A ilusão neoliberal -

    René Passet

    Record
    2002
    370 páginas
    12h 20m
    ISBN-10: 8501061077
    Português Brasileiro

    Depois que a informação assumiu o papel da energia como combustível do desenvolvimento, um novo tipo de economia surgiu e modificou nossas relações com o tempo, o espaço e a sociedade. Apesar disso, nossas idéias e responsabilidades políticas continuam dirigindo-se a conceitos antigos, já prescritos pela nova realidade, como a crença infundada em um sistema que se pretende liberal. O economista René Passet alerta-nos que tanto direita como esquerda apelam para as mesmas fórmulas. Abrigam receitas de desregulamentação, submissão às leis do mercado, produtividade desenfreada para compor quadros idílicos com bolsas em alta, crescimento equilibrado, regressão do desemprego.

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    Doney Corteletti Stinguel04/05/2019Resenhou um livro
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    Lista de Livros: A ilusão neoliberal, de René Passet

    Parte I: “Thomas Kuhn tinha razão: a ciência não avança por acúmulo de conhecimentos, mas por transformação do olhar que se lança às coisas; os mesmos cientistas, observando o mesmo céu com os mesmos instrumentos, não veem os mesmos fenômenos antes e depois de Copérnico. Desgraçados aqueles que não sabem questionar-se.” * Mais do blog Lista de Livros em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2019/03/a-ilusao-neoliberal-parte-i-rene-passet.html XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Parte II: ““Nunca somos completamente contemporâneos de nosso presente”, frisa Régis Debray, “a história avança mascarada, entra em cena com a máscara da cena anterior e nós já não entendemos mais nada na peça”.” * “O investimento intelectual, que desempenha um papel determinante nos sistemas produtivos da era da informática, é fruto de um patrimônio universal nascido do esforço de gerações passadas e presentes: “O saber”, dizia Louis Pasteur, “é um patrimônio da humanidade.” Este saber apresenta uma característica que o torna um autêntico bem coletivo: todo indivíduo pode desfrutar dele sem dele privar os outros; melhor ainda, ele se multiplica através das trocas: se a troca de uma pêra por uma maçã traduz-se numa simples mudança de proprietários, deixando inalterada a quantidade de peras e maçãs em circulação no planeta, a troca de informações entre dois indivíduos permite que cada um detenha uma informação nova sem ver-se privado daquela que possuía inicialmente; a troca teve um efeito multiplicador. Quanto mais a informação circula, mais se transforma num bem comum.” * “O jogo da economia desenrola-se num teatro mundial cujos atores encarnam os grandes interesses privados. As instituições políticas nacionais reduzidas à função de agentes executores incumbidos de garantir a rentabilidade do capital internacional e de cobrir-lhe os riscos – é bem este o sonho das potências financeiras. É este sonho que elas realizam ao se tornarem hoje os novos árbitros cuja lógica determina os ajustes em todos os níveis do sistema econômico.” * Mais do blog Lista de Livros em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2019/03/a-ilusao-neoliberal-parte-ii-rene-passet.html XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Parte III: ““Deem-me o moinho de vento e eu lhes darei a sociedade feudal”, dizia Marx. Pois hoje diríamos: “Deem-me o computador, a desregulamentação e a empresa financeira, e eu transformarei a aproximação dos povos em fratura, o alívio dos homens pela máquina em exclusão social e a gestão da natureza em destruição.” * “Onde quer que sejam reduzidas ou eliminadas as proteções, a situação do fraco se degrada em benefício do mais poderoso.” * Mais do blog Lista de Livros em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2019/03/a-ilusao-neoliberal-parte-iii-rene.html XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Parte IV: “Uma primeira lição da destruição criadora é que não devemos confundir a durabilidade das coisas com a das funções. O que precisa ser preservado são as funções. Só o que evolui pode manter-se: ao nível do corpo, a renovação das células garante a preservação das funções vitais. Em última análise, a própria morte representa um truque da vida, pois assegura o movimento de rejuvenescimento permanente graças ao qual esta pode manter-se, conservando seu dinamismo. Pretender estabilizar as coisas em todos os níveis – do planeta durável a meu bairro e a minha casa duráveis – é fazer com que nada o seja. Congelar tudo num mundo que se movimenta permanentemente é a melhor maneira de fazer com que tudo soçobre. É pela transformação das coisas que podemos assegurar a perenidade das funções. Uma segunda lição da destruição criadora reside numa exigência de memória. Se só o que muda pode ser preservado, devemos acrescentar que só o que comporta um mínimo de invariantes pode mudar. Essas invariantes, transmitidas através do tempo, constituem a memória das coisas, ou seja, sua identidade. Na sua ausência, não é de mudança dos sistemas que devemos falar, mas de seu desmoronamento e de seu desaparecimento. A cidade, por exemplo, está enraizada no tempo, e as marcas do tempo escrevem sua história construindo algo que não devemos hesitar em chamar – pois se trata de uma estrutura viva – de seu caráter e sua personalidade. Está aí toda a diferença entre a verdadeira cidade humana e a fria acumulação de casas habitáveis. Não é possível entender o presente sem fazer reviver o passado. É pela memória que as gerações de ontem e as de hoje continuam a formar uma mesma comunidade. Harmonizar a mudança e a permanência vem a ser toda a arte de uma política de desenvolvimento durável.” * Mais do blog Lista de Livros em:

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