O diário de Fritz Plaumann -

    Mary Bortolanza Spessatto

    Argos
    2001
    311 páginas
    10h 22m
    ISBN-10: 8586311456
    Português Brasileiro

    "O Diário de Fritz Plaumann" revela a vida da família Plaumann na Alemanha, sua terra natal, e sua mudança para um "ambiente estrangeiro" a fim de fugir da crise econômica que abalava a Alemanha durante a Primeira Guerra Mundial. O diário retrata os sentimentos da família em relação ao reinício da vida no Brasil. Mesmo com pouca bibliografia disponível para consulta nos primeiros anos que viveu no Brasil, Fritz Plaumann teve o cuidado de acrescentar os nomes científicos em todas as citações de plantas e animais encontrados na propriedade ou nos caminhos que levavam à vila de Nova Teutônia, onde morava. Ao longo do tempo Fritz foi reconhecido internacionalmente; descobriu, em viagens de pesquisas científicas, diversas espécies de insetos, duas das quais nomeadas em sua homenagem. A obra é um relato cronológico e bibliográfico, escrito pelo próprio protagonista até 1992, dois anos antes de sua morte. O pesquisador recebeu diversas homenagens, o Museu Entomológico Fritz Plaumann se tornou uma referência em termos de pesquisa, e passou a fazer parte do calendário turístico do oeste catarinense.

    Resenhas (1)Ver mais
    Erikcsen Raimundi picture
    Erikcsen Raimundi01/10/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Muito mais que um diário

    O livro resgata a memória de um cientista autodidata alemão que vem para o Brasil com seus pais logo após o fim da Primeira Guerra Mundial, com o objetivo de encontrar uma vida melhor em meio à mata virgem no Oeste de Santa Catarina. Fritz Plaumman aprende arduamente a viver na agricultura da década de 20 em uma região pouco habitada e ainda incipiente enquanto ‘exploração’ de terras. Junto com ele, vem o desejo alimentado desde criança de catalogar o maior número de espécies de insetos possível da região. Plaumman amadurece como entomólogo. Passa a entrar em contato com entomólogos de outros países até conseguir contato com os brasileiros. Torna-se reconhecido internacionalmente. Seus espécimes coletados deram origens a centenas de espécies desconhecidas pela ciência. Zela pelo seu trabalho e luta por garantir que ele fosse utilizado única e exclusivamente para a pesquisa. Reconhece que o avanço do uso de agrotóxicos, especialmente o DDT, em ascensão, como o divisor de águas entre a biodiversidade antes e depois do uso extensivo. Morre em tempo de ver sua coleção particular tornar-se pública e na localidade onde adotou como sua, Nova Teutônia, em Seara, SC. O livro é muito mais que um diário, pois, nele, permeia a história da colonização do Oeste catarinense, das atividades relacionadas à chamada ‘revolução verde’ e da política governamental para a pesquisa científica com o animais; tão frágil quanto contraditória, assim como nos dias atuais. Apesar de problemas de edição e de escrita dos nomes científicos, é uma obra primorosa e inspiradora. Muito mais que um diário.

    1 curtida

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 2
    • 5 estrelas50%
    • 4 estrelas50%
    • 3 estrelas0%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%