Todo mundo caga regras também * Estou sempre esbarrando em alguém para ser livre. Se houvesse liberdade o mundo seria uma loucura. Eu podendo sair por aí com Rimbaud e Baudelaire. Viajando para Angra dos Reis. Rimbaud matou uma onça outro dia, de noite. E outro dia, de dia, comemos, nós dois, a gororoba do hospício. Eu e Rimbaud. Ele está internado devido às drogas. Manca um pouco e deve ter lá os seus quarenta anos. Cheguei a perguntar porque escreveu tão pouco. Ele me disse que detestava escrever. Eu gosto é de sentir o vento sobre os meus cabelos, dizia. No hospício há brisas perigosas para um cara franzino como Rimbaud, mas ele é safo, sabe se ver livre das adversidades. Logo estará recebendo alta. * Hospícios são lugares tão bonitos lembram os cemitérios Remédios azuis são tão ingênuos lembram alguns internos Há ladeiras e um grande degrau e flores e gente e muita gente Muita gente gritando comigo como se só eu pudesse ouvir.