Perfeccionismo e mistério do 24º Patrono da Academia Cearense de Letras
Ao ter em mãos essa coletânea de poemas e antes mesmo de começar a destrinchá-los, bom é conhecer a rápida, triste e comovente história do autor... Lívio Barreto não apenas escreveu o misterioso, mas viveu o mistério em si mesmo. Sua morte por “congestão cerebral” ainda aos 24 anos de idade parece dizer-nos que aquele homem apenas ao mundo veio para trazer uns poemas e depois partir. Imagino que classificações múltiplas poderiam ser dadas aos poemas de Lívio Barreto. Entretanto eu ouso simplificar quaisquer outras classificações a duas únicas classificações subjetivas: uma que engloba os Poemas Perfeccionistas (São aqueles que exaltam a branquíssima pureza feminina) e outra que engloba os Poemas de Mistério (São aqueles que falam de obscuros temas para os quais nunca se encontrou soluções). Estes últimos são exatamente aqueles com os quais mantive uma relação de amizade. Os Poemas de Mistério de Lívio Barreto (Ou por que não dizer os poemas simbolistas?) trazem consigo uma densa nuvem de conjecturas. São palavras inexplicáveis. Frases aparentemente sem sentido. Expressões não costumeiras. São poemas de diferentes nuances. Eis alguns preferidos por mim: Árvores velhas, árvores amigas, Venho doente à vossa sombra orar, Longe das tramas, longe das intrigas, Ajoelhar-me sob o vosso altar. No poema “Sob as árvores” Não digas que eu faço versos Pois não são versos que eu faço A Poesia é que eu desfaço Em mil bocados diversos No poema "Refúgio Eterno" Por que sobes vaidosa e confiada Pra onde não há pouso e lenitivo, Se tens de regressar dessa jornada Cheia de tédio ao leito primitivo? No poema “Romaria dos Sonhos” Chega-me branda e triste a voz Longínqua e triste da Poesia, Como uma pomba, à noite, a sós, Cortando a treva erma e sombria. No poema “Dolentes”

