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    28 contos (Coleção Listrada) -

    John Cheever

    Companhia das Letras
    2010
    360 páginas
    12h 0m
    ISBN-13: 9788535917734
    Português Brasileiro
    4.3
    101 avaliações
    Leram132Lendo19Querem261Relendo2Abandonos8Resenhas6
    Favoritos11Desejados261Avaliaram101

    Reunião de contos de John Cheever - considerado um dos maiores contistas americanos do século XX e aquele que obteve o maior sucesso comercial com o gênero em todos os tempos - revela momentos de epifania e transcendência no ambiente aparentemente anódino do subúrbio americano. Lançada em 1978, The stories of John Cheever, a coletânea da qual foram selecionados os contos publicados em 28 contos de John Cheever, é considerada um fenômeno editorial até hoje, mais de trinta anos depois. Nunca, até e desde então, um livro de contos, gênero que raramente chega às listas de mais vendidos, obteve tamanho sucesso nos Estados Unidos: vendeu 125 mil exemplares na edição de capa dura e figurou por seis meses na lista de best-sellers do New York Times. O volume foi um sucesso não só de público: ganhou três dos prêmios literários mais prestigiosos, o Pulitzer, o National Book Circle Critics Award e o American Book Award. O Washington Post afirmou que "os contos de John Cheever são, simplesmente, os melhores". A revista Time estabeleceu que a antologia "mapeava uma das obras mais importantes das letras contemporâneas". E o New York Times decretou que o livro não era "apenas o acontecimento literário do momento, mas um evento maior na literatura de língua inglesa". A obra de Cheever investiga aspectos à primeira vista específicos da vida americana de meados do século XX: a aridez espiritual dos subúrbios ricos e, concomitantemente, a possibilidade de transcendência do indivíduo numa sociedade cujo fundamento é a alienação. Colados à realidade, seus melhores contos soam como críticas inexoráveis do vazio de seus personagens, das vidas anódinas a que estão condenados. Ainda assim, em situações extremas, e por meio de rupturas líricas da narrativa realista, Cheever abre caminho para epifanias: a existência não seria só isolamento sem sentido; o amor, as relações familiares e a natureza, transformados pela arte, são motivo de alumbramento. A consagração dos contos de Cheever serviu de alavanca para colocar a sua obra no cânone americano, na condição de clássico da literatura contemporânea. Daí Cheever ter sido rotulado de "o Ovídio de Ossining" (cidade onde viveu) e "o Tchekhov americano".

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    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo13/06/2022Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Burgueses insólitos

