Guerrilheiros e Terroristas (General Benício nr 183) -

    Richard Clutterbuck

    Biblioteca do Exército
    1980
    124 páginas
    4h 8m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    O autor, estudando as características do terrorismo moderno, assegura que não há mais espaços preservados, santuários,nem pessoas não-envolvidas. O terrorismo atual se caracteriza por sua extensão e sua constante renovação,seu sentido mundial,sua globalização,seu caráter total,sua tenacidade crescente,moderna e elaborada. Saiba mais sobre Gurrilheiros e Terroristas.

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    Luiz Eduardo Carvalho16/09/2023Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Marxismo, a ideologia "mola" dos Guerrilheiros e Terroristas

    Livro: Guerrilheiros e Terroristas Autor: Richard Clutterbuck O autor é um general inglês que em sua época da ativa, lutou e combateu o terrorismo contra o seu país, após a sua passagem pra reserva decidiu empregar o seu conhecimento na confecção de obras voltadas para o tema, incluindo este livro, que segundo a Apresentação do livro, logrou elogios da crítica especializada tanto nos EUA como na Europa. Clutterbuck tenta ao longo do livro mostrar as consequências oriundas dos atos de terrorismo e guerrilha, nos mostrando os efeitos práticos e desastrosos que esses atos proporcionam para desestabilizar o meio social, bem como as ideias que as fundamentam, com especial destaque para a ideologia marxista-leninista. "A tese defendida neste livro é a de que o terrorismo -- o ataque a um indivíduo a fim de assustar e coagir um grande número de outros -- é tão antigo quanto a civilização propriamente dita. É o recurso usado por uma minoria, ou mesmo por um único dissidente frustrado, para suprir sua incapacidade de levar uma sociedade a seguir uma direção desejada, valendo-se de meios que esta mesma sociedade considera "legítimos". Em princípio, é um ataque às instituições, com o objetivo de destruí-las ou, como mais recentemente, de procurar mudá-las radicalmente para ajustá-las à sua própria concepção de sociedade. Para proteger-se dessa ação coercitiva e para proteger as vidas e os bens do cidadão, a sociedade necessita conhecer que objetivos os terroristas estão procurando atingir e necessita, também, de grande cooperação por parte do público, da polícia e das forças armadas. Precisamos conhecer como este tipo de combate se desenvolve em ambos os lados, se quisermos aprender a melhor maneira de ajudar a vencer aqueles que estão lutando." (Richard Clutterbuck, p.11) Existe ainda nos dias atuais uma certa fantasia quanto as ideias marxistas em suas inúmeras vertentes, mas quando nos debruçamos pra estudar com um olhar minimamente crítico sobre ela, percebe-se potencial dano que ela pode promover em uma sociedade, ainda que seja "vendida" e até mesmo enaltecida por muitos professores universitários, políticos, sindicalistas, teólogos, artistas e etc. Estamos imersos num "imaginário" revolucionário, por vezes de cunho marxista, sem nos darmos conta, mas livros como este nos mostram o como essas ideias fundamentam em sua grande maioria grupos terroristas diversos, justamente por eles tentarem implementar em algum sentido essas ideias revolucionárias. Nessa linha de raciocínio, movimentos terroristas e guerrilheiros como IRA (Exército Republicano Irlandês), FPLP (Frente Popular de Libertação da Palestina), MPLA (Movimento Popular para Libertação da Angola), FNLA (Frente Nacional para Libertação da Angola), Exército Simbionês de Libertação, Brigadas dos Violentos, Exército Vermelho, Exército Vermelho Unido, dentre muitos outros, são citados e comentados como movimentos que possuem componentes revolucionários e de fundo teórico marxista ou anarquista. "Hoje em dia, a maioria daqueles que desejam derrubar, pela força, um governo constitucional, ou introduzir mudanças na sociedade pelo terror, embora aleguem estar agindo em nome do nacionalismo, estão realmente motivados por uma filosofia anarquista ou marxista, ou mesmo de seu parente totalitário mais próximo, o