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    Traduzindo Hannah -

    Ronaldo Wrobel

    Record
    2010
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-10: 8501091146
    Português Brasileiro
    4.1
    67 avaliações
    Leram99Lendo8Querem130Relendo0Abandonos0Resenhas7
    Favoritos7Desejados130Avaliaram67

    O sapateiro judeu Max Kutner é convocado para trabalhar na censura postal do regime Vargas, traduzindo cartas do iídiche para o português em busca de subversivos. Enquanto lida com o peso na consciência, Max se apaixona por uma desconhecida através de suas cartas e, determinado a encontrá-la, descobre mais do que pretendia - inclusive sobre si mesmo.

    Resenhas (7)Ver mais
    Ladyce West picture
    Ladyce West18/08/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Até agora, o melhor do ano!

    Se me coubesse a votação para um prêmio nacional de literatura -- melhor livro do ano, ele iria para TRADUZINDO HANNAH de Ronaldo Wrobel [Record:2010]. O livro já foi um dos finalistas, este ano, do Prêmio São Paulo, nessa mesma categoria, quando o vencedor foi PASSAGEIRO DO FIM DO DIA de Rubens Figueiredo. Mesmo assim, continuo convencida de que o romance de Ronaldo Wrobel, escancara as portas para novos rumos da literatura brasileira contemporânea. O que faz esse livro merecer tanto entusiasmo? Tema, estilo, narrativa, leveza, humor, ironia e pesquisa. O tema é um retrato de grupos de imigrantes judeus que chegaram ao Brasil nas primeiras décadas do século XX, fugidos de desastrosas realidades: guerra, fome, desemprego, perseguição. Tais como milhares de outros imigrantes, que ao longo dos séculos vieram se estabelecer no país. Acentuando a narrativa, trazendo-a para o nível de deleite literário, está o estilo de Ronaldo Wrobel, leve e solto, com uma refrescante e fértil maneira de expressão: imagens, figuras de linguagem soam novas, soam belas e vivazes. Permeando todo o texto há uma leve ironia, um humor fugaz que nos faz sorrir, quase rir em certos trechos sem, no entanto, termos diante de nós nada mais do que a mera e justa comédia humana. Sua pesquisa foi preciosa, o que tornou fácil imaginar as andanças pelas ruas do Rio de Janeiro, pela Lapa, pelo Catete, pela Praça Onze, mesmo que hoje esses locais sejam tão diferentes. A história tem início na década de 1930. Max Kutner sapateiro, imigrante e judeu polonês, que já havia estabelecido uma pequena clientela no centro do Rio de Janeiro, é convocado, durante o governo Vargas, para trabalhar na censura de cartas. Traduzir do iídiche para o português passa a ser sua segunda ocupação. Ele se enfronha na intimidade da comunidade judaica através das cartas que traduz. No processo, também se familiariza com as irmãs, Hannah e Guita, do Rio de Janeiro e de Buenos Aires, e se interessa em conhecer Hannah. Quando isso acontece, descobre que ela não era bem a pessoa que ele imaginava ser quando lia sua correspondência. Deste momento em diante passamos a uma grande aventura em terras cariocas. Num ritmo galopante, vamos de espionagem a contra-espionagem. A cada capítulo uma surpresa e um aprofundamento da trama. Como num teste de visão, vamos corrigindo nossas lentes, passo a passo, enquanto acompanhamos o progresso de Max Kutner que, como nós, precisa acertar a combinação de lentes para ver, entender, compreender e digerir tudo que o rodeava. TRADUZINDO HANNAH é uma pequena obra-prima burlesca, inteligente e histórica. Não deixe de ler. Um deleite!

    12 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.1 / 67
    • 5 estrelas40%
    • 4 estrelas40%
    • 3 estrelas15%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas1%
    Ronaldo Wrobel profile picture

    Ronaldo Wrobel

    Ronaldo Wrobel é escritor e advogado. Nascido em 1968 no Rio de Janeiro, também é autor do romance Propósitos do Acaso, dos contos reunidos em A Raiz Quadrada e outras histórias e de Nossas Festas - Celebrações Judaicas. Assina uma coluna mensal na revista Menorah.

    5 Livros
    7 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Ronaldo Wrobel