A história da condessa Erzsébet Báthory é famosa no mundo todo, pelos contornos trágicos que a cercam. Dizem que tal mulher mandou torturar e matar centenas de moças, por pura crueldade e, diz a lenda, também para se banhar de seu sangue e se manter bela e jovem.
O livro em questão se propõe a relatar esses acontecimentos. Infelizmente, contudo, uma trama que poderia gerar uma obra muito interessante é desperdiçada com um texto ruim. A autora, no início, se perde em lirismos e conjecturas subjetivas sobre a biografada - elementos totalmente dispensáveis em um livro histórico. Ademais, ela inseriu, desnecessariamente, longas narrativas sobre lendas e costumes da Hungria, além de passagens sobre outra personagem histórica - Gilles de Rais. Esses elementos não só quebram o ritmo, como tornam a narrativa confusa.
Penso que, por não se tratar de um romance, a objetividade seria fundamental, até para o leitor melhor se situar no tempo e no espaço em que os fatos ocorreram. Mas, a autora pareceu não se preocupar em dar ao seu livro uma narração coordenada, sincronizada e objetiva. Em vários momentos, o leitor se perde diante de tantas conjecturas e inserções. Além disso, a própria linguagem é bastante truncada em alguns trechos.
Lógico que é impossível não se chocar com a descrição dos métodos empregados por Erzsébet para torturar e matar suas vítimas. Ela tinha tanta necessidade disso, que chegava a levar alguma jovem em suas viagens, dentro da carruagem, para torturá-la. Infelizmente, por ser de uma família nobre e importante, e também por suas vítimas serem, em geral, moças de famílias pobres, as autoridades fizeram "vistas grossas" para seus crimes por muito tempo. Entretanto, a mudança dos costumes e o fato de a condessa ter feito por vítimas algumas nobres geraram o fim de tal omissão.
Enfim, para quem tem curiosidade de descobrir mais sobre a trajetória da figura histórica em questão, o livro é válido. Mas, ficam as ressalvas aqui feitas.