    Alcoólatras. Bêbados. Da classe média (às vezes da alta). Falidos. Homens brancos. Veteranos de guerra. E, em geral, insólitos. Essa é a base da galeria de personagens que desfilam nestes “28 contos” de John Cheever, o “Tchekhov americano”. Em mais uma excelente contribuição para os leitores brasileiros, este livro da Coleção Listrada traz 28 contos selecionados pelo jornalista Mario Sergio Conti - repórter de inteligência aguda que ficou marcado na crônica da vida pública brasileira por entrevistar um sósia do técnico Felipão em 2014 - entre as 61 breves narrativas presentes em “The stories of John Cheever”, livro que deu ao autor estadunidense todas as glórias possíveis, incluindo um prêmio Pulitzer de ficção. As histórias de John Cheever são quase monotemáticas. O que, em um primeiro momento, pode parecer jogar contra ele. No entanto, Cheever foi um habilidoso ficcionista e muitas das breves narrativas presentes aqui se sustentam pela força da prosa, que, quando envolventes, prendem os leitores sem deixar espaço para fuga. É o caso dos melhores contos da coletânea, como o fantástico “O enorme rádio”, que possui um “quê” de real maravilhoso e é conduzido em ritmo perfeito pelo autor, sendo uma história que possui reflexões práticas em nossa era de superexposição e de redes sociais, e envolve as agruras de um casal que vive das aparências; do borgeano “Lamento amoroso”, que permite múltiplas interpretações sobre a mulher “sempre vestida de preto” que atormentava, em diferentes situações, a vida de Jack Lorey, protagonista desta história; das narrativas sobre ingenuidade, pobreza e busca do tão estadunidense “sonho americano” para alcançar o sucesso ou enriquecer que aparecem em “Ó cidade dos sonhos falidos”, “O pote de ouro” e “O Natal é uma época triste para os pobres”; das histórias que envolvem os problemas conjugais ou de se fazer parte de uma família presentes em “Adeus, meu irmão”, “Os Hartley” (esse com clímax chocante que antecede as linhas finais, vale o destaque), “Só quero saber quem foi”, “A cômoda” e “Reencontro”; dos divertidos, inventivos e peculiares “O general de brigada e a viúva do golfe” e “Três histórias”; e, é claro, a grande estrela deste livro, o enigmático “O nadador”, conto perfeito que pode (deve) tranquilamente figurar em qualquer lista sobre o gênero e, de tão extraordinário, possui uma adaptação hollywoodiana estrelada pelo ator Burt Lancaster intitulada por aqui de “Enigma de uma vida”. Para o gosto deste leitor, Cheever tem uma qualidade especial para um contista que me desagrada um pouco: ele consegue injetar muita densidade em poucas páginas e, devido a isso, suas narrativas breves possuem uma máscara novelesca. Para quem gosta mais de romances que contos, por exemplo, Cheever será melhor aproveitado. Eu, apreciador da narrativa breve como um momento deslocado no tempo como se fosse um sonho ou uma fotografia, canso com certa facilidade nesse outro estilo de brevidade. Creio, também, que essa característica de Cheever é compartilhada com outro grande nome do gênero: Alice Munro. A canadense ganhadora do Nobel também faz parte dessa distinta vertente da arte da brevidade. Ou pode ser que eu só esteja mal acostumado com a precisa genialidade dos saudosos Lygia Fagundes Telles e Sérgio Sant’Anna, não vou negar. Como manda a tradição do gênero, este “28 contos” é um livro com veredicto misto. A boa notícia é que a maior parte dos contos pode ser classificada como ótima e excelente, enquanto o restante é composto por boas e agradáveis narrativas (talvez uma ou outra esquecível). No fim, o que fica é a sensação de ter lido um pouco mais sobre a insólita vida burguesa nos Estados Unidos do século passado. E isso não é pouco. OBS: para quem está com o inglês em dia, vale procurar e conferir a leitura para lá de especial de ninguém menos que Meryl Streep para o conto “O enorme rádio” (“The enormous radio”, no original). Ela encena todas as vozes dessa breve narrativa e nem a minha mais profunda imaginação poderia ter dado melhores características às personagens. A participação dela e de outras celebridades (menos) famosas fez parte de um projeto chamado “The John Cheever Audio Collection”, em que alguns contos “ganham vida” na voz de gente importante para mostrar que não se brinca com a ficção. Além desse registro especial, vale conferir também a leitura de quatro contos do “Tchekhov americano” selecionados para o podcast de ficção da tradicional revista New Yorker.

    99 curtidas

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    4.3 / 101
    • 5 estrelas45%
    • 4 estrelas40%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas1%
    • 1 estrelas1%
    John William Cheever profile picture

    John William Cheever

    Nasceu em Quincy, Massachusetts, em 1912, de uma família branca, anglo-saxã e puritana. Morador de subúrbios de classe média alta durante quase toda a vida, dali tirou inspiração e ambiente para suas obras ficcionais. Depois de colaborar por muitos anos com a revista New Yorker, lança seu primeiro romance, <i>The Wapshot Chronicle</i>, em 1958, pelo qual recebe o National Book Award. Publicou ainda diversas coletâneas de contos - entre as quais <i>The Stories of John Cheever</i> - e os romances <i>The Wapshot Scandal</i> (1964), <i>Bullet Park</i> (1969) e <i>Falconer</i> (1977). Considerado um dos maiores contistas americanos, Cheever recebeu, dois meses antes de falecer, em 1982, a Medalha Nacional para Literatura pela American Academy of Arts and Letters.

    22 Livros
    12 Seguidores
    Massachusetts, EUA

    John William Cheever