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    A Terra Devastada -

    T. S. Eliot

    Relógio d'Água
    2003
    68 páginas
    2h 16m
    ISBN-10: 972708544X
    Português Brasileiro
    3.8
    162 avaliações
    Leram260Lendo9Querem360Relendo1Abandonos0Resenhas19
    Favoritos9Desejados360Avaliaram162

    Realizado entre 1920 e 1921 e publicado em 1922, “The Waste Land”, de T. S. Eliot (1888-1965) é considerado por muitos críticos o mais importante poema do século XX, quiçá dos mais importantes de todos os tempos. Faz uma vasta exploração poética da esterilidade da vida moderna tendo como referência a destruição da Europa após a Primeira Guerra Mundial. Logo no primeiro verso da obra : “Abril é o mais cruel dos meses...” percebemos metaforicamente a noção de uma agonia , qual seja , a da chegada incerta da primavera ao hemisfério norte, ao mundo. Ao final do poema, o leitor se depara com questões fundamentais à humanidade : ainda germinará a primavera para a humanidade? Uma humanidade auto-destrutiva e impotente diante de seu próprio destino. Após os horrores da Primeira Guerra Mundial, T. S. Eliot, descreveu em seu poema liricamente um mundo no qual o potencial humano de destruição deixou a humanidade estéril e aponta para a crise da cultura ocidental repleta de destruição e contaminada pela barbárie desde seu início até o pós primeira guerra mundial. Das cinco partes do poema A Terra Desolada há muitas referências e citações, como um caleidoscópio , um verdadeiro diálogo com a literatura européia, à literatura indiana e à Antiguidade clássica. Homero, Dante Alighieri (1265-1321), Virgílio (70-19 a.C.), William Blake (1757-1827), William Shakespeare (1564-1616), Baudelaire, etc além de canções populares, passagens e citações em seis línguas estrangeiras, inclusive frases em sânscrito aparecem metaforicamente para dar corpo à obra. O Poema está repleto de ricas e densas metáforas ligadas a temas recorrentes como a chuva, a esterilidade principalmente , a violação, a barbárie , a ruína da civilização e da vida pessoal e social , costuradas numa ligação entre passado e presente “atemporal “ remetendo-se a toda experiência da vida e da organização social humana. Em The Waste Land a cultura, a moral, estética, religião, sociedade e sujeito aparecem mutilados metaforicamente ; Eliot cria uma “ estética da fragmentação” tentando construir uma imagem e história do homem a partir de imagens rotas, fragmentadas. Símbolo da civilização sem rumo do pós-Primeira Guerra, este grande poema contribuiu decisivamente - ao longo de seus mais de 400 versos - para sedimentar as bases do modernismo tentando traduzir o universo de infertilidade do pós guerra, das incertezas do homem diante de seu passado e de seu futuro .

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    Carlos27/04/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma elegia aos cacos da civilização

    A Terra Devastada é um lamento entre ruínas, uma elegia construída com os cacos da civilização. T. S. Eliot, com precisão cirúrgica e lirismo sombrio, desmonta a alma moderna em cinco movimentos que ecoam o vazio, a angústia e a fragmentação de um mundo pós-guerra. Seu verso é erudito e labiríntico, mas profundamente humano — carregado de referências míticas, ecos de vozes perdidas, e um desespero contido pela beleza da linguagem. É um poema difícil, sim, mas necessário: um espelho estilhaçado onde nos vemos desfeitos, buscando sentido entre os escombros da tradição e do tempo. Em meio à aridez, brota a pergunta: “Será que revive a terra?”.

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    Thomas Stearns Eliot profile picture

    Thomas Stearns Eliot

    Eliot nasceu nos Estados Unidos, mudou-se para a Inglaterra em 1914 (então com 25 anos) e tornou-se cidadão britânico em 1927, com 39 anos de idade. T. S Eliot residia em Londres. Depois da guerra, nos anos vinte, ele passou muito tempo com outros grandes artistas na avenida Montparnasse, em Paris, onde foi fotografado por Man Ray. A poesia francesa exerceu grande influência na obra de Eliot, em particular o simbolista Charles Baudelaire, cujas imagens da vida em Paris serviram de modelo para a imagem de Londres pintada por Eliot. Ele começou então a estudar sânscrito e religiões orientais, chegando a ser aluno do renomado armênio G. I. Gurdjieff. A obra de Eliot, após a sua conversão ao cristianismo pela Igreja Anglicana, é frequentemente religiosa em sua natureza e tenta preservar o inglês arcaico e alguns valores europeus que ele julgava serem importantes. Publicou o poema The Waste Land em 1922; em 1927 obteve a nacionalidade britânica. Em 1928, Eliot resumiu suas crenças muito bem no prefácio de de seu livro "Para Lancelot Andrews": "O ponto de vista geral [dos assuntos do livro] pode ser descrito como classicista na literatura, monarquista na política e anglo-católico na religião." Essa fase inclui trabalhos poéticos como Ash Wednesday, The Journey of the Magi, e Four Quartets. Recebeu o Nobel de Literatura de 1948.

    59 Livros
    131 Seguidores
    Missouri, Estados Unidos

    Thomas Stearns Eliot