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    O mal de Montano -

    Enrique Vila-Matas

    Cosac Naify
    2005
    328 páginas
    10h 56m
    ISBN-10: 8575034456
    Português Brasileiro
    3.6
    83 avaliações
    Leram147Lendo5Querem141Relendo0Abandonos9Resenhas6
    Favoritos14Desejados141Avaliaram83

    A arte de desaparecer, as sociedades secretas e o diário íntimo são alguns dos elementos privilegiados pelo espanhol Enrique Vila-Matas neste livro. A obsessão pela literatura e pelo literário, o desejo de ser a memória da literatura encarnada, ou seja, o mal de Montano, vai deixando, página a página, de ser uma enfermidade cuja cura é necessário encontrar para tornar-se um antídoto eficaz contra a morte da literatura e uma arma contra os inimigos do literário. Para essa cruzada, irônica e autoirônica, o autor convoca seus autores-ícones, alguns dos quais já faziam parte do elenco notável de Bartleby e companhia, como Robert Walser, Robert Musil, Franz Kafka e Fernando Pessoa. Se, naquele romance, o que justificava a presença desses autores era o fato de, em algum momento, eles terem preferido não mais escrever, o que os reúne em O mal de Montano é a prática do diário íntimo, germe da autoficção. Por meio de implacável ironia, a obra comemora e celebra a riqueza e a força da literatura. Para isso, conta com personagens notáveis, como Rosa, Rosário Girondo, e o inacreditável Tongoy, um Nosferatu transformado em Sancho Pança ao se fazer fiel escudeiro do verdadeiro Quixote da literatura que é o narrador. A obra recebeu os prêmios Herralde (Espanha, 2002) e Médicis (Paris, 2003).

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    João Guilherme Gurgel picture
    João Guilherme Gurgel27/06/2025Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Como faremos para desaparecer?

    Falar que um autor X tem uma *prosa inclassificável* é um termo um pouco banalizado nas resenhas digitais, perdendo o real poderio do adjetivo. Por isso, digo: a prosa de Vila-Matas é genuinamente inclassificável, um romance que mescla da metalinguagem com o ensaio. Não só da metalinguagem *real*, mas há algo ficcional que perpassa toda a obra; como Bentinho e Humbert Humbert, Rosário Girondo, o (suposto) crítico literário que narra este livro, é nada confiável, - mas, como estamos no pós-modernismo, no epítome do que é meta linguístico, o narrador assume que é não-confiável, reescrevendo a própria história à medida que vamos passando de páginas (há um evento, quando ele vai a Ilha de Açores, que é descrito três vezes; cada uma de maneira diferente). O livro é divido em cinco partes, munidas do denominador em comum de serem um (suposto) estudo sobre o diário como forma narrativa; e, teoricamente, o próprio livro é um diário do (suposto) autor, - e tudo isso se escalona a um nível que foge da alçada das certezas; você se torna obcecado tal como o narrador, como se este Mal De Montano (como ele chama a obsessão pela literatura) pudesse ser contagiosa. E, como já é clássico no autor, o livro é completamente recheado por citações (muitas delas falsas), - e talvez seja este o ponto em que O Mal de Montano peque, ao não conseguir conciliar a parte narrativa da não-narrativa, ao tentar amalgama-las, não conseguindo montar algo palatável; o que torna a escrita maçante, inegavelmente. De qualquer maneira, este livro é um prato cheio para fãs de literatura, - por mais que o autor possua trabalhos melhores, como A Viagem Vertical e o genial Ar de Dylan.

    23 curtidas

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    Avaliações

    3.6 / 83
    • 5 estrelas29%
    • 4 estrelas29%
    • 3 estrelas22%
    • 2 estrelas16%
    • 1 estrelas5%
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    Enrique Vila-Matas

    Enrique Vila-Matas (Barcelona, 1948) é um escritor espanhol. Nasceu em Barcelona em 1948. Em 1968 foi viver para Paris, auto exilado do governo de Franco e à procura de maior liberdade criativa. O apartamento onde se instalou foi-lhe alugado pela escritora Marguerite Duras. Durante esse anos subsistiu realizando pequenos trabalhos como jornalista para a revista "Fotogramas", e chegou a colaborar como figurante em Estoril num filme de James Bond. Vila-Matas publicou o seu primeiro livro, "La Asesina Ilustrada", em 1977, e desde então não mais deixou de escrever pois, segundo ele, "escrever é corrigir a vida, é a única coisa que nos protege das feridas e dos golpes da vida." Com a publicação de "História Abreviada da Literatura Portátil" começou a ser reconhecido e admirado no âmbito internacional, especialmente nos países latino-americanos, França e Portugal. As suas obras são uma mescla de ensaio, crônica jornalística e novela. A sua literatura, fragmentária e irônica, dilui os limites entre a ficção e a realidade. Desenvolveu uma ampla obra narrativa que se inicia em 1973 e que, até à data, foi traduzida para 29 idiomas. Atualmente é um dos narradores espanhóis mais elogiados pela crítica nacional e internacional.

    42 Livros
    80 Seguidores

    Enrique Vila-Matas