fascismo. O anarquismo, por definição, não deseja qualquer tipo de hierarquia ou disciplina -- deseja, isto sim, a volta do homem ao estado de liberdade de um animal selvagem na floresta. O marxista dirige-se para o outro extremo. Pretende que a civilização atinja o nível alcançado pelas formigas, cuja organização é total, pacificamente aceita, sem questionamentos, e imposta pela maioria da comunidade. A organização e o instinto das formigas são tão desenvolvidos que os dissidentes são raros e imediatamente expulsos da comunidade pela maioria sem aguardar ordens. Em uma sociedade marxista pura, esse tipo de instinto -- que levou milhões de anos para se desenvolver nas formigas -- seria incutido nas crianças desde o berço. Aliás, este é um ponto comum ao marxismo e ao fascismo. Embora o homem não deseje a liberdade total da floresta, também não deseja a perfeita ordem de um formigueiro. É por isso que o anarquista jamais poderá atingir seus objetivos sem o emprego da força. Lênin afirmava com muita propriedade que 'não se pode pensar em ditadura do proletariado sem terror e violência'." (Richard Clutterbuck, p.24-25) O autor divide o livro em 9 capítulos: 1. Conflito dos Nossos Dias 2. Raízes Históricas 3. As Lições do Sudeste Asiático 4. Emprego Pacífico das Forças Armadas 5. Irlanda do Norte 6. Os Palestinos 7. A Internacional Terrorista 8. A Proteção Contra o Terrorismo 9. O Preço a Pagar A medida em que essas ideias "românticas" do marxismo forem difundidas sem as devidas contraposições, na minha opinião, sempre haverá um componente potencial para embasar potenciais grupos guerrilheiros e terroristas, pois o "imaginário marxista" acredita que somente eles possuem as repostas para a mudança verdadeira da sociedade, mas muitos não se dão conta que essa mudança implica a destruição da própria sociedade, e nada garante que o que surgirá depois da implosão da sociedade, será melhor do que o que se tinha antes, muito menos leva em consideração a destruição da moral, como também as consequencias dessa destruição. Discute-se no livro as ideias do Comunismo e Anarquismo, bem como é mencionado os escritos de Mao Tsé-tung e Marighela, que norteia boa parte desse pensamento revolucionário guerrilheiro. A importância da conscientização da sociedade e dos meios de comunicação midiáticos é fundamental para se manter preservado o mínimo do "tecido social", pois muitas vezes a própria mídia imersa nesse imaginário revolucionário contribui para uma romantização a estes grupos, exemplo disso são os próprios movimentos das as FARC e MST na América Latina, onde são relativizado, por vezes, suas ações. A opinião pública, e sua compreensão correta da realidade, é a maior arma de apoio ao governo no combate ao terrorismo. Mas se um sistema governamental está imerso na concepção revolucionária, o imaginário popular está leniente ou favorável à ação revolucionária, o sistema de segurança vilânizado, corrupto e falido, o sistema penal e jurídico corroído por essas ideias fomentando insegurança jurídica, e por vezes, invertendo a lógica de proteção dos , relativizando penas para traficantes, corruptos, assassinos enquanto torna-se, por outro lado, arbitrario ao criminalizar opiniões divergentes, promovendo perseguição política,diretos quebra de artigos e leis anteriomenre feitas ou medidas tomadas, relativizando a própria constituição, deixando o cidadão comum com a sensação de  "impunidade" frente as mais diversas situações ... no final todo um aparato estatal e privado passando a mensagem sutil de que "compensa" a ações desordeiras na sociedade, o preço a ser pago é com vítimas cada vez maiores e o caos generalizado. "Quanto mais o público souber sobre os terroristas e seu modo de operar, mais apto ele se tornará para cooperar com a polícia e assim se proteger, ajudando acima de tudo a aumentar o número de prisões e condenações, o que realmente consegue deter a ação terrorista." (Richard Clutterbuck, p.104) "Finalmente, o terrorismo só pode ser derrotado se puder ser demonstrado que ele não compensa tanto a longo como a curto