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    Iniciação à Arte Dramática -

    Eugênio Shamansky Kuznetsov

    n/c
    1968
    117 páginas
    3h 54m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.4
    17 avaliações
    Leram25Lendo6Querem51Relendo1Abandonos0Resenhas1
    Favoritos3Desejados51Avaliaram17
    Resenhas (1)Ver mais
    simybi picture
    simybi18/06/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Leitura e resenha frutos de um trabalho acadêmico!

    A obra “Iniciação à arte dramática” de Eugênio Kusnet, publicada em 1968 pela editora Brasiliense aborda as melhores técnicas para atuação “realista”, a preparação do ator (no palco e fora dele) e mediante 10 aulas (10 capítulos) ele traz um guia de ensaios, cada um focando em uma particularidade do “Método Stanislavski”, principal pesquisador que Eugênio se baseia para a escrita do livro em questão. O teatro é uma importante vertente da arte, e com o passar do tempo ele se desenvolveu cada vez mais, conforme os contextos e necessidades de cada época. O livro “iniciação à arte dramática” traz o ápice da dramatização teatral com as aulas de Kusnet sob o guia do “Sistema Stanislavski", sempre expondo exemplos claros e práticos de sua própria realidade e experiência para explicar melhor. Cada aula traz um aprendizado diferente sob um viés carregado de mestria. Na primeira aula é apresentado o “Método Stanislavski” sua origem e estudos, também é falado da importância do trabalho em conjunto na atuação, além da “fé no irreal”. A segunda, ressalta a relevância da ação e suas especificidades no trabalho de um ator. A lição seguinte aborda as circunstâncias propostas, o “se fosse”, e a visualização, na quarta, sobre atenção cênica com os círculos, contato e comunicação com o ambiente (ex.: dualidade do ator), já na quinta, o autor discorre sobre contato e comunicação (interno e externo), visualização das falas e valorização do estudo da língua e aplicação dele nas interpretações. Com observações sucintas e uma linguagem simples em seu sexto capítulo, Kusnet menciona o sub-texto, a qual é a utilização conjunta de alguns dos elementos estudados, como leitura lógica e visualização ativa das falas internas. Na sétima parte é frisada novamente sobre a ação interna e externa para assim esclarecer os conceitos de “vontade e contra-vontade” e dando prosseguimento a ele, o oitavo capítulo desenvolve sobre a memória emocional (material e emocional) do ator. A penúltima aula descreve o tempo-ritmo (externo e interno) como uma das bases para o teatro e, por fim, no décimo capítulo é ressaltada a utilização de todos os elementos expostos ao longo do livro. Kusnet como pesquisador da área, diretor e principalmente como ator, vê no Método Stanislavski uma imprescindível abordagem para a preparação do artista e seu desenvolvimento em cena. Ele enfatiza que por meio da constante prática de exercícios e treinos possa se levar ao aperfeiçoamento da técnica do intérprete, prevalecendo a sinceridade cênica, sempre transmitindo com transparência a verdade do personagem e não do ator. De modo geral, é uma obra com uma linguagem bem acessível com exemplos que elucidam muito bem a mensagem que o autor quer passar, Kusnet simplifica a base do cinema e teatro moderno que tem sido os estudos de Constantin Stanislavski, renomado ator russo. Dessa forma, ele possibilita o estudo para artistas/estudiosos em ascensão, e é ótimo não só para aqueles que começaram agora, mas para quem já está nessa estrada há tempos!

    1 curtida

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    4.4 / 17
    • 5 estrelas53%
    • 4 estrelas41%
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    Eugenio Kusnet profile picture

