"As armas e os barões assinalados,(...)" e a minha mente se enche dos canhões de Tchaikovsky e eu tenho novamente quatorze anos, ouvindo minha professora de literatura (que todos chamavamos de Fofa) entrar na sala declamando esses versos que ressoam na alma.
Eu ouvia essa mulher recitar de memória sobre os perigos trazidos por Adamastor e as montanhas do Cabo das Tormentas tomavam a forma do gigante apaixonado. Percorria com dedos úmidos de suor sob o telhado de zinco da minha classe, os versos de tristeza horrorizada do destino de Inês de Castro, aquela que foi rainha depois de morta.
Mais de vinte anos já se passaram e eu não me lembro mais do seu nome, D. Fofa, porém o amor por essa maravilha literária permanece.
Outros poetas que me perdoem, mas Camões é fundamental.