prazo. Isso é primordialmente tarefa para um bom trabalho policial, com o apoio de um governo frio e determinado e um público cooperativo, onde os meios de comunicação de massa têm um papel vital a desempenhar. Nesse ínterim, até que o terrorismo seja derrotado, o público deve ser protegido contra ele de tal maneira que essa reação não cause mais danos do que a ação terrorista propriamente dita." (Richard Clutterbuck, p.102) "Em alguns países, a própria polícia tornou-se irritada com a ineficácia da lei e com sua inabilidade em assegurar condenações nos tribunais. O primeiro sintoma dessa irritação pode ser notado quando a polícia começa a preparar ou arranjar provas, ou a valer-se de métodos de interrogatório ilegais. O próximo estágio virá quando a polícia passar a agredir as pessoas, ou mesmo a matá-las, ao invés de prendê-las. O último estágio é aquele em que a polícia faz acordos com grupos políticos ou quadrilhas de criminosos comuns rivais, pelos quais estes grupos e quadrilhas concordam em eliminar os suspeitos de envolvimento com o terrorismo, ou de apoiá-lo, em troca da polícia conceder-lhes território livre para suas próprias atividades. Isto é o princípio do fim da democracia, como aconteceu em um grande número de países da América Latina." (Richard Clutterbuck, p.117) Acredito que um dos maiores acertos do livro é conseguir articular a teoria à prática terroristas e guerrilheira, já li livros que tiveram essa dificuldade em fazer essa ligação entre teoria × prática, por vezes ficando em um desses polos, mas Clutterbuck consegue fazer muito bem essa união, também sendo extremamente didatico para explicar e conceituar as características do que diferencia um terrorista de um guerrilheiro, bem como as suas ramificações e aplicações, suas taticas e objetivos. Poderia ser também um dos melhores livros que li nesse ano de 2023, só não leva a nota máxima, por em alguns capítulos específicos, que adentra aos casos da Palestina e Irlanda do Norte, não ter ficado muito claro, o texto ficou um pouco truncado em alguns momentos e enfadonho em outros, mas em si é um exemplo da qualidade dos livros da Biblioteca do Exército. Recomendo a leitura de outros livros da Bibliex que complementam esse tema. 1) Terrorismo Global - André Luís Woloszyn 2) Cenas da Nova Ordem Mundial - Sérgio A.A. Coutinho 3) FARC: Terrorismo na América Latina - Luís Alberto V. Pulido 4) O Choque do Islã - Marc Ferro Outro que contribui também é o livro: 1) Nova Era e a Revolução Cultural - Olavo de Carvalho "Grande número dos conflitos internos, porém, procura destruir a forma de sociedade que a maioria do povo escolheu, quando os terroristas concluem que, pacificamente, não conseguirão persuadir o povo a mudar. Uma boa parte dos terroristas, embora não todos, é motivado por objetivos anarquistas ou marxistas. O anarquista visa a destruir o império da lei e levar a comunidade de volta à selva da liberdade individual irrestrita. O marxista deseja impor a sua própria Lei, levando a Civilização para o estado arregimentado do formigueiro, onde ele esteja no topo. Posto que a maioria das pessoas não deseja qualquer uma dessas opções, a sociedade tem o direito de se proteger contra elas, respondendo à força, com a força. Contudo, quando o povo se torna desesperado, pode entregar o poder nas mãos de um regime autoritário que venha a arregimentá-lo para um formigueiro alternativo, cujas diferenças para um Estado Marxista são quase imperceptíveis. Os governos democraticamente eleitos, que estão sujeitos a eleições livres, permitem a liberdade de expressão e de imprensa e procuram se compor com os dissidentes não-violentos, o que os coloca diante de um dilema permanente. Se esses governos não permanecerem firmes o bastante, isto poderá dar origem àquela irritação que fará desaparecer essas liberdades. Porém, se eles próprios reagirem com violência e sufocarem os dissidentes, isso não só envenenará a sociedade, como também torná-la-á mais frágil e vulnerável aos ataques." (Richard Clutterbuck, p.122)

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