    Eugenio Kusnet

    Eugênio Chamanski Kuznetsov, mais destacado ator de formação stanislavskiana no teatro brasileiro, criador de papéis marcantes e emérito professor de uma geração de atores nos anos 1960 e 1970. Nascido na região dos Balcãs, emigra para Moscou onde se forma num dos Estúdios ligados a Stanislavski. Trabalha posteriormente no teatro profissional dos chamados 'países limítrofes bálticos'. Emigra para o Brasil em 1926, onde ocupa-se do comércio e aprende a nova língua. O teatro brasileiro das décadas de 1930 e 1940 não lhe oferece condições de atuação. Em 1951, atendendo um convite de Ziembinski integra o elenco de Paiol Velho, de Abílio Pereira de Almeida, produção do Teatro Brasileiro de Comédia - TBC. Neste conjunto Kusnet pode empregar todo seu conhecimento e compartilhar do acabamento artístico e rigor indispensáveis à plena criação de um papel em nível profissional. Está nos elencos do TBC de 1951 em Seis Personagens à Procura de Um Autor, de Luigi Pirandello, direção de Adolfo Celi, e Convite ao Baile, de Jean Anouilh, dirigido por Luciano Salce. Em 1952, dirige Maria Della Costa em Manequim, de Henrique Pongetti, produção do Teatro Popular de Arte - TPA. Está em cena em Desejo, de Eugene O'Neill, em 1953 e, no ano seguinte, em O Canto da Cotovia, de Jean Anouilh, montagem de Gianni Ratto que inaugura o Teatro Maria Della Costa - TMDC, e se constitui num trunfo artístico para toda a equipe. Em 1956, está de volta ao TBC, agora sob a condução de Maurice Vaneau, diretor recém contratado pela companhia, em A Casa de Chá do Luar de Agosto, de John Patrick. Seu último trabalho no conjunto é como ator em Os Interesses Criados, de Jacinto Benavente, direção de Alberto D'Aversa, em 1957. No ano seguinte, integra o conjunto artístico do Teatro de Arena, na produção de Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, destacando-se como o favelado líder operário Otávio, sendo dirigido por José Renato. Ainda em 1958, figura novamente no TPA, em A Alma Boa de Set-Suan, primeira encenação profissional de Bertolt Brecht no Brasil, interpretando brilhantemente na técnica distanciada, sob a condução de Flaminio Bollini. Em Gimba, novo texto de Guarnieri, volta a fazer um favelado, na encenação que revela o talento do jovem diretor Flávio Rangel, em 1959. Volta a chamar a atenção em A Visita da Velha Senhora, de Dürrenmatt, ao lado de Cacilda Becker, em 1962. Ainda neste ano, passa a integrar o elenco do Teatro Oficina, nas várias produções efetivadas e ministrando aulas, frequentadas por atores da companhia e elevada parcela da classe teatral paulistana. No auge de sua carreira, parte para a Rússia para frequentar cursos de formação de atores, na Escola Estúdio do Teatro de Arte e na Escola Teatral de Stuchkin, anexa ao Teatro Vakhtangov, ocasiões onde aperfeiçoa seu método de criação do papel e adquire novos conhecimentos ligados aos desdobramentos do método de Stanislavski. Nessa década, são marcantes seus desempenhos em Pequenos Burgueses, de 1963, vivendo o velho Bessemenov; e em 1966, como o patriarca da família aristocrática flagrada em Os Inimigos, 1966, dois textos realistas de Máximo Gorki, ambos encenados por José Celso Martinez Corrêa. Em 1967, faz sua última aparição nos palcos, na vanguardista montagem de Marat-Sade, de Peter Weiss, encenação de Ademar Guerra onde encarna o aristocrata que assiste o julgamento de Marat. Kusnet lança-se, a partir de então, à pedagogia, escrevendo sucessivamente dois livros: Iniciação à Arte Dramática e Introdução ao Método da Ação Inconsciente. No início dos anos 1970 eles são fundidos e remodelados, com o título de Ator e Método, uma bem lograda síntese de seus ensinamentos extraídos ao longo de anos de dedicação não apenas à criação de papéis como à transmissão de seu método. Perguntado sobre o que caracteriza uma boa interpretação, conclui: "A impressão de absoluta verdade. Que não se confunde com a mera imitação da realidade. Porque há uma eterna dualidade nas grandes interpretações: o ator tem de criar uma ilusão quase mágica e ao mesmo tempo nunca perder de vista que está num palco. Há dois extremos a serem evitados: o do ator que se entrega emocionalmente de forma absoluta mas realiza um trabalho esteticamente inconvincente; e o do ator que se deixa levar por um excesso de racionalidade, até extinguir totalmente a paixão em seu desempenho". Ao apreciar sua trajetória, a crítica Mariangela Alves de Lima comenta: "suas intervenções, como intérprete ou como teórico, foram sempre delicadas, civilizadíssimas, mas incisivas. Tinha horror ao exagero e à gratuidade exibicionista no gesto ou na fala. As inúmeras observações críticas que descrevem as suas qualidades de intérprete são muitas vezes sinônimo de economia. A amplitude de seu ponto de partida, representar 'o rico e complicado interior do homem', permitiu-lhe transitar do repertório europeizado do Teatro Brasileiro de Comédia para os experimentos mais engajados do Teatro Popular de Arte e, finalmente, para os grupos ideológicos que renovaram a cena paulistana e, por extensão, brasileira".

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    Eugenio Kusnet