Em “Barra do Cocho” não há intrigas ou maldades, heróis e vilões, há apenas a vida se desenrolando, os destinos se cumprindo, contada com o sabor que apenas quem viveu parte daquilo poderia dar. Apolônia conta com maestria, com linguagem apropriada, que resgata alguns termos de um tempo que os mais jovens, hoje, nunca ouviram, a vida de uma comunidade que ajudou a colonizar o Vale do Itajaí a partir dos anos oitenta do século dezenove. Sem os recursos tecnológicos que temos hoje, eles trabalhavam duro para tirar o sustento da terra, mas também se divertiam, sabiam viver. Era uma brava gente, uma gente valente e valorosa. A obra de Apolônia me faz lembrar Érico Veríssimo, esse mestre das letras que completaria cem anos no ano de 2005, pela grandiosidade de conteúdo e pela magistral narrativa. Um família, em particular, é focalizada pela autora e, a partir dela, toda a comunidade é retratada neste romance histórico que a gente começa a ler e não dá vontade de parar. Uma gente feliz, de uma felicidade simples, pura e verdadeira. Com os percalços naturais da vida, que a natureza, assim como nos dá a vida, nos cobra pelo que nos dá. Há que se ler esse romance grandioso, que nos dá a conhecer as pessoas que prepararam esse chão onde hoje estamos, que nos precederam nessa terra abençoada que é a nossa Santa e bela Catarina.
Barra do Cocho -
Apolônia Gastaldi
Nova Letra
2005
239 páginas
7h 58m
ISBN-10: 8576820439
Português Brasileiro
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