, House of Secrets, Hellraiser etc. Foi co-criador, ao lado de Len Wein, do revolucionário Swamp Thing e ilustrou a novela Cycle of the Werewolf, a pequena pérola licantrópica de Stephen King. Especialista em monstros, Berni Wrightson era o desenhista ideal para dar vida às pirações visuais da roteirista de Marandi, Susan K. Putney. A despeito de todo o currículo do ilustrador desta Graphic Novel, seria uma grande injustiça não comentarmos o criativo e singular texto de sua escritora. Autora de ficção-científica, Putney engendrou uma trama simples, contudo eficaz, cujo maior destaque são suas imagens alucinantes. Porém, o que mais surpreende no roteiro é fazer com que as características do Homem-Aranha estejam sempre presentes mesmo em um cenário completamente atípico do usual em seus comics. Ora belos, ora aterradores, evocando quase que simultaneamente sensações de sonho e pesadelo, os visuais arrebatadores da obra não anula as particularidades deste ícone da cultura pop que há décadas vem encantando leitores do mundo inteiro. O cotidiano problemático de Peter Parker, o humor por vezes ingênuo deste, mas que quase sempre funciona, seu instinto de responsabilidade que é quase uma maldição. Continua tudo lá, mesmo enquanto o Aranha se debate entre as presas de criaturas dignas do horror cósmico. É justamente esta ambiguidade temática de Marandi sua maior qualidade. Agradar ao mesmo tempo aos fãs dos tradicionais gibis de super-heróis e os leitores de HQS mais sofisticadas e fora da curva.
Estatísticas
Avaliações
3.4 / 34- 5 estrelas21%
- 4 estrelas26%
- 3 estrelas26%
- 2 estrelas18%
- 1 estrelas9%






